Prefácio
Respeitável Público…
Digo RESPEITÁVEL LEITOR!
Senhoras e senhores! Adultos e crianças… Cidadãos e cidadãs. Professores e não-professores. Pais e filhos. Educadores e educandos. Mestres e discípulos. Leitores e não-leitores. Bem-humorados e mal-humorados…
Este trabalho destina-se a todos que queiram refletir sobre sua postura perante a sala de aula, a família, a sociedade, o trabalho, o espelho e o umbigo. Todos que “sonham” com uma “vida” melhor, uma vida feliz, prazerosa, próspera, bem sucedida, bem vivida e bem-humorada.
Não existe receita, fórmula, regra, mágica ou milagre para transformar a sociedade e construir um mundo melhor, ser feliz, fazer sucesso ou viver bem.
Utopia, loucura, delírio, alucinação, embriaguez, ilusão, sonho, profecia…
O que há são ensaios, experiências, testes, pesquisas, tentativas, muita vontade, muitos erros e muito suor… Ufa!
O que é FELICIDADE? Como alcançá-la? Como ser feliz?
O que é SUCESSO? Como obtê-lo?
Como VIVER BEM? O que é VIVER BEM?
Como transformar a sociedade e construir um mundo melhor? O que é um mundo melhor?
Não existe resposta para estas indagações.
Saiba que a felicidade está em você. Não depende do que você possui ou pretende conquistar. Depende de como se sente e se relaciona com o que possui.
Ficou decepcionado? Não desanime. Não desista. Tenha coragem. Levante a cabeça. Respire fundo… e grite bem alto, o mais forte que puder: “EU ME AMO. SOU FELIZ. SOU FELIZ PORQUE ME AMO!”.
Sente-se melhor? Não!
Não desista. Pare sua leitura. Dirija-se ao espelho mais próximo. Olhe para a pessoa do seu espelho. Encare-a nos olhos. Respire fundo. Conte até três e grite: “EU ME AMO. SOU FELIZ. SOU FELIZ PORQUE ME AMO!”.
E agora? Como se sente?
Espero que esteja alegre, rindo desta palhaçada. Afinal, o bom humor é a solução para seus problemas.
Talvez o bom humor não resolva todos os problemas de imediato, mas tornarão seus ambientes mais agradáveis, pacíficos, serenos, produtivos, bem sucedidos, alegres e felizes, criando um clima de paz e amor, melhorando sua criatividade, sua disposição, suas habilidades e seu relacionamento familiar, profissional, amoroso e social. Conseqüentemente, seus problemas “desaparecerão”.
O resultado é o sucesso e uma vida mais saudável!
Professores da Alegria não é um livro de receitas ou magia. Não é um conjunto de regras e códigos que devem ser obedecidos. Professores da Alegria é um ensaio humanístico, social e pedagógico que propõe a reflexão dos “professores da alegria” – todos os seres humanos - perante a sociedade. É um resgate da auto-estima e da valorização humana através da conscientização de cada cidadão sobre sua postura e seu “BOM HUMOR”!
O livro está dividido em duas partes e pode ser lido “desordenadamente” dispensando a obrigatoriedade e a “ordem” vigente, de seguir a seqüência dos capítulos, pois seus textos são independentes, completos e complementares.
Na primeira parte, a definição dos “professores da alegria” e a reflexão sobre o papel da educação formal e informal realizada por indivíduos letrados e não letrados e, especialmente sobre a postura do professor-educador e a relação professor-aluno no processo ensino aprendizagem contando com a participação da família e a atuação efetiva dos pais na vida escolar de seus filhos.
Na segunda parte, o mau humor é apresentado como um problema social, capaz de “destruir” qualquer relacionamento e, influenciar negativamente a vida dos indivíduos em todos os segmentos da sociedade, principalmente na relação professor-aluno. E o bom humor como remédio e solução para alguns “males”.
É com imensa alegria, satisfação e bom humor que apresento o maior Espetáculo da Terra: “PROFESSORES DA ALEGRIA”!
Agora é com você!
Tenha uma boa dor de barriga… digo… uma boa LEITURA!
Oração do Humor
Hoje, inicio mais um dia feliz,
Maravilhoso, alegre,
Divertido e bem-humorado.
Neste dia nada me afetará.
Tristeza, raiva, ódio ou mau humor,
Tentarão me dominar,
Mas não me atingirão.
Mesmo que as tentações do mau humor me persigam, resistirei
E vencerei as forças malignas
E devastadoras do azedume do mau humor.
A energia positiva do bom humor
Transborda em meu ser, tornando-me mais forte,
Confiante, alegre, feliz e bem-humorado.
Pérfidas línguas,
Execráveis e perniciosas,
Falarão, mas não ouvirei.
Homens e mulheres
Sedentos de maldade me cercarão
E tentarão me arrastar para o abismo do
Mau humor.
Inveja, ciúme e vaidade me assediarão
E tentarão me iludir
Atraindo-me para o fracasso.
As forças do BEM, da ALEGRIA e do AMOR
Irão me conduzir para o SUCESSO.
O BOM HUMOR estará sempre em mim,
Fortalecendo-me contra o mau humor.
O bom senso e a sabedoria universal
Vão me ensinar a respeitar e compreender
Aqueles que, possuídos pelo mau humor,
Num ímpeto de instante me ofenderam.
Que a graça do humor caia sobre mim
E preencha meu espírito de alegria,
Fé e esperança.
Que cada obstáculo sirva de trampolim
Para saltar rumo à felicidade.
Que cada pedra em meu caminho
Seja um degrau conduzindo-me ao sucesso.
Que a prosperidade e a felicidade
Sejam minhas companheiras
E o bom humor minha estrela guia.
Que a energia do BEM e do BOM HUMOR
Me fortaleçam contra as forças do mal.
Que minha consciência me guie
Sempre no caminho do bom combate
Para que possa superar o preconceito
E vencer as injustiças sociais.
Que amanhã seja melhor do que ontem.
E hoje seja o melhor dia de minha vida.
Amém.
Parte I
Professores da Alegria
Professor ideal e professor real
Não existe professor ideal,
assim como
não existe
aluno ideal.
Professores da Alegria
Professor - palavra de origem latina - é aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina. É o mestre.
Os primeiros e principais educadores na vida das crianças são os pais. São os primeiros e mais importantes professores da alegria. Educação é exemplo e vem de “berço”. Conforme cresce e aprende, o sujeito torna-se “livre” e padronizado pela educação recebida ao longo de sua vida.
Todo sujeito ensina alguma coisa a outro, direta ou indiretamente, querendo ou não. Todo ser humano é capaz de ensinar e aprender. Basta conversar com alguém, “trocar idéias”, falar e ouvir. Cada sujeito é um professor em potencial e ao mesmo tempo eterno aprendiz. Ninguém ignora tudo. “Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.” Todos somos capazes de ensinar e aprender simultânea e reciprocamente, basta conviver, relacionar-se.
O processo ensino-aprendizagem é dinâmico, surpreendente, enriquecedor, infinito, eterno, vital, rejuvenescedor, inovador, transformador, criador e libertador.
Seja qual for sua profissão, grau de instrução e formação, você pode ensinar e aprender muita coisa. Basta estar atento aos acontecimentos. Sua mente deve estar “aberta” a todo tipo de informação e formação.
Não seja súdito de paradigmas ultrapassados, falsa moralidade, ideologias dominantes e “pré-conceitos” estabelecidos por uma sociedade “preconceituosa” formada por sujeitos preconceituosos, limitados e limitadores, “elitistas” e escravos das próprias regras que criaram engendrando um sistema político-econômico seletivo, excludente, manipulador, centralizador e opressor em forma de labirinto do qual não conseguem fugir.
As regras são importantes e necessárias quando estabelecidas democraticamente, legitimadas pela maioria dos societários para o bem comum. Não quando impostas de cima para baixo de forma opressiva, manipuladora, obscura e tendenciosa.
Independente de seu status, lute contra qualquer injustiça social.
Pode ser analfabeto, iletrado, inculto, alcoólatra, dependente de qualquer tipo de droga, presidiário, ex-detento, homossexual, heterossexual, indigente, lavrador, gari, catador de sucatas, empregada doméstica, profissional da educação. Não importa, todos têm algo para ensinar, independente de sua posição social, situação econômica, opção sexual, formação religiosa, grau de instrução. Os sujeitos citados aqui são, muitas vezes, desprezados pela sociedade. Muitos são excluídos e marginalizados. Esta obra não pretende reforçar o preconceito existente em relação a esses indivíduos. Ao contrário, é preciso valorizar cada ser humano, seja indigente ou presidente da república. A diferença está apenas na posição social e econômica de cada um.
Até professor, com mestrado, doutorado. Médico, advogado, administrador de empresas, escritor ou qualquer que seja sua formação e grau de instrução. Todos têm algo a aprender. Por mais instruído que seja o sujeito, sempre existe mais conhecimento para se adquirir.
Este é o “segredo”: “Quanto mais o sujeito sabe, ou pensa que sabe, mais sabe que não sabe nada, ou deveria saber que não sabe e tem muito que aprender” . Só assim pode-se aprender alguma coisa. Aquele que pensa não saber nada e tem muito a aprender, pode aprender e ensinar muito, de forma consciente e prazerosa. Já aquele que pensa saber de tudo, também aprende e ensina alguma coisa, mas engana-se muito, torna-se arrogante e muitas vezes não “sabe nada”!
O importante é entender que todos os indivíduos, mais instruídos ou não, aprendem e ensinam mutuamente. A diferença é que cada um tem suas competências e habilidades individuais e específicas para cada função. Cada sujeito se prepara para realizar atividades conforme suas necessidades, estímulos e oportunidades. Nem sempre um sujeito é professor, médico, advogado, indigente, sem-terra ou ladrão, por opção. Muitas vezes o estímulo contribui. Algumas vezes a oportunidade – ou a falta de oportunidade – colabora ou atrapalha. Como diz o ditado: “Cada macaco no seu galho”.
A sociedade tem responsabilidade na construção do sujeito e na sua formação, assim como o sujeito tem responsabilidades na edificação de uma sociedade mais justa . Sujeito e sociedade se constroem reciprocamente e complementam-se mutuamente. A construção do sujeito é um processo histórico. Cada sujeito é fruto de sua História. Porém, a sociedade e a história são criações do homem e só existem na mente humana.
Portanto, cabe a cada um de nós o compromisso, enquanto indivíduos, sujeitos, protagonistas e sócios da sociedade, a responsabilidade de educar e incluir cada indivíduo nessa sociedade idealizada “platonicamente” e praticada “maquiavelicamente”.
Afinal, “quando o povo está informado e pode discutir, tem vontade própria e, assim, pode, cedo ou tarde, controlar as instituições da sociedade” .
Desta forma, descentralizamos o ensino institucional, assumindo o gerenciamento, a administração e a responsabilidade pela educação da sociedade, sem abrir mão e exigindo com mais freqüência, vigor e eficácia a responsabilidade do Estado em manter, patrocinar e investir na formação de professores, construção de escolas, investimento em instrumentos e materiais escolares entre outros recursos necessários a uma educação institucional com qualidade.
Se cada sujeito, letrado ou iletrado, pode ensinar e aprender, então somos todos professores e alunos. É isso mesmo, você é mestre e discípulo ao mesmo tempo.
Quando ensinamos ou seduzimos alguém a aprender, somos mestres, ou melhor, professores. Quando aprendemos ou somos seduzidos por alguém para aprender, neste momento somos discípulos, ou alunos, se preferir.
A relação ensinar-aprender - independente da Educação enquanto instituição - pode, deve e é exercida em qualquer lugar por qualquer membro da sociedade, letrado ou iletrado. Principalmente pelos pais.
Esta função não-institucional é exercício de cidadania e democracia. Isso não prejudica, não deprecia e não desqualifica a educação institucional exercida pelos profissionais da educação – os educadores - dentro ou fora da unidade escolar. Pelo contrário, é uma aliança positiva, necessária e complementar para a construção e manutenção da sociedade e formação dos cidadãos.
O professor - profissional habilitado para lecionar com formação superior e específica para o magistério - não precisa se preocupar com outros profissionais ou cidadãos que querem ajudar.
Quanto mais pessoas bem intencionadas somarem esforços para contribuir com a educação, melhor para a unidade escolar e muito melhor para a comunidade. Toda contribuição deve ser bem vinda e aceita. Quem ganha é a sociedade.
Todo cidadão ciente de sua missão, comprometido com a educação direta ou indiretamente, interessado em promover uma educação voltada para a construção de uma sociedade justa, livre e democrática, sem alienação, opressão e desigualdade social é um “Professor da Alegria”.
Afinal, uma sociedade saudável tem que ser feliz e para existir felicidade tem que vigorar a justiça, a verdade, a liberdade, a auto-estima e o bem-estar. Os professores da alegria não têm identificação - no sentido pejorativo, rótulo, estampa, crachá, etiqueta, marca - mas têm identidade. São todos os sujeitos que participam ativamente para libertar a sociedade da corrupção e desigualdade social proporcionando alegria por onde passam ensinando cada indivíduo – na sala de aula, na rua, na calçada, na praça - a trabalhar em função da comunidade, construindo o espaço democrático.
Os professores da alegria ministram suas aulas na sala de aula ou fora dela, proporcionando alegria, instigando a fome e a sede por justiça, despertando em seus discípulos a consciência e a necessidade de reivindicarem seus direitos e lutarem pela libertação da Educação. Com ética e sabedoria.
Professor: artista da educação
Um profissional que promove o desenvolvimento da capacidade intelectual, moral, espiritual e física de alguém, profissional com formação específica, habilitado para ministrar “educação” em instituição pública ou particular, capaz de transformar a sociedade e o mundo, com suas atitudes e exemplos, responsável pela formação e transformação de indivíduos em cidadãos-protagonistas, é sem sombra de dúvida o PROFESSOR.
O professor é o artista da educação. Utiliza-se da arte, de “sua arte”, a fim de atrair, conquistar, iludir, seduzir e libertar seu discípulo, pois “A ARTE E A EDUCAÇÃO LIBERTAM”!
Sua arte é singular. Sua habilidade, dedicação, fé, ternura e sensibilidade constroem esta obra de arte de valor incalculável chamada EDUCAÇÃO.
É o artesão que depois dos pais, molda, modela e lapida a personalidade, a índole, o caráter, a ética e o humor de cada sujeito, visando o bem comum. É quem faz a alegria na sala de aula, mesmo quando está triste, tornando cada aula mais atraente, saborosa e significativa. Transformando a sala de aula num ambiente mágico, único e especial.
Porém, nem sempre é possível estabelecer um relacionamento harmonioso, pacífico e agradável. Muitas vezes as diferenças existentes geram conflitos e situações constrangedoras. Isso tudo é fruto da evolução da sociedade, da mudança de valores, dos conflitos de gerações e dos padrões de vida da humanidade.
Este mago, capaz de hipnotizar platéias e controlar mentes, tem o poder em suas mãos. Basta um piscar de olhos ou um estalar de dedos para que tudo se transforme.
Bruxo, feiticeiro ou mago. Nada disso ou tudo isso. É simplesmente um professor. Seu poder está nas palavras, vem das profundezas de seu interior, da pureza da alma, da fé na Educação, de sua maneira de ser e estar.
É o profeta que prevê o futuro e guia seu “povo” para longe do cativeiro a caminho da “terra prometida”, em busca de paz, esperança, liberdade e melhores condições de vida.
Operário em construção da mais nobre obra: a EDUCAÇÃO. Incansável em sua tarefa diária e eterna. Otimista e esperançoso, pois sonha acordado com a construção da “escola dos nossos sonhos” e de uma sociedade melhor, através da educação.
No palco da vida, é o artista mais completo. No picadeiro da educação é palhaço e apresentador, proporcionando alegria ao público, que na maioria das vezes não ri da piada, não aplaude o espetáculo e vai embora sem entender e sem reconhecer o trabalho do artista popular.
Na corda bamba equilibra-se com seu salário, saltando de sala em sala no trapézio do magistério, demonstrando reflexo, agilidade e habilidade com acrobacias pedagógicas ousadas e exuberantes e malabarismos educacionais rápidos e precisos.
Para encantar o público com “truques” e “ilusões”, o professor sempre tem uma carta na manga ou um coelho em sua cartola.
Desconhecido e anônimo, o professor chora sem que ninguém perceba suas lágrimas intelectualizadas e incompreendidas.
Valente guerreiro, nunca desiste. Arregaça as mangas. Levanta a guarda. Desembainha a caneta. Respira fundo e vai à luta na batalha contra os vilões da educação: analfabetismo, ignorância, malformação profissional, preconceito, intolerância, corrupção, mesquinharia, mediocridade, hipocrisia, mentiras, demagogia, descaso, autoritarismo, politicagem, centralização do poder, má distribuição de renda, desigualdade social, salário baixo e defasado. Ufa! A lista é enorme. Mas o destemido professor está novamente em pé para combater os inimigos e superar as dificuldades da educação.
O professor é o profissional que, depois de longos anos de magistério, ao encontrar um ex-aluno e eterno discípulo, recebe um abraço caloroso de agradecimento por toda sua dedicação. É como um bom vinho, “quanto mais velho melhor”, fica mais saboroso.
Dizem que os professores não “reencarnam”! Vivem a vida terrena e mortal uma única vez. Quando morrem vão direto para o “paraíso”, lecionar para outros “anjos”.
Morre o mestre, fica o mito, perpetuado por sua obra.
Assim, o professor torna-se eterno.
Pelo mérito de missão tão nobre.
Que assim seja!
Relação Professor-Aluno
Não pretendo ensinar ao professor a arte de educar. Não existe fórmula ou receita de como se deve atuar em sala de aula. Muito menos regras autoritárias impostas pelo despotismo pedagógico de quem nunca pisou numa sala de aula. Existe ética e bom senso quanto à postura do professor em seu ofício de mestre.
Trata-se de uma reflexão sobre o papel do professor, seu objetivo e sua relação com os alunos no dia-a-dia da sala de aula e fora dela.
O processo ensino-aprendizagem exige do educador um envolvimento com o educando de forma que o ato de ensinar e o ato de aprender tenham em vista a produção – não só a reprodução - transmissão e a assimilação de conhecimentos para alcançar a plenitude do processo. Trata-se do compromisso e da responsabilidade do educador em proporcionar a oportunidade para que o educando por vontade própria se comprometa com a assimilação do conhecimento proposto. Neste caso, não importa a quantidade, mas a qualidade. Não adianta a transmissão de conhecimentos – informações – se não forem assimilados pelos educandos – receptores. É preferível que o professor transmita menos “informações” e certifique-se que o educando assimilou-as, entendeu o objetivo do processo de sua aprendizagem.
O professor deve servir de exemplo, sem preocupar-se com excesso de perfeição. Professor não é “super-herói”.
Não deve fragmentar o conhecimento, transformando-o em disciplinas e conteúdos vazios, inúteis e sem sentido. Deve ter visão holística ao transmiti-lo aos educandos. Mostrando as relações com o mundo e sua importância no contexto de sua existência, de seu cotidiano. Provocando a reflexão e a conscientização do educando sobre sua responsabilidade na sociedade.
Portanto, o professor tem de planejar sua aula considerando as etapas de desenvolvimento do educando. Respeitando a individualidade, limites e dificuldades de cada aluno. Conhecendo o contexto social do aluno e da comunidade onde vive. Muitos freqüentam a escola somente por causa da merenda. Outros estão na escola para poderem participar de projetos esportivos e sociais do bairro onde moram. Alguns só vão à escola por falta de opção. É preciso conquistar a confiança desse indivíduo propondo a ele a reflexão sobre sua existência e cobrando sua participação na transformação e construção da sociedade.
Ao planejar, o professor não precisa elaborar um tipo de aula para cada aluno, pode planejar a mesma aula para todos. A maneira de avaliar é que precisa ser diferenciada, assim como os resultados serão, conforme o desenvolvimento de cada educando. Esperar encontrar uma sala com alunos “perfeitos”, sem dificuldades de aprendizagem, disciplinados e comportados, é pura ilusão. Não existe aluno “ideal”, nossos educandos são reais.
É importante ouvir o aluno, para entender suas dificuldades e conhecer suas opiniões – isso faz parte do processo de avaliação - não apenas transmitir informações. Deve-se gerar um diálogo e não apenas um monólogo. Pois o professor não é a única fonte de conhecimento existente, é uma delas, e vetor de outras fontes, porém o aluno pode buscar informações em outros lugares. Nesse caso o professor torna-se orientador e responsável pela assimilação das informações ajudando o aluno a trabalhar com as informações recebidas. Tomás de Aquino afirmava que o conhecimento é construído pelo estudante e não simplesmente transmitido pelo professor. Portanto a troca de informações deve ser recíproca, prazerosa e bem-humorada.
Uma interação satisfatória no aspecto cognoscitivo precisa considerar o conhecimento do educador sobre as dificuldades e a fase de desenvolvimento dos educandos, pois um verdadeiro professor não desanima diante das dificuldades. Tem de superá-las quebrando as barreiras que distanciam o professor do aluno, a transmissão da assimilação. Também é preciso ter boa comunicação, ou seja, expressar-se bem, ser “claro e objetivo”. Nem sempre nossa comunicação é compreendida e às vezes é até distorcida. Muitas vezes nossa comunicação não clara. Quantas vezes ao corrigir uma avaliação nos surpreendemos com o resultado e nos espantamos com as respostas. Como exemplo da importância de uma boa comunicação sempre uso este texto, de autoria desconhecida: O Presidente de uma grande empresa comunicou a seu Gerente que na próxima sexta-feira, aproximadamente às 17 horas, o cometa Halley estará nesta área. Trata-se de um evento que ocorre somente a cada 78 anos. Assim, por favor, reúnam os funcionários no pátio da fábrica, todos usando capacete de segurança, quando, disse o presidente, explicarei o fenômeno a eles. Se estiver chovendo, não poderemos ver o raro espetáculo a olho nu, sendo assim, todos deverão se dirigir ao refeitório, onde será exibido um filme-documentário sobre o cometa Halley. O Gerente anotou o comunicado e informou ao Supervisor da empresa que por ordem do Presidente, na sexta-feira, às 17 horas, o cometa Halley vai aparecer sobre a fábrica. Se chover, por favor, reúnam os funcionários, todos de capacete de segurança e os encaminhem ao refeitório, onde o raro fenômeno terá lugar, o que acontece a cada 78 anos a olho nu. Imediatamente o Supervisor chamou o Chefe de Produção e comunicou-lhe que a convite do querido Presidente, o cientista Halley, 78 anos, vai aparecer nu no refeitório da fábrica usando capacete, pois vai ser apresentado um filme sobre o problema da segurança na chuva. O Presidente levará a demonstração para o pátio da fábrica, às 17 horas. O Chefe de Produção obedientemente correu para avisar o Mestre que na sexta-feira, às 17 horas, o Presidente, pela primeira vez em 78 anos, vai aparecer no refeitório da fábrica para filmar o Halley nu, um cientista famoso e sua equipe. Todo mundo deve estar lá de capacete, pois vai ser apresentado um show sobre a segurança na chuva. O Presidente levará a banda para o pátio da fábrica. O mestre, utilizando o sistema de som da fábrica, pegou o microfone e informou os funcionários que todo mundo nu, sem exceção, deve estar com os seguranças no pátio da fábrica na próxima sexta-feira, às 17 horas, pois o manda-chuva (o Presidente) e o Sr. Halley, guitarrista famoso, estarão lá para mostrar o raro filme Dançando na chuva. Caso comece a chover mesmo, é para ir para o refeitório de capacete na mesma hora. O show será lá, o que ocorre a cada 78 anos. Os Funcionários, obedientes, deixaram no mural da empresa o seguinte recado: AVISO PARA TODOS: Na sexta-feira o Chefe vai fazer 78 anos e liberou geral!
O mesmo ocorre numa escola e dentro da sala de aula quando o professor dá um recado ou explica o conteúdo e os alunos distorcem tudo. Por isso o professor tem de ter boa comunicação.
Também é preciso um bom plano de aula, clareza nos objetivos, bom humor, esclarecimento para os alunos do que se espera alcançar de cada atividade proposta e principalmente disciplina e limites na sala de aula para que os educandos tenham parâmetros e aprendam a respeitar os direitos alheios.
Porém, é importante ter consciência do papel do professor.
Professor não é pai, não é mãe e não é tio. Enfim, professor não é parente. É preciso distinguir o papel do educador a fim de evitar envolvimento emocional que não lhe diz respeito. A função do educador é a de orientar seu educando respeitando e considerando suas limitações intelectuais, físicas, mentais e sócioculturais.
O professor precisa dar afeto, mas para isso precisa ter afeto – ninguém dá o que não tem - receber afeto, viver afeto.
Se você tem um relógio, pode dar a quem quiser, porque é seu. Você pode dar seu carro a quem quiser, porque você o tem. Assim é com o Amor. Você só poderá amar alguém se tiver amor por você. Não se dá o que não tem. Somente podemos dar aquilo que temos. Portanto, o professor só pode dar e ter afeto por seus alunos se tiver afeto por si mesmo e recebê-lo também.
Esta é uma troca recíproca realizada entre professor-aluno, importante no processo ensino-aprendizagem.
Professor não é super-herói nem mesmo infalível. É um ser humano sujeito a falhas e deve ter esta consciência para seu próprio bem e para o bem comum de seus alunos.
Na sala de aula, o professor, é uma autoridade e deve agir e ser respeitado como tal. Para tanto, não deve confundir sua postura de autoridade com uma postura autoritária, o que muitas vezes desencadeia numa rebeldia ainda maior dos alunos.
O professor deve exercer sua autoridade dosando severidade, rigor, serenidade, equilíbrio e respeito e ao mesmo tempo desenvolver e respeitar a autonomia, a liberdade de expressão dos alunos lembrando sempre que está formando cidadãos e não adestrando animais. Deve preparar cada aluno para a liberdade. O ato de educar deve ser um ato de libertar, nunca alienar.
Portanto, é fundamental que o professor saiba dialogar, falar e ouvir. Também é importante que o professor seja humilde e admita quando não souber ou não for capaz de solucionar um problema, buscando ajuda de pessoas e profissionais competentes e preparadas para a questão em destaque.
A relação professor-aluno é uma interação, uma troca de experiências que envolvem conhecimentos por parte do professor sobre cada fase de desenvolvimento do aluno. O professor interage com cada aluno, e para isso deve entendê-lo para que possa ajudá-lo. Se o estudante não aceitar a ajuda, não adianta o professor insistir, é inútil.
O professor deve conhecer claramente seu papel na sala de aula e sua importância na sociedade. Deve ter consciência de seus objetivos e dos resultados esperados de cada aluno. Os resultados devem estar de acordo com a fase de desenvolvimento do aluno da qual o professor deve ter conhecimento para não exigir do educando um resultado que está além de suas possibilidades. Não adianta exigir que o aluno se prepare para um vestibular se este não tem intenções de cursar uma faculdade. Primeiro, é preciso saber quais são seus planos, depois despertar o interesse por uma faculdade, se for o caso. “Quando alguém quiser converter o outro à própria opinião, precisa se aproximar dele, tomá-lo pela mão e guiá-lo” .
Cada indivíduo é singular não existindo outro igual – felizmente - portanto, é impossível homogeneizar o conhecimento e os alunos. Por isso, “as tentativas de uniformização dos alunos – no aspecto cultural – fracassaram”.
O professor não deve e não pode esperar formar ou criar super-heróis, deuses, santos, gênios, humanos “perfeitos” ou máquinas. O professor deve ter consciência de que precisa formar apenas seres humanos capazes de pensar, sonhar e realizar seus sonhos, criar e construir um mundo melhor, rumo à civilidade.
Piaget x Pinochet
A disciplina na classe
Esta é uma das queixas mais freqüentes dos educadores: DISCIPLINA dos alunos.
É por esse motivo que muitos professores se afastam da sala de aula tirando licença-médica alegando estarem estressados por causa da indisciplina dos alunos, e com razão.
Se tivermos que acabar com os problemas, e a sala de aula é o problema, então… “Boomm”!
Mas as coisas não funcionam assim, seria muito fácil isolar-se numa biblioteca, mosteiro ou numa montanha bem alta para refletir sobre a vida, sobre o mundo, sobre a educação. O difícil seria voltar para a sociedade, para a sala de aula, viver e conviver em grupo. Encarar as dificuldades profissionais e pessoais não é tarefa fácil. Enfrentar as divergências e contradições da sociedade e de uma sala de aula é uma empreitada que exige muita competência, tolerância e facilidade de adaptação e aceitação. Aceitar as limitações pessoais é libertar-se dos grilhões que alienam o indivíduo aos padrões preestabelecidos pela sociedade.
Não é fácil viver em grupo, é preciso habilidade, paciência, tolerância, flexibilidade, amor e muito bom humor.
“Se não podemos vencê-los, juntemo-nos a eles”. Se o problema é comum entre pais, professores e sociedade, então devemos unir nossas “forças”, interesses e “energias” para resolvermos o “problema” juntos. Não adianta agir isoladamente. Em casa os pais sofrem com filhos “rebeldes”, desobedientes e sem-limites. Na escola os professores penam com alunos indisciplinados, sem-limites e muito ativos. Na sociedade os cidadãos reclamam de jovens que não respeitam regras, sinais de trânsito, que usam drogas e são barulhentos e violentos. O problema é comum a todos nós: pais, professores e cidadãos.
Não podemos demonstrar fraqueza, pois os alunos que se tornam obstáculos para o trabalho docente e decente são líderes e ao perceberem nosso ponto fraco, assumirão de vez o poder naquela sala. Isso se repete em casa com os pais e na sociedade.
Quando nos mostramos incapazes e não chegamos aos resultados esperados, corremos o risco de ficarmos sem nosso trabalho.
Imagine se um dia todo o ensino público - escolas municipais e estaduais e universidades estaduais e federais - for privatizado. Quantos profissionais da educação continuariam no emprego por competência e capacidade? Talvez todos. Talvez nenhum. Quem sabe, alguns.
Há dois tipos de educadores: os que são de fato e os que estão apenas ocupando espaço. O primeiro tipo trabalha em qualquer escola, em qualquer setor da educação. Já o segundo tipo estraga e atrapalha a qualidade da educação.
Para Chalita o problema não é a sala, ou seja, os alunos, mas o professor que não consegue relacionar-se com o grupo. Faltam-lhe instrumentos ou conhecimentos suficientes para manter a harmonia e conquistar a sala considerada problema.
É duro admitir, mas a verdade é que parte dessa “indisciplina” é conseqüência da falta de planejamento do professor ou, muitas vezes, falta de domínio do conteúdo apresentado aos alunos. Mas isso só ocorre com os professores que apenas ocupam espaço, os do segundo tipo. Não é justo classificar todos os professores igualando-os por baixo, quando existem excelentes professores, aqueles que fazem a diferença nas escolas. Há excelentes professores que sofrem com a indisciplina de educandos que desconhecem limites e regras.
Numa escola trabalham vários profissionais da educação. Na sala de aula, entram e saem vários professores por dia. Os estudantes se relacionam e convivem com muitos indivíduos diariamente ao longo de suas vidas. Portanto, é problema da sociedade, ou seja, cada cidadão-societário.
É muito fácil culpar, acusar, julgar. Como disse, o professor tem apenas uma parcela de responsabilidade quanto à disciplina na sala de aula.
Outras parcelas cabem a diretores, supervisores, secretários, ministros, presidente da República, pais e a sociedade em geral.
A falta de planejamento começa no mais alto escalão da sociedade. Planejamentos que privilegiam a classe dominante do país existem. Mas projetos voltados ao educando enquanto indivíduo e sujeito, voltados às famílias e a sociedade são raros se é que existe algum projeto sério. No papel existem muitos projetos com verbas destinadas a suas realizações. Na prática poucos projetos são eficazes, mas o desperdício e o desvio de dinheiro público arrombam os cofres públicos e assaltam os bolsos dos cidadãos. Começa aí a falta de ética e de limites.
É muito fácil ficar atrás de uma mesa cheia de papéis, relatórios, planilhas, estatísticas, “exilado” em um gabinete dentro de uma repartição governamental interpretando gráficos e cálculos e simplesmente apontar que a indisciplina na sala de aula é culpa dos professores. Os professores têm parte da culpa pela indisciplina, mas é uma parcela pequena. A maior parcela cabe aos pais que raras vezes têm tempo para seus filhos. Quando não estão ocupados com tarefas mais importantes – trabalho, reuniões, etc. – estão distraídos com novelas, futebol, noticiários, internet, entre outros entretenimentos. E os filhos? Que filhos? Ah! Sim, os filhos. Quando sobrar um tempinho, talvez pais e filhos possam conversar.
Cada cidadão tem uma parcela de responsabilidade. Cada família deve responsabilizar-se por seu filho. Principalmente os pais que são os primeiros e mais importantes educadores dos filhos.
Algumas crianças já chegam à escola sem limites ignorando a existência de regras. O resultado é a indisciplina dos alunos. Conseqüência da falta de planejamento familiar. Os pais também devem arquitetar e estruturar um relacionamento saudável, responsável e comprometido com os filhos para que estes aprendam, através do espelhamento familiar, boa conduta, respeito e limites. Limites e regras servem para proteger a sociedade de uma desordem.
Que professor nunca “perdeu a cabeça” com um aluno ou uma sala inteira? Todo educador passa ou já passou por situações difíceis e constrangedoras dentro de uma sala de aula. Precisamos aprender a contorná-las.
Só quem pisa no chão da escola, dentro de uma sala de aula, pode dizer o que realmente acontece entre as quatro paredes, o piso e o teto da sala na relação entre professor-aluno. Quem nunca pisou no chão da escola, não faz idéia do universo educacional existente em cada sala de aula.
São tantas metodologias, correntes e teorias educacionais, muitas delas formuladas por “profissionais, pesquisadores e especialistas” que nunca pisaram numa sala de aula de ensino fundamental e médio de uma escola pública onde boa parte dos educandos são vítimas de um sistema político e econômico administrado por uma elite dominante preocupada apenas com lucros crescentes, cargos bem remunerados para seus parentes e discursos ideológicos demagógicos.
Na sala de aula, sem saber que atitude tomar, o professor oscila de um extremo a outro.
Enquanto alguns professores tentam aplicar teorias de Piaget, Vygotsky, Emilia Ferreiro, Paulo Freire, Cipriano Luckesi, muitas vezes sem resultado algum, outros inspirados por Pinochet, Saddam Hussein, Osama Bin Laden, George W. Bush, tentam impor a disciplina na sala a base de gritarias, ameaças, autoritarismo, despotismo e mau humor.
Os alunos percebendo o ponto fraco, o “calcanhar-de-aquiles” de cada professor “comportam-se” na aula do “Professor Pinochet” e derrubam a escola na aula do “Professor Piaget”.
O problema da indisciplina na sala de aula está além da sala de aula e aquém do papel do professor. É um problema social, portanto cabe a toda a sociedade comprometer-se e colaborar para que a indisciplina não seja mais um problema para a escola.
Enquanto a família, considerada a base da sociedade, não assume sua responsabilidade, pois existem pais que “abandonam” seus filhos numa escola e só aparecem para assinar a rematrícula, quando aparecem, e o restante da sociedade acomodada e conformada se diverte com a política do “pão e circo”, o professor tem de “acordar” e tomar uma atitude.
Não adianta esperar que a fada madrinha faça alguma coisa, é preciso agir, chamar os responsáveis e acionar as autoridades para que cumpram seus deveres com responsabilidade.
O educador tem de provar que é uma autoridade competente na sala de aula, para isso deve demonstrar respeito aos alunos, conhecimento do assunto abordado, dedicação profissional, senso de justiça, bom senso, boa conduta, postura política, ética, coragem e ousadia.
Tem de ter boa comunicação de modo que os alunos compreendam sua transmissão e ao mesmo tempo saber ouvir e ainda aproveitar as informações dos educandos para enriquecer a aula.
Para que uma aula seja bem sucedida, o professor precisa ter organização, um bom plano de aula, controle da aprendizagem, ética profissional bem clara para os alunos, estimulação que provoque a motivação dos alunos.
Enfim, o professor não precisa e não deve ser autoritário para manter a “disciplina” da sala de aula, isso provocaria uma rebeldia desenfreada dos alunos que acabariam descontando em outro professor ou até contra a escola. Porém, deve ser firme em suas decisões e rígido quanto a disciplina e limites na sala de aula. Pois, sem limites não há bom professor. Podem existir monitores. Porém, professores, só com limites.
Independentemente de nossa postura, temos conhecimento de metodologias e correntes das mais diversas, portanto, não podemos alegar ignorância perante tais informações recebidas, mas é necessário reconhecermos que não somos mais a única fonte de conhecimento, e sim uma das fontes, porém a mais importante, pois nós podemos transmitir calor humano, compreensão e respeito.
A proposta é provocar uma discussão que não pára aqui, mas que continue sempre a fim de melhorar a relação professor-aluno no processo ensino-aprendizagem e principalmente solucionar um dos problemas que atormentam pais e profissionais da educação: INDISCIPLINA.
Família na Escola
“As famílias devem ser encorajadas a representar um papel maior – não menor – na educação dos jovens. Os pais, dispostos a ensinar seus próprios filhos em casa devem ser ajudados pelas escolas, não considerados como anormais ou transgressores da lei. E os pais devem ter mais influência, não menos, nas escolas.”
A criança ao nascer não tem noção da diferença entre ela e o mundo externo, não tem o conhecimento de sua individualidade e por isso é centrada em si mesmo. Tudo que se passa ao seu redor é para ela, por ela e por causa dela.
Durante a evolução de sua relação com a mãe e com a família ou com quem desempenhe essa função, vai individualizando-se, adquirindo autonomia, criando então sua auto-imagem através do espelhamento.
Entendo por família o grupo de parentes, pessoas que possuem o mesmo “sangue” ou não e que vivem na mesma casa, particularmente pai, mãe e filhos. Atualmente, a responsabilidade pela educação da criança vai além da família, que muitas vezes não assume esse compromisso devidamente. Muitas crianças são “educadas”, ou seja, “criadas” pelos tios, avós, padrastos ou quem assume a responsabilidade pela tutela da mesma, até mesmo escolas onde as crianças ficam em período integral. Neste caso as crianças são criadas e educadas pelas escolas.
Dependendo de como ocorre essa relação, chamada de espelhamento, a criança construirá uma auto-imagem melhor ou pior e assim então desenvolverá a auto-estima e autoconfiança. “A auto-estima é a fonte interior da felicidade.”
Existem características do espelhamento, que poderão interferir para melhor ou pior nestes três pilares básicos de personalidade do indivíduo, repercutindo em seu modo de vida, em sua conduta e na saúde.
As pessoas portadoras de uma auto-imagem fiel, auto-estima e autoconfiança elevada, adaptam-se com mais facilidade à diferenças culturais e são mais resistentes aos mais diversos problemas encontrados ao longo da vida, como por exemplo, na adesão às drogas, aos problemas de relacionamentos e aos seus próprios conflitos internos, estando então melhor capacitadas para fazer escolhas, enfrentar seus conflitos e sociabilizar-se.
No caso de comportamento negativo dos pais, a situação vai se agravando. Cada uma dessas expressões significa coisas importantes e já iniciam na gestação um processo em que a criança espelha-se nos pais e vê o reflexo de sua imagem, fará com que tenha ou não auto-estima, auto-imagem e autoconfiança. Muitas vezes, os problemas ocorrem devido a vontade de homogeneidade dos pais, ao desejarem que seus filhos sejam iguais aos do vizinho, por exemplo. “Será melhor para o pai que o filho seja igual a ele. Pois se for igual ao vizinho, o problema será mais grave.”
Na verdade, as diferenças é que produzem mais. A energia elétrica é gerada através das diferenças (+ e -). Homem com homem não geram filhos, pois são iguais. Diferença não é inferioridade. Ao contrário do que pensam alguns pais.
Algumas crianças chegam à escola sem limites ignorando a existência de regras. O resultado é a indisciplina dos alunos.
Os pais devem iniciar em casa o processo ensino-aprendizagem, pois também são professores, educadores e mestres de seus filhos. Os pais e as escolas compartilham a mesma empreitada de educar crianças e adolescentes.
A ausência de limites é imperdoável. Uma criança sem-limites não é livre nem feliz. Não aceita “perder”, não consegue relacionar-se saudavelmente com outras crianças e não admite receber um “NÃO” como resposta. Surge uma “rebeldia” desenfreada.
Cabe ao pai estabelecer limites. Cabe à mãe confirmá-los. A educação de um indivíduo começa logo ao nascer quando os pais disciplinam e condicionam a criança para “mamar, dormir, brincar, obedecer e respeitar regras”, entre outras atitudes adquiridas pela criança através do espelhamento com os pais. A criança aprende regras e limites logo ao nascer. Os pais também devem planejar a educação dos filhos através de um relacionamento saudável, honesto, responsável e comprometido para que estes aprendam através do espelhamento familiar boa conduta, respeito, ética e limites.
Enquanto a família, considerada a base da sociedade, não assume sua responsabilidade, por ignorância, comodismo, incompetência ou qualquer impossibilidade, a escola continuará recebendo crianças e adolescentes sem limites e “indisciplinadas” e a sociedade receberá um exército de indivíduos que não respeitam leis. Então, continuaremos ouvindo de alguns pais em reuniões de “pais e mestres”: “Não sei mais o que fazer. Meu filho não me ouve, não me obedece”.
Se um filho não tem respeito pelos pais, por quem terá? Pela polícia talvez!
Muitos pais reclamam que não têm tempo para seus filhos. Muitos, porém, conseguem tempo para curtir os amigos num bar bebendo cerveja ou jogando baralho. Outros encontram tempo para o futebol nos finais de semana. Na hora da novela, do futebol na televisão, do filme ou do telejornal, na “viagem” pela internet, ninguém quer ser interrompido. Para conversar com os filhos não existem cinco minutos do precioso tempo dos pais.
É hora de rever as obrigações do dia-a-dia e replanejar a “vida”.
“Não é só a escola, seja ela qual for, a educar, mas a vida inteira em sua plenitude” . Portanto a sociedade, a escola, o professor, a família e principalmente os pais têm obrigações e responsabilidades nesta empreitada que não é pequena nem fácil. Mas alguém precisa assumir e comprometer-se com a educação antes que esta também fique abandonada e sem “família”.
Papel da Escola
A nossa sociedade é tão livre e permissiva e as pessoas têm tantas opções, que não podem tomar suas próprias decisões eficazmente. Elas querem que outras tomem a decisão e a seguirão.
O comodismo, a falta de idéias e sonhos, o individualismo, a pobreza, a fome, o desemprego, a submissão, a alienação e o não-pensar, transformam os indivíduos em súditos, que passam a ser escravos e logo se tornam “gado”.
Aquele que pensa é louco, porque questiona. Louco é aquele que pensa. É preciso interrogar a realidade, assim como interrogar-nos sobre a realidade. “A realidade é mais complexa do que imaginamos”.
Não podemos cair na besteira de não pensar, de não interrogar a realidade. Precisamos ser educadores cidadãos-protagonistas para formarmos educandos cidadãos-protagonistas. Temos de formar o sujeito. Aquele que não é objeto, que não é coisa, que não é súdito, que se relaciona com autonomia, que não se deixa manipular ingenuamente, que é protagonista de sua própria história. Que não se acomoda, mas que se incomoda com a injustiça e incomoda os malfeitores. Esse é o papel da escola: instruir, formar, provocar, instigar, incomodar, transformar, libertar o sujeito de sua própria ignorância política, econômica, social e cultural.
Somos educadores, cidadãos, sujeitos, protagonistas e transformadores da sociedade em construção. Somos “formadores” de cidadãos não de súditos. Somos libertadores, não alienadores.
Em aproximadamente 500 anos de Brasil que não são 500 anos de Brasil, mas de colonizadores, de colonização, de ocupação, considerando a partir da chegada oficial do português-colonizador ao Brasil em 1500, data oficializada pelos portugueses por conveniência e interesses, devemos questioná-la como cidadãos, antes de aceitá-la como súditos.
Destes 500 anos, 400 foram de escravidão… Acabou? A “independência política” foi declarada em 1822, mas a escravidão, a submissão e a dependência econômica continuaram existindo. A República só foi implantada em 1889. O processo democrático brasileiro só foi realmente estabelecido a partir de 1985, com o fim da Ditadura Militar. O processo eleitoral direto e democrático no Brasil, que reuniu grande número de eleitores para eleger um presidente da República após o fim da Ditadura Militar, só acorreu em 1988, com a vitória de um presidente “caçador de marajás” que assumiu em 1989. Que decepção! Quanto tempo de povo, de democracia, de cidadania, de consciência política o Brasil tem?
Qual o sentido de ser? Qual a identidade do Brasil? Qual a identidade do professor? Qual a identidade e o papel da escola? Qual a identidade da sociedade? Qual a identidade da família? Qual a identidade do educando?
É preciso pensar. Pensar para interrogar. Interrogar para buscar uma resposta. Ou se tem uma boa escola da base para cima, ou não teremos cidadãos, mas sim colonizados. E estaremos comemorando e perpetuando 500 anos de colonização, submissão e escravidão.
O mal da educação é estar voltada ao mercado de trabalho, introjetando nas cabeças “inocentes” dos educandos que é preciso estudar para se conseguir um bom trabalho… trabalho… trabalho… e trabalho… Será que quando todos os jovens possuírem diplomas e certificados de todos os cursos exigidos pelas empresas, pelo mercado de trabalho, haverá emprego para todos? Se todos os habitantes do planeta - mais de seis bilhões de seres humanos - se adequarem às exigências do mercado de trabalho, todos, sem exceções, terão trabalho e emprego garantidos? E o vestibular. Será que todos os alunos de escolas públicas e particulares aptos para prestarem o vestibular terão suas vagas garantidas nas universidades estaduais e federais se passarem nos exames? Certamente não. Com isso, manipulamos, robotizamos, alienamos, castramos sonhos, nos enganamos, enganamos e bestializamos os educandos transformando-os em indivíduos cada vez mais individualizados, competindo entre si num mercado de trabalho capitalizado e elitista. Os indivíduos tornam-se súditos de um sistema manipulado por uma minoria dominante que detém o poder e os meios de produção. Preparamos a mão-de-obra para o mercado de trabalho.
E o sonho de formar cidadãos críticos, conscientes e livres. Utopia? É o que falta para muitos educadores e humanos. Utopia, ideal e ética. Para transformar a escola num espaço onde se produza conhecimento e se desenvolva a criatividade, sem a preocupação com a reprodução do conhecimento para o mero condicionamento voltado ao mercado de trabalho e ao vestibular. Nessa escola, o professor é o provocador de “problemas” e “parteiro” que auxilia o educando para “dar a luz” ao conhecimento . Esta escola é a “Grande Maternidade” onde “nascem” os condutores desse conhecimento.
Como alcançar o sucesso sendo professor
Por que os grupos religiosos, seitas, etc., conseguem quase total dedicação e obediência de seus membros? Seu segredo é simples. Eles compreendem a necessidade para a comunidade, a estrutura e o significado. Pois essas coisas são o que todos os cultos mascateiam. É uma das coisas que faltam ao professor: compreender a necessidade para a comunidade escolar e social, a estrutura sóciopedagógica e sócioeconômica e o significado de educar para formar cidadãos e transformar a sociedade. Lembra-me uma história:
- Um ratinho estava dentro de sua toca querendo sair para pegar um pedaço de queijo que estava sendo vigiado por um gato. Cada vez que o ratinho tentava sair de sua toca para pegar o queijo, então o gato atacava-o com uma patada sem acertá-lo. Quando o gato desaparecia, o rato rapidamente saia de sua toca e novamente era surpreendido pelo gato que surgia de repente do nada. Até que um som chamou a atenção do ratinho. Alguns latidos distantes. – “Au! Au! Au!…” Era um cachorro presumiu o ratinho. – “Au! Au! Au!…” O gato tinha desaparecido e desta vez seria a chance do ratinho que pensou: “Com um cachorro por perto, o gato não será tolo de se aproximar”. Então o ratinho saiu de sua toca, aproximou-se do queijo e quando ia dar o bote… foi agarrado pelo gato.
- Ué, seu gato! - exclamou o ratinho. Você não fugiu do cachorro?
- Que cachorro? - perguntou o gato.
- O cachorro que estava latindo lá fora.
- Ora, não existe cachorro nenhum.
- Como não? eu ouvi latidos de cachorro lá fora.
- Era eu…
- Ora, e desde quando gato sabe latir?…
- Meu caro ratinho, em tempos de “GLOBALIZAÇÃO”, quem não souber duas línguas está perdido…
Significa dizer que é preciso que o professor esteja sempre atualizado e acompanhe o desenvolvimento humano e tecnológico para que seus métodos não se tornem arcaicos, ultrapassados e impraticáveis. Se uma metodologia não funciona é preciso mudar de estratégia. Porém as mudanças estão acontecendo rápidas demais o que de certa forma torna-se perigoso para o desenvolvimento do ser humano.
Esse fenômeno de transformação deve ser desacelerado, pois, não é a mudança em si, mas a aceleração, a rapidez dos acontecimentos que provocam tantas confusões. As mudanças estruturais entram em crises por causa dessa aceleração.
O sentido de ser é substituído pelo sentido de ter. A globalização econômica abastecida pelo desenvolvimento capitalista tenta globalizar a cultura no planeta, provocando uma aculturação global. Essa globalização aculturada injeta na cabeça da população mundial uma falsa ideologia de vida e consumo, distorcendo os conceitos e valores tradicionais, impondo uma nova cultura dominante, enlatando idéias, criando em cada ser humano uma aversão ou esquecimento da própria raiz, de sua própria cultura, “desumanizando”, robotizando, coisificando e alienando o humano.
Os padrões tradicionais mudam, e o problema está na distorção desses padrões que passam a ser mal interpretados e mal-assimilados. Não sou contra a utilização de equipamentos modernos como televisão, rádio, computador, internet para uma aula. Isso enriquece muito o trabalho docente se souber aproveitar e usufruir dos recursos tecnológicos sem exagero, com moderação. Com cuidado para não valorizar mais a máquina e desvalorizar o ser humano. O problema está na aversão que alguns professores têm em utilizar tais máquinas e recursos existentes por não aceitarem mudanças e transformações, por simplesmente não admitirem que seus métodos e técnicas sejam arcaicos e devem ser atualizados, o que desestimula o educando que desvia sua atenção para “coisas” mais atraentes. Portanto, é preciso aprimorar, aperfeiçoar a técnica de ensinar e aprender a utilizar os recursos disponíveis. O professor precisa aprender a utilizar os benefícios das máquinas. Consciente de que esses recursos devem servir de apoio ao docente, não substituí-lo como querem ou pensam alguns. Com máquinas ou sem máquinas, o professor deve “sacar” sua importância e valor e aperfeiçoar seus métodos, atualizando suas técnicas. Criando seu estilo. “Falando” o idioma do aluno. Os educandos aprendem com rapidez e facilidade quando querem aprender. É preciso aprender seu idioma. Assim como o gato que aprendeu a latir para enganar e atrair sua presa, o professor necessita falar na linguagem do educando para atraí-lo e estimulá-lo a aprender. Principalmente entre os adolescentes. A comunicação utiliza uma linguagem “tribal”. O professor não precisa aderir ao “movimento”, mas precisa conhecer o “dialeto local”.
Enfim, a globalização cultural é impossível, mas essa aculturação provocada pela globalização econômica é inevitável. Surge a idéia e a sensação de que tudo é descartável, até os seres humanos. “Usou, joga fora”! Se o casamento não der certo, separa-se. Se os pais estão velhos demais, “joga-os” num asilo, numa clínica de “repouso” ou na rua. Se o recém-nascido é um estorvo ou possui alguma deficiência, abandona-o no lixo, num lago. Se a criança ou o adolescente não têm limites, deixe que a escola resolva. Se o educando é um problema para a escola, livra-se dele. Se o sistema penitenciário não dá conta do problema, o que fazer? Não é tão fácil quanto parece. Nem tudo é descartável, muito menos os seres humanos.
A questão da valorização do ser humano deve ser considerada, pois nossa sociedade valoriza muito a máquina, a técnica, o diploma e se esquece do ser humano, do ser social, do sujeito, do cidadão.
É preciso fazer uso de tal tecnologia e que essas máquinas sejam utilizadas para beneficiar o homem. A máquina deve servir a humanidade e não o contrário. O sujeito não deve ser escravizado ou substituído pela máquina como vem ocorrendo na maioria das empresas impulsionadas pela acumulação de lucros cada vez maiores. É preciso aprender a usufruir dos benefícios que a tecnologia pode proporcionar à humanidade e partilhá-las.
Se a máquina, a televisão, o computador, a internet, o livro didático fossem suficientes por si só, o Brasil já teria a melhor educação do mundo, pois o Governo Federal gasta no Brasil muito dinheiro por ano em livros didáticos e computadores para equipar as escolas públicas. Isso não basta. O professor é insubstituível, mas precisa rever as técnicas de ensino e utilizar o material disponível.
Toda essa aceleração dos fatos e acontecimentos provoca mudanças rápidas num curto prazo de tempo, alterando os conceitos, valores e padrões da sociedade, criando uma nova noção, a noção do efêmero, do descartável, de que tudo que se usa é descartável, só se usa uma vez e joga-se fora, quando o mundo de hoje precisa de uma noção reciclada que crie a noção de reciclagem, de reaproveitamento das coisas que podem ser reaproveitadas. Inclusive os seres humanos.
Este é um desafio para o professor. Resgatar o valor do ser humano no âmago de cada sujeito despertando-o para sua existência e importância no planeta e no universo. Provocando o aluno a pensar e criar. Nunca deixar de pensar e criar para que seu cérebro e sua criatividade não atrofiem. Desabrochar em cada discípulo o sentimento de responsabilidade, obrigação e compromisso com a transformação da sociedade e construção de um futuro melhor. Estimular e motivar o educando para que viva a plenitude da solidariedade, da fraternidade, da liberdade, da justiça e principalmente da ética, do amor e do bom humor.
Quando o professor conseguir realizar esse objetivo alcançará o sucesso como PROFESSOR. Missão cumprida!
Educação: chave para a mudança
A Educação é a chave para a mudança. Somente a Educação realizada com compromisso, responsabilidade, verdade, ética, amor e bom humor pode revolucionar a sociedade, portanto, o indivíduo. Somente uma Educação empenhada em praticar e ensinar com compromisso, responsabilidade, verdade, ética, amor e bom humor é capaz de transformar o indivíduo e formar cidadãos.
Para isso, faz-se necessário que a instituição chamada “EDUCAÇÃO” desempenhe sua verdadeira função social: formar CIDADÃOS CRÍTICOS, CONSCIENTES E LIVRES! De preferência BEM-HUMORADOS.
Enquanto isso não acontecer, continuaremos presenciando e vivenciando uma sociedade cada vez mais doentia, desestruturada, alienada, miserável, escravizada e “mal-humorada”.
Uma instituição – no caso da rede pública de ensino - construída para formar sujeitos pensantes está apenas fazendo o jogo de uma minoria elitizada lançando na sociedade indivíduos robotizados e condicionados ao trabalho apenas. Esta é uma contradição. A escola – estabelecimento que desenvolve a educação - que formaria ou deveria formar indivíduos com pensamento autônomo, visando ao bem comum, “contenta-se” apenas com a informação e o adestramento de indivíduos cada vez mais individualizados e programados que visam apenas a interesses pessoais.
Um dos principais problemas da nossa sociedade é o individualismo. E o que tem feito a educação pela formação societária e pela cidadania? Ela parece estar voltada muito mais para a reprodução do individualismo, hierarquizando a força de trabalho, do que propriamente educar para uma vida comunitária, solidária. A educação tem-se centrado em seu papel de preservação da sociedade e seu potencial transformador tem sido quase sempre ignorado.
O educador tem a chance de repensar a educação. O educador, ao repensar a educação, repensa também a sociedade, a história. O ato educativo é essencialmente político. O papel do professor é um papel político.
Então como conciliar o indivíduo, a sociedade e a Educação?
Atendendo as necessidades da sociedade. Mas quais são as necessidades da sociedade? Eis a questão. Estamos tapando o sol com a peneira. Precisamos formar o sujeito enquanto indivíduo. Cidadãos capazes de pensar, portanto, capazes de solucionar problemas. Que vejam na Educação a chave para abrir muitas portas. Infelizmente, o educando atualmente vê a Educação sem nenhum estímulo, pois esta não lhe oferece oportunidades, ao contrário, castra seus sonhos.
Há uma pedagogia que reforça o silêncio em que se acham as massas oprimidas e uma pedagogia que tenta dar-lhes a palavra.
A Educação não atende as aspirações da sociedade, pois não aceita a forma de pensar do indivíduo, ao contrário, quer impor sua própria forma de pensar, forma que já vem enlatada pela elite dirigente do país.
Portanto, fazemos uma pedagogia do oprimido ou fazemos uma pedagogia contra ele .
Não há Amor, compromisso, responsabilidade, verdade, ética e bom humor nessa educação disfarçada e dominada pela elite. Por isso, para atender as necessidades da sociedade, é preciso saber quais são suas necessidades e aspirações e então atendê-las. E quem melhor do que a sociedade, ou melhor, os societários para saber quais são suas necessidades?
É preciso descentralizar a administração do ensino institucional, assumindo o gerenciamento, a administração e a responsabilidade pela educação da sociedade, sem abrir mão e exigindo com mais freqüência, vigor e eficácia a responsabilidade do Estado de manter, patrocinar e investir na formação de professores, na construção de escolas, no investimento de instrumentos e materiais escolares entre outros recursos necessários a uma educação com qualidade. Cabe ao governo em parceria com as empresas privadas investir na Educação como prioridade nacional e mundial, com seriedade, responsabilidade e principalmente honestidade. À sociedade cabe fiscalizar, reivindicar e participar. Aos educadores resta administrar a educação, pois somente quem pisa no chão da escola sabe quais são suas prioridades e necessidades.
A Educação deve servir o homem e não escravizá-lo. Sua função é libertar a humanidade da ignorância e construir uma sociedade melhor. Para isso, tem de preparar o homem para ser criativo e capaz de solucionar problemas. De que adianta “enchê-lo” de informações se ele não souber o que fazer com elas?
A Educação também deve valorizar o ser humano e educá-lo para a cidadania. Para isso, é preciso assumir sua função social de realmente formar cidadãos críticos, conscientes e livres.
A pedagogia do diálogo, centrando o problema da educação na relação professor-aluno, desviou a atenção para um problema importante, mas não principal. O problema central continua sendo a relação da educação com a sociedade, essencial para entender a própria relação professor-aluno. O problema fundamental da educação do nosso tempo continua sendo a vinculação entre o ato educativo, o ato político e o ato produtivo .
Mas quem faz a Educação? Novamente o sujeito surge como personagem principal. A Educação é realizada por sujeitos, ou melhor, por GENTE. Gente que precisa de alimento, descanso, lazer, reconhecimento, estímulo, AMOR, bom humor e salário digno. Estou me referindo aos profissionais da Educação, especialmente o PROFESSOR, este gigante capaz de “MILAGRES” pelo que recebe como salário . Compare o salário de um professor com o salário de um vereador, de um deputado estadual e de um deputado federal.
Certo que existem muitos professores incapacitados que não fazem jus ao que recebem – há professores que só ocupam espaço - mas a culpa também não é deles. É NOSSA! Por aceitarmos que a Educação se transforme em balcão de negócios, cabide de empregos, mercadoria nas mãos de políticos que representam as oligarquias do país. Não é à toa que todo regime totalitário – ditadura – mantém o controle absoluto da educação. Todo político percebe que a educação é um dos pilares de uma nação. Controlar a formação do sujeito permite manipular toda a sociedade.
Não podemos generalizar. A maioria dos profissionais da educação é digna do cargo que ocupam, ao contrário do que alguns “especialistas” em educação dizem por aí. Acusam os professores pelo “fracasso” da Educação.
Se a Educação fracassou é porque a sociedade fracassou. E se a sociedade fracassou é porque a humanidade fracassou. Felizmente, isso não ocorreu.
Somente pessoas fracassadas vêem a Educação como uma instituição falida. A educação nunca fracassará. Porque existem pessoas que acreditam no seu sucesso. Porque existem muitos professores da alegria. Porque é um dos segmentos da sociedade que mais recebem investimentos, o problema é que a verba destinada para a educação é na maioria das vezes desviada para mãos erradas, ou pior, para bolsos errados .
Há escolas que investem no educando e no educador, valorizando-os como ser humano. Conseqüentemente, a auto-estima se eleva e o bom humor se manifesta. Mas esse é um trabalho coletivo de uma equipe que “pensa” e age como um time. Num time, todos os componentes são responsáveis pelo resultado da partida. Se um dos participantes não está bem, o resto do time sente, pois “depende” daquele membro. A partida deve ser jogada por todos. Quando o time perde, todos perdem, o trabalho é coletivo. Assim deve ser uma escola. Assim deve ser a Educação. Assim agem os professores da alegria: trabalhando sempre em equipe em benefício da coletividade.
Não importa a posição do Governo, a hegemonia do capitalismo, a religião oficial ou predominante no mundo, as previsões dos gurus, as opiniões dos “especialistas”. A Educação é realizada por quem pisa no chão da escola, não por pessoas que se escondem em gabinetes atrás de escrivaninhas.
São sujeitos que pensam autonomamente e estão comprometidos com os interesses da sociedade que devem gerenciar a Educação, sem exceções e exclusões. Que estejam dispostos a realizar uma reforma na Educação, com responsabilidade, visando ao bem comum.
O educador, o filósofo, o pedagogo, o artista, o profeta, o político têm e tiveram, historicamente, um papel eminentemente crítico: o papel de inquietar, incomodar, perturbar, desafiar, denunciar, transformar. Portanto, sua tarefa é a de quem incomoda e transforma.
Mas é preciso muito cuidado, pois a escola que forma o “mocinho” é a mesma escola que instrui o “delinqüente”. Claro que existem outras questões em jogo, como a família, a sociedade, o meio e a própria escola. Porém, ambos são “educados” nas mesmas escolas.
Podemos dizer que nos extremos existem dois “tipos ideais” de educação: uma educação como prática da domesticação e uma educação como prática da libertação. Evidentemente, esses tipos de educação não existem em estado puro. Em estado puro esses dois modelos de educação são caricaturas, abstrações. Eles não existem porque não existe uma sociedade abstrata que seria totalmente conservadora ou totalmente libertadora. Porém, esses dois modelos seriam apenas horizontes opostos, em direção do qual a educação tentaria caminhar, mantendo o conflito, a dialética, entre o velho e o novo, entre a reprodução e a transformação. A escola e a educação adaptam-se às novas condições econômico-sociais.
Uma escola sem compromisso com a sociedade, alienada, aos interesses da elite dominante, objeto de manipulação nas mãos das oligarquias, forma indivíduos descomprometidos com a humanidade e com a verdade. Esta mesma escola é freqüentada por indivíduos heterogêneos que podem utilizar seus conhecimentos tanto para o bem, quanto para o mal. Se esta escola não valoriza o professor e ainda o trata com desprezo, está condenada ao fracasso e com ela toda a sociedade e a humanidade inteira.
Não quero que a escola tenha obrigação de formar o caráter humano, mas que tenha responsabilidade na complementação e possa influenciar sua formação.
A escola comprometida com a sociedade, busca formar cidadãos conscientes de sua responsabilidade no processo de construção da cidadania. Essa escola visa despertar e desenvolver a fraternidade, solidariedade, liberdade, igualdade, ética e principalmente o amor ao próximo. Essa é a escola que busca um “novo homem”. Qualquer escola está sujeita a falhas, mas aquelas que valorizam e formam seres humanos têm mais chance de acertar. Aquela escola que valoriza o PROFESSOR e reconhece sua importância tem mais chance de alcançar seus objetivos e ter sucesso.
O mundo não precisa de indivíduos capazes de construir bombas e armas de destruição em massa. Homens que especulam, exploram, oprimem, roubam e matam. Pessoas cruéis, capazes de tudo e mais um pouco para se manterem no poder. Homens mal-humorados que não aprenderam a lidar com seus fracassos e frustrações e descarregam sua ira punindo inocentes que nem sabem o motivo da punição.
O mundo precisa de sujeitos bem-humorados que saibam amar! Homens que por amor ao próximo, sejam capazes de acabar com a fome, miséria, guerras e outros males.
Esta é a missão da Educação que também é dirigida por seres humanos. Portanto, é nossa a missão de educar para a paz e transformar a sociedade formando seres humanos felizes e bem-humorados. Não alienados. Mas que sejam capazes de solucionar problemas, não adestrados para repetir “conhecimento”.
Uma educação com AMOR, responsabilidade e bom humor, sem mentiras e ilusões. Uma Educação libertadora, capaz de permitir ao sujeito escolher sua religião, seu partido político e seu candidato. Uma educação que forme e transforme o indivíduo visando ao bem coletivo. Uma Educação que encaminhe o homem ao “sucesso” e à prosperidade. Uma Educação capaz de dar suporte e autonomia ao homem para decidir, por si próprio, o que fazer.
Parte II
Mau humor: um “problema social”
Mau humor: um “problema social”
Não existe sucesso, felicidade, paz, amor ou “vida”, em ambientes carregados de ódio, tristeza, pensamentos negativos e mau humor. Ninguém agüenta!
Toda atividade torna-se estressante quando trabalhamos mal-humorados, irritados, azedos.
O mau humor é contagioso, propaga-se e afeta todas as pessoas direta ou indiretamente prejudicando a relação entre os indivíduos.
Um sujeito mal-humorado provoca situações desagradáveis, cria um clima muito pesado e tenso em seu ambiente de trabalho, tornando insuportável o relacionamento e a convivência entre os colegas.
O mau humor “toma conta do pedaço” e em pouco tempo todos estão mal-humorados, cansados, estressados, agressivos e prontos para brigar.
Basta uma palavra qualquer e pronto… É como jogar… no ventilador!
O mau humor prejudica e atrapalha qualquer relacionamento. No trabalho, no clube, na família, na igreja, na academia, na sala de aula, no trânsito, em todo lugar, o mau humor estraga qualquer reunião.
É incrível, mas é verdade. Uma pessoa mal-humorada contagia outras se estas não foram “vacinadas contra a raiva”.
O mau humor também provoca grosseria e descortesia. Estupidifica e embrutece o sujeito. Cega e bloqueia a inteligência humana. Afasta os amigos. Provoca mal-estar. Enfim, é prejudicial à saúde de quem sofre do mau humor e à saúde alheia.
Cada indivíduo deve evitar o mau humor e todos os dias antes de sair de casa, logo ao se levantar da cama, dirigir-se ao banheiro mais próximo e repetir várias vezes diante do espelho: “Hoje, inicio mais um dia feliz, maravilhoso, alegre, divertido e bem-humorado. Neste dia, nada me afetará. Nem tristeza, raiva, ódio ou mau humor. Que amanhã seja melhor do que ontem. E hoje seja o melhor dia de minha vida. Amém ”.
Quando você aceita que sofre de mau humor e procura ajuda, em pouco tempo estará sentindo-se melhor. A mudança de comportamento é difícil, mas não impossível. Basta querer. A decisão é sua, mas o resultado “pertence” a todos.
O mal-humorado é doente, sofre, é egoísta, egocêntrico, só pensa nele mesmo, pensa que o mundo gira em torno de seu “umbigo” e não enxerga um palmo diante do próprio nariz. Seus relacionamentos são prejudicados por seu humor. Não se importa com os sentimentos alheios. Seus colegas e familiares “sofrem” com o mal-humorado. O mau humor é individual, mas as conseqüências são coletivas. Neste caso, o mau humor torna-se um “problema social”.
Mau humor é questão de comportamento. Tem influências fisiológicas, assim como psicológicas, espirituais e sociais. Vicia, acomoda e incomoda. Pior, o mal-humorado aprende a conviver com o mau humor. Porém, pode ser opção. “Humor não é um estado de espírito, mas uma visão de mundo” . Você pode e deve mudar seu comportamento e melhorar sua vida. Basta querer e tentar. Mas, se vive bem com o mau humor, parabéns. Só que sua família e seus amigos não são culpados nem obrigados a agüentar seu azedume. “Curta-o” sozinho!
Tornando-se uma pessoa bem-humorada, você ganha qualidade de vida. Seus familiares e amigos ganham uma pessoa melhor. A sociedade torna-se melhor, mais tolerante, agradável e pacífica. O que é mais importante: você se torna feliz.
O bom humor é uma questão de inteligência emocional . Pessoas inteligentes emocionalmente estão sempre bem humoradas, sorrindo para todas as pessoas com quem se relacionam, pois são capazes de controlar seus sentimentos e sabem que um sorriso é “barato” e rende muitas amizades e oportunidades.
O mau humor é um problema individual e contagioso, afeta outros indivíduos, tornando-se um problema coletivo, logo social. Então, teremos uma sociedade mal-humorada, intolerante, arrogante, robotizada, alienada, desequilibrada, explosiva e violenta.
Aliado aos problemas sociais existentes como: miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, entre outros, o mau humor, torna-se um problema sério e perigoso.
Os indivíduos se tornam impacientes, intolerantes, incompreensíveis, rudes e violentos quando são afetados pelo mau humor.
Portanto, cabe a cada um de nós buscarmos a cura para o mau humor, antes que sejamos todos afetados por seu azedume.
Mau humor: uma doença contagiosa
Um chefe de família - homem ou mulher - que vive mal-humorado contagia os membros da família que passam a “viver” irritados e azedos.
Muitas crianças vivem irritadas e azedas por causa da irritação e azedume dos pais. O ambiente, o meio influi no humor do indivíduo.
Muitas vezes, ao chegar à casa irritado, o “chefe da família” já chega calado – ou gritando - “pisando pesado” no chão, bravo, “relinchando” e soltando “coices”. Logo, a família sentirá o azedume no ar. Após alguns resmungos, as crianças ficam irritadas e inquietas, a esposa então começa a reclamar da vida, das crianças e até os cachorros ficam insuportáveis e mal-humorados.
O ambiente familiar se transforma num campo de concentração, gera-se um clima de “guerra fria”. A situação torna-se tensa, agressiva, degradante, doentia e infeliz. A causa de tanto mau humor – em muitos casos - é o estresse, por excesso de trabalho.
Algumas profissões provocam esgotamento mental e o estresse com mais freqüência. A alimentação também pode estimular ainda mais o problema. A má alimentação acelera o esgotamento físico e mental. Porém, alguns tipos de alimentos ajudam a reduzir a ansiedade, o esgotamento físico e mental, aliviando o estresse e contribuindo para elevar o bom humor. O lazer também é muito importante para evitar a fadiga.
Se não for “remediado”, o estresse torna-se depressão. O problema vai se agravando. A doença evoluindo. O descontrole emocional manifesta-se. Logo a pessoa perde a noção do bom senso e o equilíbrio emocional. A falta de tratamento pode até causar a “morte do doente”.
Parece piada, mas infelizmente é a verdade. O mau humor de uma pessoa, principalmente se esta é “líder” de qualquer segmento da sociedade, contagia o grupo ou equipe e todas as pessoas que se relacionam e são influenciadas por ela.
O pior é quando o mal-humorado não sabe que é mal-humorado ou não consegue controlar seu mau humor, o que ocorre com a maioria dos casos. Sem saber o que fazer, descarrega sua irritação em qualquer pessoa que se relacione com ele. Quanto mais próximo o ente, mais sofrerá a fúria do mal-humorado, que muitas vezes não age por mal, mas por mau humor. Acaba magoando e ofendendo seus entes queridos, perdendo família e amigos por não controlar o humor.
O patrão mal-humorado descarrega todo seu mau humor nos funcionários que muitas vezes não têm nada a ver com o problema.
Numa hierarquia, o mau humor vindo do mais alto cargo, afeta todos os subalternos que vão recebendo e descarregando o azedume até atingir o mais humilde dos cargos, que não tendo em quem descarregar, punem suas ferramentas de trabalho, danificando-as. Desta forma, todos aliviam suas tensões e neuroses.
Se um indivíduo não consegue descarregar sua fúria em alguém, ou num objeto qualquer, pune a si mesmo, mutilando-se ou flagelando-se automaticamente. Muitas vezes começa a dependência por medicamentos antidepressivos ou até uso de outros tipos de drogas, aumentando o risco de vida. O resultado é um sujeito doente, depressivo, esquizofrênico, neurótico e masoquista, ou sádico. Talvez, surja um delinqüente. Cuidado, esse doente pode ser você.
Muitas vezes, misturamos todos os problemas com o mau humor e despejamos toda energia negativa - carregada de ódio, raiva, mágoa e fúria - em pessoas que nem sequer sabem por que estão sendo punidas, humilhadas, ofendidas e injustiçadas.
Muitos alunos são punidos por professores e diretores vingativos e mal-humorados, incapazes de controlar suas emoções. Diretores de mal com a vida cobram dos professores atividades que nem sequer são capazes de realizar. Muitos pais, em momentos de descontrole emocional, no auge da fúria, espancam ou gritam com os filhos, descarregando toda raiva em crianças indefesas. Assim, “aliviam” suas tensões.
Quando o professor é mal-humorado e vive “pressionado” por superiores também mal-humorados, quem sofre é o aluno e quem “paga” é a sociedade. Em casa muitos pais, pressionados no trabalho, usam a família como válvula de escape. São os abusos de autoridades.
Imagine que você amanheceu indisposto. Uma sensação desagradável, um mal-estar. Você decide ir a um médico - para saber se os sintomas são de um resfriado, uma virose, ou qualquer outro problema de saúde – a fim de se cuidar. Ao ser anunciado, você entra no consultório e com muita cautela e educação, tentando ser simpático, pergunta ao médico: Como vai, doutor? Este, possuído pela doença do mau humor, sem olhar para você, de cabeça baixa, enxergando apenas a ficha da consulta, responde grosseiramente: Sente-se. Examina, preenche a ficha de atendimento ambulatorial, prescreve algum remédio no receituário e o dispensa friamente.
Se você já estava “doente”, piorou. Se não estava doente, ficou.
Neste caso, o doente é o médico e não o paciente. Mas um simples contato. Uma troca de olhares e uma conversa desagradável são suficientes para transmitir a doença do mau humor, do médico para o paciente.
Muitas vezes a burocracia toma o tempo do ser humano roubando-lhe a sensibilidade necessária para lidar com seu semelhante. Os humanos, em muitos casos, limitam-se a preencher formulários, planilhas, fichas e outros papéis, ignorando a presença de outro ser humano, perdendo oportunidades de conhecer pessoas e “aprender” com suas experiências. As relações tornam-se frias, superficiais, burocráticas e robotizadas.
O professor também preenche muitos papéis. Quantos papéis preenchidos são arquivados em vão. Muitas vezes o professor mal olha no olho de seu aluno. Faz a chamada olhando para sua caderneta e chama o aluno apenas pelo número da chamada.
O mau humor dos outros provoca mal-estar nas pessoas deixando-as “doentes”.
O mau humor talvez seja o pior dos males. A pior doença. Afeta o corpo, a mente e o espírito. Provoca doenças emocionais e envenena a alma. Destrói casamentos e a própria humanidade. Mas pode ser tratada, se o mal-humorado desejar a “cura”. Não exige nenhum milagre, apenas força-de-vontade, paciência, meditação, lazer.
Pior que um médico mal-humorado, é um professor mal-humorado.
Imagine que você, professora, cansada, exausta depois de um bimestre cheio de atividades intensas, htpc´s, capacitações, preenchimento de diários, projetos pedagógicos, comemorações “cívicas” - que na verdade são obrigatórias - cobrança da direção, ainda tenha que preencher fichas individuais dos alunos que não conseguiram resultado satisfatório no bimestre.
Se você avaliar o aluno considerando sua fase de desenvolvimento, de aprendizagem e a diversidade cultural presente numa sala de aula, avaliando o educando individualmente, respeitando seus limites e valorizando seus conhecimentos, você não terá muitas fichas para preencher. Talvez nenhuma. Porém, se examinar cada aluno, ao “pé da letra”, considerando somente o que ele sabe no ato do exame, terá muito trabalho burocrático e uma “montanha” de papéis - fichas - para preencher. Neste caso… Boa “diversão”!
Você então chega à unidade escolar para iniciar mais um dia de “guerra” - quando o mau humor se manifesta temos a sensação de estarmos a caminho de uma guerra; quando estamos bem-humorados a sensação é de uma “FESTA” - e encontra logo na entrada a diretora com “cara de mau humor”. “Cara amarrada, fechada, brava, arrogante, autoritária”. Entre outras máscaras camufladas por camadas espessas de maquiagem.
Você então pensa alto: “Tomara que não seja nada comigo!” e segue na direção da “chefa”. A diretora nem cumprimenta – por educação ou mesmo por obrigação – dirige-lhe a palavra autoritária, superior e azeda. Descarrega toda fúria em você. A frustração é grande, mas a obrigação é maior. O sinal “toca”, parecendo a sirene de ambulância vindo socorrê-la ou o sinal de uma fábrica que avisa à hora de começar a empreitada. Você então, ajeita seu material e sentindo-se como se um trem a tivesse atropelado, dirige-se para a sala de aula, numa marcha fúnebre, sem fim, comentando para si mesma: “que inferno irei baixar agora, o que mais poderá acontecer”…
Humilhada e rebaixada. Agredida, ofendida e desamparada, “com os nervos à flor da pele”, aponta a cabeça na porta da sala de aula e ouve a “gritaria” de todo santo dia e de todo dia santo. Você não está bem. O mau humor a possuiu. Entra na sala e logo grita: Calem a boca!
Os alunos diriam que a professora foi possuída pelo “demônio”. Porém, trata-se de um desequilíbrio emocional desencadeado por forte sentimento, liberando energia tão forte, capaz de provocar mudança instantânea e momentânea de comportamento, transfigurando sua face. Não tem nada de possessão demoníaca .
Nesse instante “ouve-se o silêncio”… ou melhor, não se ouve mais nada. O medo, e o mau humor imperam na sala de aula e em cada aluno.
A partir deste momento, a professora perde a razão de viver. Suas aulas serão sempre cansativas, desagradáveis, chatas, demoradas, robotizadas e torturantes.
Você está ansiosa para que esta aula acabe depressa. Que chegue logo o final do ano. Que consiga uma licença-médica, readaptação, afastamento, aposentadoria, um feriado, qualquer coisa.
Não adianta fugir e se esconder. O recesso escolar passa rápido. As férias acabam e você terá de voltar a sua unidade escolar. Encontrará sua diretora e seus alunos novamente. Todos sorrindo e festejando o primeiro dia de aula. Começa tudo de novo… O mau humor e toda aquela tortura que durará o ano inteiro, pelo resto da vida. Você não merece, mas a escolha é sua!
Sai ano, entra ano e o mau humor permanece. A sociedade torna-se mal-humorada e logo não terá mais paciência para nada, provocando intolerância, insatisfação, infelicidade, desilusão, frustração, arrogância, mal-estar atraindo outros fluidos negativos.
Quantas vezes somos mal atendidos em repartições públicas por funcionários mal-humorados que descarregam suas mazelas em todos que necessitam de seus serviços.
A diretora mal-humorada contamina a unidade escolar. Os professores trabalham com medo e mal-estar. Aquela professora, frágil, sensível, contaminada pelo mau humor da diretora acaba descontando todo seu mau humor nos alunos. Os alunos mal-humorados derrubam a escola.
Não importa quem seja o mal-humorado, qualquer pessoa que sofra desse mal, acaba contagiando todos a seu redor, criando um clima tenso em qualquer local. Forma-se um “campo magnético” tão negativo capaz de atrair mais “força negativa”, aumentando o mau humor.
O mau humor não é um mal existente somente nos profissionais da educação. Ele existe em todos os segmentos da sociedade. Porém, é pior para o professor se este for mal-humorado. O mau humor reflete nos alunos que ficam insuportáveis tornando suas aulas exaustivas e massacrantes. E você ainda acaba “levando” o problema para casa, prejudicando sua família que não tem nada a ver com seus problemas profissionais, assim como seu trabalho e seus alunos não são culpados por suas dificuldades financeiras e seus problemas familiares.
Tesão: Prazer em tudo que se faz
Toda atividade deve ser realizada com carinho, vontade, desejo, dedicação, responsabilidade, organização, planejamento, amor, humor e muito tesão. Só assim seus projetos serão realizados com prazer, êxito e sucesso. Parece difícil, mas é preciso.
Tudo que tentarmos realizar com raiva, ódio e mau humor, não dará certo. Tudo que tentarmos executar sem vontade dará errado. O resultado será o fracasso, a insatisfação e a frustração.
Portanto, se não está disposto a realizar determinada atividade com vontade, não faça. Se fizer um trabalho contra sua vontade, reclamando e xingando, não ficará bom, então, é melhor parar e recomeçar quando estiver disposto e bem-humorado. Ou deixar que alguém faça, mas o mérito não será seu. Depois não reclame, pois o mau humor aumenta e põe você de cama.
Um motorista que dirige seu carro, ou o veículo da empresa onde trabalha, consegue quebrar o automóvel se descarregar energia negativa num momento de raiva. Na hora da fúria o motorista transforma inconscientemente toda energia em força física. Quando dirige com ódio é menos cuidadoso e danifica o veículo. Tudo que toca, inutiliza. Prejuízo para a empresa ou para o próprio bolso. O mesmo vale para qualquer profissão em qualquer setor da sociedade.
Muitas pessoas fazem suas atividades com raiva, ódio e mau humor. Reclamam que nada dá certo em suas vidas. Tudo que planejam sai errado ou não se realizam.
Sem tesão no ofício desempenhado, o resultado é a insatisfação, a frustração e o fracasso.
É como sexo. Se você não está a fim, o prazer não acontece e o orgasmo não ocorre. O ato se torna superficial, sem graça, frio, vazio e pode até machucar física e emocionalmente. Quando realizado com muito tesão… o resultado é satisfatório, prazeroso, “uma loucura”!
A vida é semelhante ao ato sexual. Quando vivemos com prazer, com muito tesão, tudo se transforma e a vida se torna excitante, atraente. Curtimos cada segundo. Cada movimento é sentido prazerosamente e o auge de nossas realizações é como um orgasmo completo e compartilhado. A vida se torna significativa, deliciosa e valiosa.
Quando a vida se torna corriqueira e sem prazer, o tesão acaba e a vida perde a graça. É como sexo sem excitação: mexe, mexe, mexe e nada. A vida “broxa”. A sensação de impotência se manifesta e a auto-estima cai. Imagine se sua auto-estima não levantar mais! Perdem-se auto-estima, autoconfiança e tesão pela vida.
No dia-a-dia a mulher prepara a refeição para o marido que está prestes a chegar. Durante a preparação ela xinga, reclama, resmunga, grita, bate os talheres na mesa com raiva, descarrega toda fúria no alimento que prepara e até se machuca. Não existe motivo. A atividade rotineira fez com que sua função de “rainha do lar” e dona de casa transformasse sua vida numa tortura, num “inferno”. Ela se colocou nessa situação, ninguém a obrigou .
O marido chega faminto e apressado. Sem ao menos cumprimentar a cônjuge com um beijo carinhoso, ou elogiar pelo cheiro agradável da comida, pois neste momento a fome é mais forte que o amor. Senta-se à mesa e pergunta se o almoço está pronto. Reclamando, a esposa serve o marido. O excesso ou a falta de tempero provoca um comentário “inocente” e irônico do cônjuge. A companheira ofendida inicia uma discussão e o casal acaba na maioria das vezes “brigando”. Pior, na frente das crianças.
Todo o dia acontece a mesma coisa. Vicia, torna-se hábito. Acorda de manhã, prepara o café, lava a louça, prepara o almoço, veste e serve as crianças, lava a louça, varre a casa, lava a roupa e estende-as no varal, lava o banheiro – enquanto as crianças estão na escola - prepara o jantar, serve as crianças que já voltaram da escola, lava a louça, toma banho e vai dormir. O marido chega e ainda quer “fazer amor”. Que piada!
Haja amor, humor, paciência, disposição, prazer e tesão.
Realmente não é fácil. Viver é muito difícil. É uma arte! A relação com outros seres humanos é complicada. A tolerância nem sempre nos acompanha. O tesão se torna tensão. Atividades repetitivas nos robotiza. O prazer acaba e o casamento também.
Toda atividade mais cedo ou mais tarde torna-se corriqueira, até mesmo a relação sexual. Cansaço, estresse e depressão são conseqüências de uma vida robotizada, repetitiva, mal-humorada, mal vivida e sem tesão.
É preciso estar atento e disposto a acabar com o mau humor. Antes que ele acabe com você.
É necessário refletir sobre sua vida. Identificar e reconhecer os problemas. Admitir que existam tais problemas e traçar caminhos para solucioná-los. Nem sempre somos capazes de resolvê-los sem ajuda familiar ou profissional. O diálogo é sempre boa solução. Talvez um amigo possa ajudar. Às vezes é melhor procurar um profissional capacitado. Mas o mais importante é aceitar que seu mau humor está prejudicando sua vida afetiva, íntima, social e profissional. A próxima etapa é querer se livrar do problema.
Muitas vezes, academias são válvulas de escape e melhor terapia para acabar com estresse. Porém, como tudo, torna-se rotineira e perde o efeito terapêutico. Por isso é preciso diversificar os exercícios e as atividades para evitar a rotina.
O problema está justamente na rotina. Os seres humanos se cansam rápido de suas atividades e relacionamentos. Por isso, precisamos de descanso físico e mental.
Conhecer lugares novos também ajuda a relaxar. Atividades diferentes como viagens, pintura, teatro (principalmente comédia), dança, música, ginástica, leitura, cinema, acampamento, caminhadas, andar de bicicleta, são opções para sair da rotina. Nada disso exige gastos exagerados. Basta usar a criatividade. Você pode participar de um grupo de teatro amador – existem vários. Pode acampar num sítio ou serra perto de casa. Procurar um bom livro numa biblioteca pública. Dançar em casa enquanto faz suas atividades. Caminhar na rua, numa praça. Pedalar num parque ou numa avenida. Alongar o corpo entre uma atividade e outra. Nada disso exige gastos e desperdício de dinheiro. É preciso apenas disciplina.
O importante é ter prazer nas coisas que realizamos por mais simples e insignificantes que pareçam. O prazer no que se faz leva-nos a realizações bem-sucedidas. Aproxima-nos da felicidade.
A felicidade em si não existe. A felicidade está presente no prazer. Nas realizações bem-sucedidas. Para obter sucesso, é preciso “fazer bem feito”. A dedicação, o prazer, a determinação, o bom humor, a vontade são ingredientes para o sucesso e a felicidade. A satisfação pessoal é uma maneira de encontrarmos a felicidade.
Pessoas felizes atraem oportunidades, bons negócios, lucros, dinheiro e prosperidade. A energia positiva do sujeito cria um ambiente psicológico dos acontecimentos exteriores favorável a suas realizações. Ou seja, pessoas felizes atraem dinheiro.
O educador deve ter tesão, prazer, paixão para “educar” e astúcia para conquistar, seduzir, atrair seu educando. O professor precisa seduzir seu aluno, provocar seus sentimentos e emoções (positivos e negativos), fazer com que seu aluno sinta tesão em aprender, estudar, instruir-se. A partir dai pode haver a transformação.
Termômetro do Humor
Para saber se você está bem e de bom humor, faça um teste: Procure aquelas pessoas que considera insuportáveis, “chatas”, antipáticas, desagradáveis, “indigestas”. Alguém que você não tolera. Ouça-as. Se você não se irritar é porque está bem. Como diria o mestre Mahatma Ghandi, é preciso ser inofendível.
Quando não estamos bem, qualquer coisa nos incomoda, até a voz da esposa ou do marido. Ofendemos-nos com pouca coisa. Um simples bom-dia de um estranho é o suficiente para aumentar o mau humor. Basta ver alguém que não simpatizamos para mudarmos de humor.
É comum o mau humor manifestar-se na família, entre casais – principalmente entre marido e mulher - e até no trabalho. Frequentemente na escola na relação professor-aluno e em casa na relação pais e filhos e entre os cônjuges.
O problema não é o outro. Nós é que temos determinado problema e culpamos o outro. “Se você mudar, o mundo muda com você” .
Não é fácil admitir que estamos irritados e mal-humorados. É mais cômodo culpar alguém por nosso azedume. A verdade dói. Mas o mau humor fere muito mais e as feridas demoram a cicatrizar, quando cicatrizam.
Frequentemente ficava incomodado com a balconista da padaria onde comprava pão e leite. Todas as manhãs ao entrar no estabelecimento, cumprimentava-a com um habitual “bom-dia”. Ao fazer o pedido no balcão, a moça mal-humorada, com “cara-amarrada”, me servia sem retribuir o cumprimento, mesmo que fosse por obrigação, ou educação. Isso me incomodava muito. Deixava-me irritado o resto do dia. “Estragava” meu dia!
Ela me olhava com aquele “olhar fulminante” e jeito de brava, como se estivesse com raiva de alguém, talvez de mim, talvez dela mesma. Era o suficiente para que eu “perdesse o dia”, o mau humor se manifestava e durava até o anoitecer. Conseqüentemente me irritava com qualquer coisa e pessoa e ia dormir mal-humorado. Dormia mal. Muitas vezes, até sonhava que estava mal-humorado. Acordava mal.
No outro dia, um novo dia, um novo “bom-dia” e o mesmo “velho problema”. Bastava ver a balconista para ficar azedo. Meu coração disparava – e nem era de paixão - e meu humor mudava instantaneamente.
O proprietário da padaria deveria escolher melhor seus funcionários, alguém mais simpática – pensava eu – atender o público é tarefa para pessoas bem-humoradas, educadas, simpáticas, carismáticas, satisfeitas e felizes. Não é função para quem não está feliz e vive de mal consigo mesmo. Mas estava enganado.
Depois de refletir muito, percebi e admiti que o problema estava em mim. A balconista não podia ser responsabilizada por meu humor. A moça simplesmente atendia todos os clientes da padaria cumprindo mecanicamente a função de balconista. Eu é que ficava incomodado com ela. Esperava ser atendido de forma diferente julgando ser uma pessoa diferente, quando era igual a todos os clientes da padaria. O mal-humorado era eu. A jovem, sem saber, era “meu termômetro”. Um deles. Temos vários termômetros para medir nosso humor.
Outra pessoa que me serviu de termômetro foi uma ex-aluna da 8ª série do ensino fundamental. Era antipática, abusada, emburrada, arrogante e azeda. Assistia a minhas aulas de costas para mim. Isso me deixava furioso, irritado e mal-humorado. Bastava vê-la para mudar meu humor. Ao preparar a aula para a sala em que ela estudava, era uma tortura por saber que teria de entrar novamente na sala daquela aluna “rude, grosseira e arrogante”, como eu pensava. No dia que eu tinha aula naquela sala, já entrava mal-humorado e até tratava mal outros alunos, tudo por causa de uma única aluna.
Felizmente percebi que precisava mudar. Continuei freqüentando a padaria e lecionando. Porém, “olhando” aquelas pessoas com outro olhar. Tudo mudou. Descobri que quando estamos de bom humor, de bem com a vida, nada nos incomoda, mesmo que ninguém retribua um cumprimento ou assistam a nossas aulas. Precisamos estar bem conosco. Satisfeitos com nossa existência.
Ao mudar o foco sobre aquelas pessoas, a resposta foi imediata. Elas também começaram a me tratar de forma diferente, mais sorridentes e mais simpáticas. A balconista da padaria me atendia com mais simpatia. A aluna passou a prestar mais atenção nas aulas e no dia da formatura deu-me um abraço e desejou-me um “Feliz Natal”, pois era final de ano. Nossa relação melhorou, no bom sentido!
Percebi que muitas vezes, nos incomodamos com coisas ou pessoas, mas não assumimos que o problema também está em nós.
Depois desse dia, minha vida mudou para melhor. Comecei a observar melhor as pessoas que me rodeiam e antes de atribuir a outras pessoas a responsabilidade pelo meu humor, reflito se estou bem e disposto a aceitar que sou o único responsável por ele.
Um dia um amigo - hoje colega de profissão, pois decidiu ser professor - disse que ao ouvir-me parecia estar ouvindo um professor com 50 anos de magistério, já cansado, estressado, desiludido, insatisfeito, sem esperanças e esperando a morte chegar. Isso fez com que eu refletisse sobre minha postura de educador e de ser humano e, revendo alguns conceitos e valores técnicos, quebrei alguns paradigmas, mudei minha postura - para melhor - em todos os segmentos da sociedade.
Muitas vezes nossa postura de professor é robotizada, mecânica e automática. Esquecemos que estamos lidando com seres humanos sujeitos a falhas e imperfeições. Como se fôssemos perfeitos e infalíveis.
Porém, o maior desafio é sempre em casa na relação familiar. É onde precisamos manter o humor a fim de superar toda e qualquer dificuldade para manter um clima saudável.
Aprendi que podemos “usar” as pessoas como termômetros para medir a “temperatura” de nosso humor e saber se estamos bem ou não.
A menos que estas sejam prejudiciais à sua saúde - neste caso, é recomendável que se afaste - não fuja das pessoas que considera irritantes, elas podem ser seu termômetro. Aproveite para testar sua disposição e medir a temperatura do seu humor.
Se a temperatura estiver alta, é bom “tomar” um “antitérmico” humorístico para baixar a temperatura. Não deixe que a temperatura aumente. Há sempre o risco de uma convulsão. Mantenha-se sempre sereno e bem-humorado.
Se passar no teste, parabéns. Sua vida será melhor em todos os sentidos. Você se transformará numa pessoa mais simpática, satisfeita, alegre, feliz, bem sucedida e requisitada para várias festas e reuniões. Aproveite.
Dinheiro e mau humor:
Sorria… Você está sendo observado!
Muitos casos de mau humor são causados pela falta de dinheiro ou fome. A fome é mais fácil de resolver, mas a falta de dinheiro nem sempre.
Esses problemas – fome e falta de dinheiro - afetam bilhões de indivíduos no mundo. Não é um problema individual ou local. É coletivo, social e mundial.
A falta de dinheiro compromete o humor prejudicando as relações profissionais, familiares e conjugais e até individuais. Afinal, um sujeito em conflito consigo não será capaz de relacionar-se bem com ninguém.
É ai que mora o perigo. Muitos casamentos acabam pelo mau humor causado pela falta de dinheiro. Acaba o dinheiro, acaba o humor, acaba o amor! Como se o dinheiro fosse a solução para todos os problemas.
Acontece que a falta de dinheiro provoca preocupações com as dívidas, causando uma sensação ruim, de impotência e incapacidade. Impossibilita o consumo de produtos necessários à sobrevivência e produtos supérfluos relacionados ao “prazer”. O estresse e a depressão surgem para piorar a situação. O sujeito é o primeiro a sofrer seguido da família. A falta de diálogo e bom senso levam ao fim de casamentos. O motivo não é a falta de amor, mas uma relação desgastada pela difícil situação financeira.
Se considerarmos que todo tempo estamos sendo observados, então teremos de rever nosso comportamento e policiar nossas atitudes perante outras pessoas. Afinal, somos exemplos para crianças, adolescentes e adultos.
Muitos indivíduos – crianças e adolescentes - procuram “heróis” para inspirá-los, adorar como ídolos e seguir seus exemplos.
Sempre haverá alguém observando seus passos e avaliando suas ações. Seja para elogiar ou criticar. Há pessoas que esquecem a própria existência ocupando-se da “vida alheia”.
Nem por isso, viveremos artificialmente, de aparências, querendo ser aquilo que não somos, agindo como marionetes, manipulados por normas estabelecidas pela sociedade . Devemos agir naturalmente. Como somos.
É preciso ser e estar sem se preocupar com ter. Ter é necessário para nossa manutenção, sobrevivência, bem-estar, satisfação e realização, mas não é tudo. A felicidade não pode ser comprada, pois não é produto fabricado pelos homens. A felicidade é algo existente no âmago humano e depende da percepção e da relação do sujeito com o mundo exterior.
Suas conquistas são conseqüências de seu compromisso com sua vida. Não importa as origens. É necessário aceitar e assumir suas raízes. Só assim será aceito, quando você mesmo se aceitar.
Muitas pessoas são preconceituosas consigo mesmas. Negando a própria identidade. Outras pessoas ainda não descobriram sua identidade. Não poderão ser felizes enquanto não se definirem ou se encontrarem. É um processo individual. Existe influência do meio em que vive, mas cada experiência é pessoal e não serve para outra pessoa.
O que mais preocupa o indivíduo é saber que outros estão de olho, observando seus passos, vigiando suas atitudes, advertindo suas ações, filmando sua postura. Essa preocupação impede que cada sujeito assuma o que realmente é ou gostaria de ser fazendo-o interpretar alguém que não é. Vivendo de aparências, artificial e superficialmente. Ou seja, não vivendo, apenas existindo, ocupando um lugar no espaço e se tornando uma coisa , um zumbi , uma marionete.
Por ter consciência de estar sempre sendo observado, o indivíduo preocupa-se com o ter e esquece-se de ser ele mesmo e estar de bem com a vida. Para sentir-se bem, “necessita” ter o que outros indivíduos têm, não importando o custo para alcançar o objeto desejado. Cria-se uma dependência pelo consumo provocando o consumismo doentio.
Na impossibilidade de poder comprar, manisfesta-se o mau humor, o estresse e a depressão. Consumir pelo “prazer” de obter e possuir alguma coisa torna-se vício, obsessão, uma doença.
A falta de dinheiro para comprar qualquer coisa provoca no indivíduo a sensação de impotência, incapacidade, frustração, insatisfação, baixo-astral e “infelicidade”.
Enquanto o sujeito atribuir seu bom humor a mercadorias e relacionar sua felicidade com o ter e não com o ser, estará condenado a viver infeliz num mar de desencantos e desilusões e a felicidade tão sonhada se tornará um pesadelo.
Portanto, sorria e aceite sua situação. Depois respire e seja apenas você, melhorando a cada dia como sujeito, mas sempre com autenticidade. Não queira ser o que você tem e sim o que você é.
Dinheiro e bom humor têm muito em comum, mas com mau humor o dinheiro desaparece, pois as oportunidades e as pessoas que podem proporcionar oportunidades se afastam.
E o humor… que seja eterno enquanto dure!
São muitas as vantagens de estar sempre bem-humorado, de bem consigo. Estar sempre alegre, sorrindo, de bem com a vida, aumenta a eficácia do sistema imunológico, prevenindo doenças, proporcionando mais saúde física, mental e espiritual ao indivíduo, consequentemente à sociedade. Também motiva o sujeito e atrai oportunidades. Desenvolve a criatividade e melhora a capacidade física e mental.
Quando estamos tristes, magoados, o corpo sofre e fica doente. Com saúde, podemos aproveitar mais e melhor cada minuto da vida. É preciso curtir os momentos de felicidade com sabedoria e bom senso, sem se preocupar com o minuto seguinte.
Curta o presente, pois o “futuro é uma astronave, que tentamos pilotar, não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar” . Neste caso o que importa é o “aqui e agora”. Curta-o enquanto durar.
Ser e estar sempre bem-humorado aproximam pessoas alegres e felizes a sua volta, produzindo um campo energético positivo e vital a seu redor para conquistar seus objetivos, atrair oportunidades, obter sucesso e ser feliz.
Não adianta forçar as pessoas exigindo que “gostem” de você. É preciso conquistá-las com seu carisma e bom humor. O importante é ser feliz. Só assim poderá proporcionar felicidade a sua família e a seus amigos. Não existe possibilidade de proporcionar felicidade a alguém se não é feliz.
Um sujeito infeliz, só atrai desgraças para si e torna infelizes aqueles que o cercam. Não seja um “muro de lamentações”. Sua felicidade só depende única e exclusivamente de você. Se você não tem amor por você mesmo, nunca poderá amar ninguém. Pois não se pode dar ou doar aquilo que não possui.
O bom humor e a felicidade são frutos de uma vida saudável. Assim como uma vida saudável é conseqüência de muito bom humor e muito amor. Não depende somente daquilo que você não possui, mas de como lida com o que possui. Como você percebe o mundo que o cerca e como se relaciona com o que percebe e possui são determinantes para sua felicidade.
Acredite que você é capaz de ser feliz e bem-humorado. Não espere que seu marido ou sua mulher faça você feliz. Seu aluno não é responsável por seu bom humor. Não depende de seu chefe sua felicidade. Só depende de você. Você é protagonista de sua vida, de sua própria história.
O bom humor transforma a vida de qualquer pessoa, por mais infeliz que possa parecer. Torna a vida do sujeito mais doce. E mesmo que seja diabética, o dulçor do bom humor é recomendável por todos os médicos a qualquer pessoa, sem contra-indicações. O único efeito colateral é dor abdominal de tanto rir.
Ame a si mesmo. A pessoa mais importante do mundo é você. Comemore todas as suas conquistas por mais “simples e insignificantes” que pareçam, pois são suas vitórias e conquistas. Pequenos detalhes fazem grande diferença nos resultados. Sorria sempre, pois sorrir faz bem e rejuvenesce prevenindo o envelhecimento mental, conseqüentemente o envelhecimento físico. Comemore o dia de seu aniversário, por ser a data mais importante de sua vida, afinal é o dia que marca seu nascimento. Não espere que seus amigos e parentes lembrem dessa data. Comemore você, com ou sem eles. O importante é se divertir e ser feliz.
Pessoas amargas de espírito são egoístas, não querem que ninguém seja feliz, são vingativas e perigosas. Não se preocupe com esse tipo de pessoa. Afaste-se delas. No trabalho procure manter o clima de alegria afastando o mau humor alheio. Se for preciso, afaste-se do mal-humorado.
O bom humor proporciona vitalidade e vontade de viver. Saúde e bem-estar. Alegria, felicidade e dinheiro.
E que se danem as pessoas que querem viver mal-humoradas e infelizes!
E o humor… que seja eterno enquanto dure!
Guerra ou Festa
Quando você se prepara para trabalhar, é como se estivesse se preparando para uma guerra ou para uma festa?
Logo ao acordar o mau humor manifesta-se ou o bom humor se faz presente? Acorda cansado, desanimado, mal-humorado, indisposto, estressado, deprimido ou descansado, alegre, satisfeito, relaxado, feliz, disposto, animado e bem-humorado? Ir para o trabalho é um sacrifício, uma tortura ou um prazer?
Se o trabalho representa um sacrifício, uma guerra, acredite: você não está bem – ou não gosta de trabalhar. O trabalho tornou-se um problema e você necessita de cuidados especiais. É preciso descansar. Recarregar sua “bateria”. Rever seus hábitos e se for preciso, mudá-los. Não adianta insistir numa tática que não funciona. “Se você continuar fazendo o que sempre fez, vai continuar obtendo o que sempre obteve”. É melhor mudar a estratégia para vencer a batalha contra o pessimismo e o mau humor. Antes que você pise numa “mina terrestre” e vá para os ares, ou pior, “se exploda”.
Naturalmente o ser humano é muito curioso. Graças a essa curiosidade, a humanidade evoluiu, fez grandes descobertas, desafiou o “impossível”, desenvolveu técnicas e tecnologias e realizou obras imensas.
A necessidade de conhecer coisas novas, experimentar novidades, mudar de hábitos é típica do sujeito. Atividades diversificadas são necessárias, saudáveis e essenciais para repor a energia gasta com o estresse. O cotidiano torna-se tão repetitivo, corriqueiro, “sem graça”, “monótono e agitado”, cansativo.
Estamos no século vinte e um, no terceiro milênio depois de Cristo. A tecnologia desenvolveu-se tanto que mal podemos acompanhar sua evolução. Mudanças ocorrem a cada minuto. O planeta é habitado por mais de seis bilhões de seres humanos. Existem pessoas com muito mais dificuldades que você. Portanto, se você está lendo este livro é porque tem mais condições do que muitos bilhões de indivíduos. Pelo menos encontrou tempo para ler. Numa época que o tempo é precioso, “vale dinheiro”, e não sobra tempo para relaxar, qualquer minuto “livre” é “sagrado”. Não o desperdice, aproveite e curta-o com sabedoria.
Qualquer que seja sua profissão, o bom humor é essencial e ferramenta indispensável. Sem ele, seu trabalho torna-se cansativo e insuportável. O trabalho transforma-se numa “Grande Guerra”! Qualquer dificuldade se transforma num “bicho de sete cabeças”, “tempestade em copo d´água” . O mau humor torna-se membro do corpo, acompanha seu “dono” até sua casa e vai junto para a cama. Imagine ter como amante o mau humor! Certo que existem amantes e cônjuges mal-humorados. A guerra é bem melhor!
Com bom humor todos os problemas se amenizam e se tornam insignificantes. O ambiente de trabalho ganha vida, um clima mais agradável, alegre, feliz e produtivo. A sensação é de uma “Festa”!
Dê uma trégua. “Desarme-se”. Deixe a “guerra” e brinde a “festa”. O que é melhor, viver em guerra ou em festa?
Terapia do Humor
Comece seu dia sorrindo e agradecendo. Agradeça por ter acordado. Sorria por estar vivo. Agradeça por uma noite tranqüila em sua cama mesmo que não tenha sido tão tranqüila. Quando mentalizamos gratidão recebemos em troca o agradecimento do universo.
Sorria para todos os seus familiares. Muitas vezes não sorrimos nem agradecemos à mulher ou ao marido, aos pais e aos filhos. São pessoas próximas, importantes e sempre alertas e dispostas a ajudar. O exemplo começa em casa.
Agradeça tudo que possui. Seja grato a todos os favores e gentilezas prestados a você por obrigação, favor ou gratidão. É tão simples dizer: obrigado ou muito obrigado. A gratidão proporciona bom humor, felicidade, prosperidade e sucesso.
Pessoas ingratas são infelizes, arrogantes, solitárias, desprezadas e desprezíveis, mal-amadas, mal-humoradas e decadentes.
Sorria sempre por dentro e por fora. Não adianta “arreganhar-se” exteriormente para demonstrar que está alegre se por dentro carrega muita mágoa, rancor, ódio e ingratidão.
Sorria interiormente, “abra seu coração”. Perdoe primeiramente seus “pecados”. Você é a única pessoa que pode absolvê-la de seus “pecados”. Depois perdoe os deslizes daqueles que - sem querer ou querendo –magoaram você. Sentimentos negativos não permitem que você prospere. São como âncoras que nos prendem no cais do aborrecimento, da desilusão e do fracasso.
Alimente sentimentos positivos. Transforme a energia acumulada em combustível para sua vida, para seu sucesso.
Bom humor também é prática e condicionamento. É preciso exercitar muito para alcançar o equilíbrio necessário. Exige muita disciplina, reflexão e força de vontade. Mas o resultado é satisfatório, gratificante, saudável e benéfico.
Conclusão
Professores da Alegria não pretende “salvar o mundo”. Nem quer ensinar ou responder como transformar a sociedade e construir um mundo melhor.
Afinal, o que é um mundo melhor? Como ser um professor ideal? Como evitar problemas com alunos, contornar situações difíceis e manter a disciplina em sala de aula? Qual o papel da escola e como transformá-la numa instituição capaz de revolucionar a sociedade?
Não existem respostas para essas indagações.
Enquanto educadores, os professores da alegria querem e precisam entender e aceitar que “o conhecimento é construído pelo estudante e não simplesmente transmitido pelo professor” . Para isso, lutam e trilham caminhos para alcançar a plenitude da satisfação individual e coletiva.
A obra trata a relação professor-aluno como uma relação social que deve manifestar alegria. O sucesso de uma boa aula é resultado da alegria manifestada pelo professor.
O professor da Alegria é qualquer cidadão que se empenhe em ensinar e aprender. Seja pai, educador, cidadão. Todo sujeito é capaz de ensinar e aprender. O processo ensino-aprendizagem pode transformar a sociedade.
Para conquistarmos nossos educandos e convertê-los à própria opinião, precisamos nos aproximar deles, tomá-los pelas mãos e guiá-los, como propunha Tomás de Aquino.
Os educandos são nossos filhos, alunos, crianças abandonadas. Todo indivíduo é um eterno aprendiz.
“Professorar” não é fácil. É preciso coragem, ânimo, perseverança, ideal, propósito, esperança, vontade, amor, tesão, muito tesão e boa remuneração, muito boa remuneração.
Todo cidadão trabalhador merece e tem direito a uma boa remuneração. Um salário digno e suficiente para criar, educar e manter uma família suprindo suas necessidades básicas ou não.
O objetivo de Professores da Alegria é estimular a reflexão entre professores, pais e cidadãos a fim de construir uma sociedade digna, justa, livre, responsável, segura, saudável e feliz.
Seja um “Professor da Alegria”.
Respeitável Público…
Digo RESPEITÁVEL LEITOR!
Senhoras e senhores! Adultos e crianças… Cidadãos e cidadãs. Professores e não-professores. Pais e filhos. Educadores e educandos. Mestres e discípulos. Leitores e não-leitores. Bem-humorados e mal-humorados…
Este trabalho destina-se a todos que queiram refletir sobre sua postura perante a sala de aula, a família, a sociedade, o trabalho, o espelho e o umbigo. Todos que “sonham” com uma “vida” melhor, uma vida feliz, prazerosa, próspera, bem sucedida, bem vivida e bem-humorada.
Não existe receita, fórmula, regra, mágica ou milagre para transformar a sociedade e construir um mundo melhor, ser feliz, fazer sucesso ou viver bem.
Utopia, loucura, delírio, alucinação, embriaguez, ilusão, sonho, profecia…
O que há são ensaios, experiências, testes, pesquisas, tentativas, muita vontade, muitos erros e muito suor… Ufa!
O que é FELICIDADE? Como alcançá-la? Como ser feliz?
O que é SUCESSO? Como obtê-lo?
Como VIVER BEM? O que é VIVER BEM?
Como transformar a sociedade e construir um mundo melhor? O que é um mundo melhor?
Não existe resposta para estas indagações.
Saiba que a felicidade está em você. Não depende do que você possui ou pretende conquistar. Depende de como se sente e se relaciona com o que possui.
Ficou decepcionado? Não desanime. Não desista. Tenha coragem. Levante a cabeça. Respire fundo… e grite bem alto, o mais forte que puder: “EU ME AMO. SOU FELIZ. SOU FELIZ PORQUE ME AMO!”.
Sente-se melhor? Não!
Não desista. Pare sua leitura. Dirija-se ao espelho mais próximo. Olhe para a pessoa do seu espelho. Encare-a nos olhos. Respire fundo. Conte até três e grite: “EU ME AMO. SOU FELIZ. SOU FELIZ PORQUE ME AMO!”.
E agora? Como se sente?
Espero que esteja alegre, rindo desta palhaçada. Afinal, o bom humor é a solução para seus problemas.
Talvez o bom humor não resolva todos os problemas de imediato, mas tornarão seus ambientes mais agradáveis, pacíficos, serenos, produtivos, bem sucedidos, alegres e felizes, criando um clima de paz e amor, melhorando sua criatividade, sua disposição, suas habilidades e seu relacionamento familiar, profissional, amoroso e social. Conseqüentemente, seus problemas “desaparecerão”.
O resultado é o sucesso e uma vida mais saudável!
Professores da Alegria não é um livro de receitas ou magia. Não é um conjunto de regras e códigos que devem ser obedecidos. Professores da Alegria é um ensaio humanístico, social e pedagógico que propõe a reflexão dos “professores da alegria” – todos os seres humanos - perante a sociedade. É um resgate da auto-estima e da valorização humana através da conscientização de cada cidadão sobre sua postura e seu “BOM HUMOR”!
O livro está dividido em duas partes e pode ser lido “desordenadamente” dispensando a obrigatoriedade e a “ordem” vigente, de seguir a seqüência dos capítulos, pois seus textos são independentes, completos e complementares.
Na primeira parte, a definição dos “professores da alegria” e a reflexão sobre o papel da educação formal e informal realizada por indivíduos letrados e não letrados e, especialmente sobre a postura do professor-educador e a relação professor-aluno no processo ensino aprendizagem contando com a participação da família e a atuação efetiva dos pais na vida escolar de seus filhos.
Na segunda parte, o mau humor é apresentado como um problema social, capaz de “destruir” qualquer relacionamento e, influenciar negativamente a vida dos indivíduos em todos os segmentos da sociedade, principalmente na relação professor-aluno. E o bom humor como remédio e solução para alguns “males”.
É com imensa alegria, satisfação e bom humor que apresento o maior Espetáculo da Terra: “PROFESSORES DA ALEGRIA”!
Agora é com você!
Tenha uma boa dor de barriga… digo… uma boa LEITURA!
Oração do Humor
Hoje, inicio mais um dia feliz,
Maravilhoso, alegre,
Divertido e bem-humorado.
Neste dia nada me afetará.
Tristeza, raiva, ódio ou mau humor,
Tentarão me dominar,
Mas não me atingirão.
Mesmo que as tentações do mau humor me persigam, resistirei
E vencerei as forças malignas
E devastadoras do azedume do mau humor.
A energia positiva do bom humor
Transborda em meu ser, tornando-me mais forte,
Confiante, alegre, feliz e bem-humorado.
Pérfidas línguas,
Execráveis e perniciosas,
Falarão, mas não ouvirei.
Homens e mulheres
Sedentos de maldade me cercarão
E tentarão me arrastar para o abismo do
Mau humor.
Inveja, ciúme e vaidade me assediarão
E tentarão me iludir
Atraindo-me para o fracasso.
As forças do BEM, da ALEGRIA e do AMOR
Irão me conduzir para o SUCESSO.
O BOM HUMOR estará sempre em mim,
Fortalecendo-me contra o mau humor.
O bom senso e a sabedoria universal
Vão me ensinar a respeitar e compreender
Aqueles que, possuídos pelo mau humor,
Num ímpeto de instante me ofenderam.
Que a graça do humor caia sobre mim
E preencha meu espírito de alegria,
Fé e esperança.
Que cada obstáculo sirva de trampolim
Para saltar rumo à felicidade.
Que cada pedra em meu caminho
Seja um degrau conduzindo-me ao sucesso.
Que a prosperidade e a felicidade
Sejam minhas companheiras
E o bom humor minha estrela guia.
Que a energia do BEM e do BOM HUMOR
Me fortaleçam contra as forças do mal.
Que minha consciência me guie
Sempre no caminho do bom combate
Para que possa superar o preconceito
E vencer as injustiças sociais.
Que amanhã seja melhor do que ontem.
E hoje seja o melhor dia de minha vida.
Amém.
Parte I
Professores da Alegria
Professor ideal e professor real
Não existe professor ideal,
assim como
não existe
aluno ideal.
Professores da Alegria
Professor - palavra de origem latina - é aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina. É o mestre.
Os primeiros e principais educadores na vida das crianças são os pais. São os primeiros e mais importantes professores da alegria. Educação é exemplo e vem de “berço”. Conforme cresce e aprende, o sujeito torna-se “livre” e padronizado pela educação recebida ao longo de sua vida.
Todo sujeito ensina alguma coisa a outro, direta ou indiretamente, querendo ou não. Todo ser humano é capaz de ensinar e aprender. Basta conversar com alguém, “trocar idéias”, falar e ouvir. Cada sujeito é um professor em potencial e ao mesmo tempo eterno aprendiz. Ninguém ignora tudo. “Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.” Todos somos capazes de ensinar e aprender simultânea e reciprocamente, basta conviver, relacionar-se.
O processo ensino-aprendizagem é dinâmico, surpreendente, enriquecedor, infinito, eterno, vital, rejuvenescedor, inovador, transformador, criador e libertador.
Seja qual for sua profissão, grau de instrução e formação, você pode ensinar e aprender muita coisa. Basta estar atento aos acontecimentos. Sua mente deve estar “aberta” a todo tipo de informação e formação.
Não seja súdito de paradigmas ultrapassados, falsa moralidade, ideologias dominantes e “pré-conceitos” estabelecidos por uma sociedade “preconceituosa” formada por sujeitos preconceituosos, limitados e limitadores, “elitistas” e escravos das próprias regras que criaram engendrando um sistema político-econômico seletivo, excludente, manipulador, centralizador e opressor em forma de labirinto do qual não conseguem fugir.
As regras são importantes e necessárias quando estabelecidas democraticamente, legitimadas pela maioria dos societários para o bem comum. Não quando impostas de cima para baixo de forma opressiva, manipuladora, obscura e tendenciosa.
Independente de seu status, lute contra qualquer injustiça social.
Pode ser analfabeto, iletrado, inculto, alcoólatra, dependente de qualquer tipo de droga, presidiário, ex-detento, homossexual, heterossexual, indigente, lavrador, gari, catador de sucatas, empregada doméstica, profissional da educação. Não importa, todos têm algo para ensinar, independente de sua posição social, situação econômica, opção sexual, formação religiosa, grau de instrução. Os sujeitos citados aqui são, muitas vezes, desprezados pela sociedade. Muitos são excluídos e marginalizados. Esta obra não pretende reforçar o preconceito existente em relação a esses indivíduos. Ao contrário, é preciso valorizar cada ser humano, seja indigente ou presidente da república. A diferença está apenas na posição social e econômica de cada um.
Até professor, com mestrado, doutorado. Médico, advogado, administrador de empresas, escritor ou qualquer que seja sua formação e grau de instrução. Todos têm algo a aprender. Por mais instruído que seja o sujeito, sempre existe mais conhecimento para se adquirir.
Este é o “segredo”: “Quanto mais o sujeito sabe, ou pensa que sabe, mais sabe que não sabe nada, ou deveria saber que não sabe e tem muito que aprender” . Só assim pode-se aprender alguma coisa. Aquele que pensa não saber nada e tem muito a aprender, pode aprender e ensinar muito, de forma consciente e prazerosa. Já aquele que pensa saber de tudo, também aprende e ensina alguma coisa, mas engana-se muito, torna-se arrogante e muitas vezes não “sabe nada”!
O importante é entender que todos os indivíduos, mais instruídos ou não, aprendem e ensinam mutuamente. A diferença é que cada um tem suas competências e habilidades individuais e específicas para cada função. Cada sujeito se prepara para realizar atividades conforme suas necessidades, estímulos e oportunidades. Nem sempre um sujeito é professor, médico, advogado, indigente, sem-terra ou ladrão, por opção. Muitas vezes o estímulo contribui. Algumas vezes a oportunidade – ou a falta de oportunidade – colabora ou atrapalha. Como diz o ditado: “Cada macaco no seu galho”.
A sociedade tem responsabilidade na construção do sujeito e na sua formação, assim como o sujeito tem responsabilidades na edificação de uma sociedade mais justa . Sujeito e sociedade se constroem reciprocamente e complementam-se mutuamente. A construção do sujeito é um processo histórico. Cada sujeito é fruto de sua História. Porém, a sociedade e a história são criações do homem e só existem na mente humana.
Portanto, cabe a cada um de nós o compromisso, enquanto indivíduos, sujeitos, protagonistas e sócios da sociedade, a responsabilidade de educar e incluir cada indivíduo nessa sociedade idealizada “platonicamente” e praticada “maquiavelicamente”.
Afinal, “quando o povo está informado e pode discutir, tem vontade própria e, assim, pode, cedo ou tarde, controlar as instituições da sociedade” .
Desta forma, descentralizamos o ensino institucional, assumindo o gerenciamento, a administração e a responsabilidade pela educação da sociedade, sem abrir mão e exigindo com mais freqüência, vigor e eficácia a responsabilidade do Estado em manter, patrocinar e investir na formação de professores, construção de escolas, investimento em instrumentos e materiais escolares entre outros recursos necessários a uma educação institucional com qualidade.
Se cada sujeito, letrado ou iletrado, pode ensinar e aprender, então somos todos professores e alunos. É isso mesmo, você é mestre e discípulo ao mesmo tempo.
Quando ensinamos ou seduzimos alguém a aprender, somos mestres, ou melhor, professores. Quando aprendemos ou somos seduzidos por alguém para aprender, neste momento somos discípulos, ou alunos, se preferir.
A relação ensinar-aprender - independente da Educação enquanto instituição - pode, deve e é exercida em qualquer lugar por qualquer membro da sociedade, letrado ou iletrado. Principalmente pelos pais.
Esta função não-institucional é exercício de cidadania e democracia. Isso não prejudica, não deprecia e não desqualifica a educação institucional exercida pelos profissionais da educação – os educadores - dentro ou fora da unidade escolar. Pelo contrário, é uma aliança positiva, necessária e complementar para a construção e manutenção da sociedade e formação dos cidadãos.
O professor - profissional habilitado para lecionar com formação superior e específica para o magistério - não precisa se preocupar com outros profissionais ou cidadãos que querem ajudar.
Quanto mais pessoas bem intencionadas somarem esforços para contribuir com a educação, melhor para a unidade escolar e muito melhor para a comunidade. Toda contribuição deve ser bem vinda e aceita. Quem ganha é a sociedade.
Todo cidadão ciente de sua missão, comprometido com a educação direta ou indiretamente, interessado em promover uma educação voltada para a construção de uma sociedade justa, livre e democrática, sem alienação, opressão e desigualdade social é um “Professor da Alegria”.
Afinal, uma sociedade saudável tem que ser feliz e para existir felicidade tem que vigorar a justiça, a verdade, a liberdade, a auto-estima e o bem-estar. Os professores da alegria não têm identificação - no sentido pejorativo, rótulo, estampa, crachá, etiqueta, marca - mas têm identidade. São todos os sujeitos que participam ativamente para libertar a sociedade da corrupção e desigualdade social proporcionando alegria por onde passam ensinando cada indivíduo – na sala de aula, na rua, na calçada, na praça - a trabalhar em função da comunidade, construindo o espaço democrático.
Os professores da alegria ministram suas aulas na sala de aula ou fora dela, proporcionando alegria, instigando a fome e a sede por justiça, despertando em seus discípulos a consciência e a necessidade de reivindicarem seus direitos e lutarem pela libertação da Educação. Com ética e sabedoria.
Professor: artista da educação
Um profissional que promove o desenvolvimento da capacidade intelectual, moral, espiritual e física de alguém, profissional com formação específica, habilitado para ministrar “educação” em instituição pública ou particular, capaz de transformar a sociedade e o mundo, com suas atitudes e exemplos, responsável pela formação e transformação de indivíduos em cidadãos-protagonistas, é sem sombra de dúvida o PROFESSOR.
O professor é o artista da educação. Utiliza-se da arte, de “sua arte”, a fim de atrair, conquistar, iludir, seduzir e libertar seu discípulo, pois “A ARTE E A EDUCAÇÃO LIBERTAM”!
Sua arte é singular. Sua habilidade, dedicação, fé, ternura e sensibilidade constroem esta obra de arte de valor incalculável chamada EDUCAÇÃO.
É o artesão que depois dos pais, molda, modela e lapida a personalidade, a índole, o caráter, a ética e o humor de cada sujeito, visando o bem comum. É quem faz a alegria na sala de aula, mesmo quando está triste, tornando cada aula mais atraente, saborosa e significativa. Transformando a sala de aula num ambiente mágico, único e especial.
Porém, nem sempre é possível estabelecer um relacionamento harmonioso, pacífico e agradável. Muitas vezes as diferenças existentes geram conflitos e situações constrangedoras. Isso tudo é fruto da evolução da sociedade, da mudança de valores, dos conflitos de gerações e dos padrões de vida da humanidade.
Este mago, capaz de hipnotizar platéias e controlar mentes, tem o poder em suas mãos. Basta um piscar de olhos ou um estalar de dedos para que tudo se transforme.
Bruxo, feiticeiro ou mago. Nada disso ou tudo isso. É simplesmente um professor. Seu poder está nas palavras, vem das profundezas de seu interior, da pureza da alma, da fé na Educação, de sua maneira de ser e estar.
É o profeta que prevê o futuro e guia seu “povo” para longe do cativeiro a caminho da “terra prometida”, em busca de paz, esperança, liberdade e melhores condições de vida.
Operário em construção da mais nobre obra: a EDUCAÇÃO. Incansável em sua tarefa diária e eterna. Otimista e esperançoso, pois sonha acordado com a construção da “escola dos nossos sonhos” e de uma sociedade melhor, através da educação.
No palco da vida, é o artista mais completo. No picadeiro da educação é palhaço e apresentador, proporcionando alegria ao público, que na maioria das vezes não ri da piada, não aplaude o espetáculo e vai embora sem entender e sem reconhecer o trabalho do artista popular.
Na corda bamba equilibra-se com seu salário, saltando de sala em sala no trapézio do magistério, demonstrando reflexo, agilidade e habilidade com acrobacias pedagógicas ousadas e exuberantes e malabarismos educacionais rápidos e precisos.
Para encantar o público com “truques” e “ilusões”, o professor sempre tem uma carta na manga ou um coelho em sua cartola.
Desconhecido e anônimo, o professor chora sem que ninguém perceba suas lágrimas intelectualizadas e incompreendidas.
Valente guerreiro, nunca desiste. Arregaça as mangas. Levanta a guarda. Desembainha a caneta. Respira fundo e vai à luta na batalha contra os vilões da educação: analfabetismo, ignorância, malformação profissional, preconceito, intolerância, corrupção, mesquinharia, mediocridade, hipocrisia, mentiras, demagogia, descaso, autoritarismo, politicagem, centralização do poder, má distribuição de renda, desigualdade social, salário baixo e defasado. Ufa! A lista é enorme. Mas o destemido professor está novamente em pé para combater os inimigos e superar as dificuldades da educação.
O professor é o profissional que, depois de longos anos de magistério, ao encontrar um ex-aluno e eterno discípulo, recebe um abraço caloroso de agradecimento por toda sua dedicação. É como um bom vinho, “quanto mais velho melhor”, fica mais saboroso.
Dizem que os professores não “reencarnam”! Vivem a vida terrena e mortal uma única vez. Quando morrem vão direto para o “paraíso”, lecionar para outros “anjos”.
Morre o mestre, fica o mito, perpetuado por sua obra.
Assim, o professor torna-se eterno.
Pelo mérito de missão tão nobre.
Que assim seja!
Relação Professor-Aluno
Não pretendo ensinar ao professor a arte de educar. Não existe fórmula ou receita de como se deve atuar em sala de aula. Muito menos regras autoritárias impostas pelo despotismo pedagógico de quem nunca pisou numa sala de aula. Existe ética e bom senso quanto à postura do professor em seu ofício de mestre.
Trata-se de uma reflexão sobre o papel do professor, seu objetivo e sua relação com os alunos no dia-a-dia da sala de aula e fora dela.
O processo ensino-aprendizagem exige do educador um envolvimento com o educando de forma que o ato de ensinar e o ato de aprender tenham em vista a produção – não só a reprodução - transmissão e a assimilação de conhecimentos para alcançar a plenitude do processo. Trata-se do compromisso e da responsabilidade do educador em proporcionar a oportunidade para que o educando por vontade própria se comprometa com a assimilação do conhecimento proposto. Neste caso, não importa a quantidade, mas a qualidade. Não adianta a transmissão de conhecimentos – informações – se não forem assimilados pelos educandos – receptores. É preferível que o professor transmita menos “informações” e certifique-se que o educando assimilou-as, entendeu o objetivo do processo de sua aprendizagem.
O professor deve servir de exemplo, sem preocupar-se com excesso de perfeição. Professor não é “super-herói”.
Não deve fragmentar o conhecimento, transformando-o em disciplinas e conteúdos vazios, inúteis e sem sentido. Deve ter visão holística ao transmiti-lo aos educandos. Mostrando as relações com o mundo e sua importância no contexto de sua existência, de seu cotidiano. Provocando a reflexão e a conscientização do educando sobre sua responsabilidade na sociedade.
Portanto, o professor tem de planejar sua aula considerando as etapas de desenvolvimento do educando. Respeitando a individualidade, limites e dificuldades de cada aluno. Conhecendo o contexto social do aluno e da comunidade onde vive. Muitos freqüentam a escola somente por causa da merenda. Outros estão na escola para poderem participar de projetos esportivos e sociais do bairro onde moram. Alguns só vão à escola por falta de opção. É preciso conquistar a confiança desse indivíduo propondo a ele a reflexão sobre sua existência e cobrando sua participação na transformação e construção da sociedade.
Ao planejar, o professor não precisa elaborar um tipo de aula para cada aluno, pode planejar a mesma aula para todos. A maneira de avaliar é que precisa ser diferenciada, assim como os resultados serão, conforme o desenvolvimento de cada educando. Esperar encontrar uma sala com alunos “perfeitos”, sem dificuldades de aprendizagem, disciplinados e comportados, é pura ilusão. Não existe aluno “ideal”, nossos educandos são reais.
É importante ouvir o aluno, para entender suas dificuldades e conhecer suas opiniões – isso faz parte do processo de avaliação - não apenas transmitir informações. Deve-se gerar um diálogo e não apenas um monólogo. Pois o professor não é a única fonte de conhecimento existente, é uma delas, e vetor de outras fontes, porém o aluno pode buscar informações em outros lugares. Nesse caso o professor torna-se orientador e responsável pela assimilação das informações ajudando o aluno a trabalhar com as informações recebidas. Tomás de Aquino afirmava que o conhecimento é construído pelo estudante e não simplesmente transmitido pelo professor. Portanto a troca de informações deve ser recíproca, prazerosa e bem-humorada.
Uma interação satisfatória no aspecto cognoscitivo precisa considerar o conhecimento do educador sobre as dificuldades e a fase de desenvolvimento dos educandos, pois um verdadeiro professor não desanima diante das dificuldades. Tem de superá-las quebrando as barreiras que distanciam o professor do aluno, a transmissão da assimilação. Também é preciso ter boa comunicação, ou seja, expressar-se bem, ser “claro e objetivo”. Nem sempre nossa comunicação é compreendida e às vezes é até distorcida. Muitas vezes nossa comunicação não clara. Quantas vezes ao corrigir uma avaliação nos surpreendemos com o resultado e nos espantamos com as respostas. Como exemplo da importância de uma boa comunicação sempre uso este texto, de autoria desconhecida: O Presidente de uma grande empresa comunicou a seu Gerente que na próxima sexta-feira, aproximadamente às 17 horas, o cometa Halley estará nesta área. Trata-se de um evento que ocorre somente a cada 78 anos. Assim, por favor, reúnam os funcionários no pátio da fábrica, todos usando capacete de segurança, quando, disse o presidente, explicarei o fenômeno a eles. Se estiver chovendo, não poderemos ver o raro espetáculo a olho nu, sendo assim, todos deverão se dirigir ao refeitório, onde será exibido um filme-documentário sobre o cometa Halley. O Gerente anotou o comunicado e informou ao Supervisor da empresa que por ordem do Presidente, na sexta-feira, às 17 horas, o cometa Halley vai aparecer sobre a fábrica. Se chover, por favor, reúnam os funcionários, todos de capacete de segurança e os encaminhem ao refeitório, onde o raro fenômeno terá lugar, o que acontece a cada 78 anos a olho nu. Imediatamente o Supervisor chamou o Chefe de Produção e comunicou-lhe que a convite do querido Presidente, o cientista Halley, 78 anos, vai aparecer nu no refeitório da fábrica usando capacete, pois vai ser apresentado um filme sobre o problema da segurança na chuva. O Presidente levará a demonstração para o pátio da fábrica, às 17 horas. O Chefe de Produção obedientemente correu para avisar o Mestre que na sexta-feira, às 17 horas, o Presidente, pela primeira vez em 78 anos, vai aparecer no refeitório da fábrica para filmar o Halley nu, um cientista famoso e sua equipe. Todo mundo deve estar lá de capacete, pois vai ser apresentado um show sobre a segurança na chuva. O Presidente levará a banda para o pátio da fábrica. O mestre, utilizando o sistema de som da fábrica, pegou o microfone e informou os funcionários que todo mundo nu, sem exceção, deve estar com os seguranças no pátio da fábrica na próxima sexta-feira, às 17 horas, pois o manda-chuva (o Presidente) e o Sr. Halley, guitarrista famoso, estarão lá para mostrar o raro filme Dançando na chuva. Caso comece a chover mesmo, é para ir para o refeitório de capacete na mesma hora. O show será lá, o que ocorre a cada 78 anos. Os Funcionários, obedientes, deixaram no mural da empresa o seguinte recado: AVISO PARA TODOS: Na sexta-feira o Chefe vai fazer 78 anos e liberou geral!
O mesmo ocorre numa escola e dentro da sala de aula quando o professor dá um recado ou explica o conteúdo e os alunos distorcem tudo. Por isso o professor tem de ter boa comunicação.
Também é preciso um bom plano de aula, clareza nos objetivos, bom humor, esclarecimento para os alunos do que se espera alcançar de cada atividade proposta e principalmente disciplina e limites na sala de aula para que os educandos tenham parâmetros e aprendam a respeitar os direitos alheios.
Porém, é importante ter consciência do papel do professor.
Professor não é pai, não é mãe e não é tio. Enfim, professor não é parente. É preciso distinguir o papel do educador a fim de evitar envolvimento emocional que não lhe diz respeito. A função do educador é a de orientar seu educando respeitando e considerando suas limitações intelectuais, físicas, mentais e sócioculturais.
O professor precisa dar afeto, mas para isso precisa ter afeto – ninguém dá o que não tem - receber afeto, viver afeto.
Se você tem um relógio, pode dar a quem quiser, porque é seu. Você pode dar seu carro a quem quiser, porque você o tem. Assim é com o Amor. Você só poderá amar alguém se tiver amor por você. Não se dá o que não tem. Somente podemos dar aquilo que temos. Portanto, o professor só pode dar e ter afeto por seus alunos se tiver afeto por si mesmo e recebê-lo também.
Esta é uma troca recíproca realizada entre professor-aluno, importante no processo ensino-aprendizagem.
Professor não é super-herói nem mesmo infalível. É um ser humano sujeito a falhas e deve ter esta consciência para seu próprio bem e para o bem comum de seus alunos.
Na sala de aula, o professor, é uma autoridade e deve agir e ser respeitado como tal. Para tanto, não deve confundir sua postura de autoridade com uma postura autoritária, o que muitas vezes desencadeia numa rebeldia ainda maior dos alunos.
O professor deve exercer sua autoridade dosando severidade, rigor, serenidade, equilíbrio e respeito e ao mesmo tempo desenvolver e respeitar a autonomia, a liberdade de expressão dos alunos lembrando sempre que está formando cidadãos e não adestrando animais. Deve preparar cada aluno para a liberdade. O ato de educar deve ser um ato de libertar, nunca alienar.
Portanto, é fundamental que o professor saiba dialogar, falar e ouvir. Também é importante que o professor seja humilde e admita quando não souber ou não for capaz de solucionar um problema, buscando ajuda de pessoas e profissionais competentes e preparadas para a questão em destaque.
A relação professor-aluno é uma interação, uma troca de experiências que envolvem conhecimentos por parte do professor sobre cada fase de desenvolvimento do aluno. O professor interage com cada aluno, e para isso deve entendê-lo para que possa ajudá-lo. Se o estudante não aceitar a ajuda, não adianta o professor insistir, é inútil.
O professor deve conhecer claramente seu papel na sala de aula e sua importância na sociedade. Deve ter consciência de seus objetivos e dos resultados esperados de cada aluno. Os resultados devem estar de acordo com a fase de desenvolvimento do aluno da qual o professor deve ter conhecimento para não exigir do educando um resultado que está além de suas possibilidades. Não adianta exigir que o aluno se prepare para um vestibular se este não tem intenções de cursar uma faculdade. Primeiro, é preciso saber quais são seus planos, depois despertar o interesse por uma faculdade, se for o caso. “Quando alguém quiser converter o outro à própria opinião, precisa se aproximar dele, tomá-lo pela mão e guiá-lo” .
Cada indivíduo é singular não existindo outro igual – felizmente - portanto, é impossível homogeneizar o conhecimento e os alunos. Por isso, “as tentativas de uniformização dos alunos – no aspecto cultural – fracassaram”.
O professor não deve e não pode esperar formar ou criar super-heróis, deuses, santos, gênios, humanos “perfeitos” ou máquinas. O professor deve ter consciência de que precisa formar apenas seres humanos capazes de pensar, sonhar e realizar seus sonhos, criar e construir um mundo melhor, rumo à civilidade.
Piaget x Pinochet
A disciplina na classe
Esta é uma das queixas mais freqüentes dos educadores: DISCIPLINA dos alunos.
É por esse motivo que muitos professores se afastam da sala de aula tirando licença-médica alegando estarem estressados por causa da indisciplina dos alunos, e com razão.
Se tivermos que acabar com os problemas, e a sala de aula é o problema, então… “Boomm”!
Mas as coisas não funcionam assim, seria muito fácil isolar-se numa biblioteca, mosteiro ou numa montanha bem alta para refletir sobre a vida, sobre o mundo, sobre a educação. O difícil seria voltar para a sociedade, para a sala de aula, viver e conviver em grupo. Encarar as dificuldades profissionais e pessoais não é tarefa fácil. Enfrentar as divergências e contradições da sociedade e de uma sala de aula é uma empreitada que exige muita competência, tolerância e facilidade de adaptação e aceitação. Aceitar as limitações pessoais é libertar-se dos grilhões que alienam o indivíduo aos padrões preestabelecidos pela sociedade.
Não é fácil viver em grupo, é preciso habilidade, paciência, tolerância, flexibilidade, amor e muito bom humor.
“Se não podemos vencê-los, juntemo-nos a eles”. Se o problema é comum entre pais, professores e sociedade, então devemos unir nossas “forças”, interesses e “energias” para resolvermos o “problema” juntos. Não adianta agir isoladamente. Em casa os pais sofrem com filhos “rebeldes”, desobedientes e sem-limites. Na escola os professores penam com alunos indisciplinados, sem-limites e muito ativos. Na sociedade os cidadãos reclamam de jovens que não respeitam regras, sinais de trânsito, que usam drogas e são barulhentos e violentos. O problema é comum a todos nós: pais, professores e cidadãos.
Não podemos demonstrar fraqueza, pois os alunos que se tornam obstáculos para o trabalho docente e decente são líderes e ao perceberem nosso ponto fraco, assumirão de vez o poder naquela sala. Isso se repete em casa com os pais e na sociedade.
Quando nos mostramos incapazes e não chegamos aos resultados esperados, corremos o risco de ficarmos sem nosso trabalho.
Imagine se um dia todo o ensino público - escolas municipais e estaduais e universidades estaduais e federais - for privatizado. Quantos profissionais da educação continuariam no emprego por competência e capacidade? Talvez todos. Talvez nenhum. Quem sabe, alguns.
Há dois tipos de educadores: os que são de fato e os que estão apenas ocupando espaço. O primeiro tipo trabalha em qualquer escola, em qualquer setor da educação. Já o segundo tipo estraga e atrapalha a qualidade da educação.
Para Chalita o problema não é a sala, ou seja, os alunos, mas o professor que não consegue relacionar-se com o grupo. Faltam-lhe instrumentos ou conhecimentos suficientes para manter a harmonia e conquistar a sala considerada problema.
É duro admitir, mas a verdade é que parte dessa “indisciplina” é conseqüência da falta de planejamento do professor ou, muitas vezes, falta de domínio do conteúdo apresentado aos alunos. Mas isso só ocorre com os professores que apenas ocupam espaço, os do segundo tipo. Não é justo classificar todos os professores igualando-os por baixo, quando existem excelentes professores, aqueles que fazem a diferença nas escolas. Há excelentes professores que sofrem com a indisciplina de educandos que desconhecem limites e regras.
Numa escola trabalham vários profissionais da educação. Na sala de aula, entram e saem vários professores por dia. Os estudantes se relacionam e convivem com muitos indivíduos diariamente ao longo de suas vidas. Portanto, é problema da sociedade, ou seja, cada cidadão-societário.
É muito fácil culpar, acusar, julgar. Como disse, o professor tem apenas uma parcela de responsabilidade quanto à disciplina na sala de aula.
Outras parcelas cabem a diretores, supervisores, secretários, ministros, presidente da República, pais e a sociedade em geral.
A falta de planejamento começa no mais alto escalão da sociedade. Planejamentos que privilegiam a classe dominante do país existem. Mas projetos voltados ao educando enquanto indivíduo e sujeito, voltados às famílias e a sociedade são raros se é que existe algum projeto sério. No papel existem muitos projetos com verbas destinadas a suas realizações. Na prática poucos projetos são eficazes, mas o desperdício e o desvio de dinheiro público arrombam os cofres públicos e assaltam os bolsos dos cidadãos. Começa aí a falta de ética e de limites.
É muito fácil ficar atrás de uma mesa cheia de papéis, relatórios, planilhas, estatísticas, “exilado” em um gabinete dentro de uma repartição governamental interpretando gráficos e cálculos e simplesmente apontar que a indisciplina na sala de aula é culpa dos professores. Os professores têm parte da culpa pela indisciplina, mas é uma parcela pequena. A maior parcela cabe aos pais que raras vezes têm tempo para seus filhos. Quando não estão ocupados com tarefas mais importantes – trabalho, reuniões, etc. – estão distraídos com novelas, futebol, noticiários, internet, entre outros entretenimentos. E os filhos? Que filhos? Ah! Sim, os filhos. Quando sobrar um tempinho, talvez pais e filhos possam conversar.
Cada cidadão tem uma parcela de responsabilidade. Cada família deve responsabilizar-se por seu filho. Principalmente os pais que são os primeiros e mais importantes educadores dos filhos.
Algumas crianças já chegam à escola sem limites ignorando a existência de regras. O resultado é a indisciplina dos alunos. Conseqüência da falta de planejamento familiar. Os pais também devem arquitetar e estruturar um relacionamento saudável, responsável e comprometido com os filhos para que estes aprendam, através do espelhamento familiar, boa conduta, respeito e limites. Limites e regras servem para proteger a sociedade de uma desordem.
Que professor nunca “perdeu a cabeça” com um aluno ou uma sala inteira? Todo educador passa ou já passou por situações difíceis e constrangedoras dentro de uma sala de aula. Precisamos aprender a contorná-las.
Só quem pisa no chão da escola, dentro de uma sala de aula, pode dizer o que realmente acontece entre as quatro paredes, o piso e o teto da sala na relação entre professor-aluno. Quem nunca pisou no chão da escola, não faz idéia do universo educacional existente em cada sala de aula.
São tantas metodologias, correntes e teorias educacionais, muitas delas formuladas por “profissionais, pesquisadores e especialistas” que nunca pisaram numa sala de aula de ensino fundamental e médio de uma escola pública onde boa parte dos educandos são vítimas de um sistema político e econômico administrado por uma elite dominante preocupada apenas com lucros crescentes, cargos bem remunerados para seus parentes e discursos ideológicos demagógicos.
Na sala de aula, sem saber que atitude tomar, o professor oscila de um extremo a outro.
Enquanto alguns professores tentam aplicar teorias de Piaget, Vygotsky, Emilia Ferreiro, Paulo Freire, Cipriano Luckesi, muitas vezes sem resultado algum, outros inspirados por Pinochet, Saddam Hussein, Osama Bin Laden, George W. Bush, tentam impor a disciplina na sala a base de gritarias, ameaças, autoritarismo, despotismo e mau humor.
Os alunos percebendo o ponto fraco, o “calcanhar-de-aquiles” de cada professor “comportam-se” na aula do “Professor Pinochet” e derrubam a escola na aula do “Professor Piaget”.
O problema da indisciplina na sala de aula está além da sala de aula e aquém do papel do professor. É um problema social, portanto cabe a toda a sociedade comprometer-se e colaborar para que a indisciplina não seja mais um problema para a escola.
Enquanto a família, considerada a base da sociedade, não assume sua responsabilidade, pois existem pais que “abandonam” seus filhos numa escola e só aparecem para assinar a rematrícula, quando aparecem, e o restante da sociedade acomodada e conformada se diverte com a política do “pão e circo”, o professor tem de “acordar” e tomar uma atitude.
Não adianta esperar que a fada madrinha faça alguma coisa, é preciso agir, chamar os responsáveis e acionar as autoridades para que cumpram seus deveres com responsabilidade.
O educador tem de provar que é uma autoridade competente na sala de aula, para isso deve demonstrar respeito aos alunos, conhecimento do assunto abordado, dedicação profissional, senso de justiça, bom senso, boa conduta, postura política, ética, coragem e ousadia.
Tem de ter boa comunicação de modo que os alunos compreendam sua transmissão e ao mesmo tempo saber ouvir e ainda aproveitar as informações dos educandos para enriquecer a aula.
Para que uma aula seja bem sucedida, o professor precisa ter organização, um bom plano de aula, controle da aprendizagem, ética profissional bem clara para os alunos, estimulação que provoque a motivação dos alunos.
Enfim, o professor não precisa e não deve ser autoritário para manter a “disciplina” da sala de aula, isso provocaria uma rebeldia desenfreada dos alunos que acabariam descontando em outro professor ou até contra a escola. Porém, deve ser firme em suas decisões e rígido quanto a disciplina e limites na sala de aula. Pois, sem limites não há bom professor. Podem existir monitores. Porém, professores, só com limites.
Independentemente de nossa postura, temos conhecimento de metodologias e correntes das mais diversas, portanto, não podemos alegar ignorância perante tais informações recebidas, mas é necessário reconhecermos que não somos mais a única fonte de conhecimento, e sim uma das fontes, porém a mais importante, pois nós podemos transmitir calor humano, compreensão e respeito.
A proposta é provocar uma discussão que não pára aqui, mas que continue sempre a fim de melhorar a relação professor-aluno no processo ensino-aprendizagem e principalmente solucionar um dos problemas que atormentam pais e profissionais da educação: INDISCIPLINA.
Família na Escola
“As famílias devem ser encorajadas a representar um papel maior – não menor – na educação dos jovens. Os pais, dispostos a ensinar seus próprios filhos em casa devem ser ajudados pelas escolas, não considerados como anormais ou transgressores da lei. E os pais devem ter mais influência, não menos, nas escolas.”
A criança ao nascer não tem noção da diferença entre ela e o mundo externo, não tem o conhecimento de sua individualidade e por isso é centrada em si mesmo. Tudo que se passa ao seu redor é para ela, por ela e por causa dela.
Durante a evolução de sua relação com a mãe e com a família ou com quem desempenhe essa função, vai individualizando-se, adquirindo autonomia, criando então sua auto-imagem através do espelhamento.
Entendo por família o grupo de parentes, pessoas que possuem o mesmo “sangue” ou não e que vivem na mesma casa, particularmente pai, mãe e filhos. Atualmente, a responsabilidade pela educação da criança vai além da família, que muitas vezes não assume esse compromisso devidamente. Muitas crianças são “educadas”, ou seja, “criadas” pelos tios, avós, padrastos ou quem assume a responsabilidade pela tutela da mesma, até mesmo escolas onde as crianças ficam em período integral. Neste caso as crianças são criadas e educadas pelas escolas.
Dependendo de como ocorre essa relação, chamada de espelhamento, a criança construirá uma auto-imagem melhor ou pior e assim então desenvolverá a auto-estima e autoconfiança. “A auto-estima é a fonte interior da felicidade.”
Existem características do espelhamento, que poderão interferir para melhor ou pior nestes três pilares básicos de personalidade do indivíduo, repercutindo em seu modo de vida, em sua conduta e na saúde.
As pessoas portadoras de uma auto-imagem fiel, auto-estima e autoconfiança elevada, adaptam-se com mais facilidade à diferenças culturais e são mais resistentes aos mais diversos problemas encontrados ao longo da vida, como por exemplo, na adesão às drogas, aos problemas de relacionamentos e aos seus próprios conflitos internos, estando então melhor capacitadas para fazer escolhas, enfrentar seus conflitos e sociabilizar-se.
No caso de comportamento negativo dos pais, a situação vai se agravando. Cada uma dessas expressões significa coisas importantes e já iniciam na gestação um processo em que a criança espelha-se nos pais e vê o reflexo de sua imagem, fará com que tenha ou não auto-estima, auto-imagem e autoconfiança. Muitas vezes, os problemas ocorrem devido a vontade de homogeneidade dos pais, ao desejarem que seus filhos sejam iguais aos do vizinho, por exemplo. “Será melhor para o pai que o filho seja igual a ele. Pois se for igual ao vizinho, o problema será mais grave.”
Na verdade, as diferenças é que produzem mais. A energia elétrica é gerada através das diferenças (+ e -). Homem com homem não geram filhos, pois são iguais. Diferença não é inferioridade. Ao contrário do que pensam alguns pais.
Algumas crianças chegam à escola sem limites ignorando a existência de regras. O resultado é a indisciplina dos alunos.
Os pais devem iniciar em casa o processo ensino-aprendizagem, pois também são professores, educadores e mestres de seus filhos. Os pais e as escolas compartilham a mesma empreitada de educar crianças e adolescentes.
A ausência de limites é imperdoável. Uma criança sem-limites não é livre nem feliz. Não aceita “perder”, não consegue relacionar-se saudavelmente com outras crianças e não admite receber um “NÃO” como resposta. Surge uma “rebeldia” desenfreada.
Cabe ao pai estabelecer limites. Cabe à mãe confirmá-los. A educação de um indivíduo começa logo ao nascer quando os pais disciplinam e condicionam a criança para “mamar, dormir, brincar, obedecer e respeitar regras”, entre outras atitudes adquiridas pela criança através do espelhamento com os pais. A criança aprende regras e limites logo ao nascer. Os pais também devem planejar a educação dos filhos através de um relacionamento saudável, honesto, responsável e comprometido para que estes aprendam através do espelhamento familiar boa conduta, respeito, ética e limites.
Enquanto a família, considerada a base da sociedade, não assume sua responsabilidade, por ignorância, comodismo, incompetência ou qualquer impossibilidade, a escola continuará recebendo crianças e adolescentes sem limites e “indisciplinadas” e a sociedade receberá um exército de indivíduos que não respeitam leis. Então, continuaremos ouvindo de alguns pais em reuniões de “pais e mestres”: “Não sei mais o que fazer. Meu filho não me ouve, não me obedece”.
Se um filho não tem respeito pelos pais, por quem terá? Pela polícia talvez!
Muitos pais reclamam que não têm tempo para seus filhos. Muitos, porém, conseguem tempo para curtir os amigos num bar bebendo cerveja ou jogando baralho. Outros encontram tempo para o futebol nos finais de semana. Na hora da novela, do futebol na televisão, do filme ou do telejornal, na “viagem” pela internet, ninguém quer ser interrompido. Para conversar com os filhos não existem cinco minutos do precioso tempo dos pais.
É hora de rever as obrigações do dia-a-dia e replanejar a “vida”.
“Não é só a escola, seja ela qual for, a educar, mas a vida inteira em sua plenitude” . Portanto a sociedade, a escola, o professor, a família e principalmente os pais têm obrigações e responsabilidades nesta empreitada que não é pequena nem fácil. Mas alguém precisa assumir e comprometer-se com a educação antes que esta também fique abandonada e sem “família”.
Papel da Escola
A nossa sociedade é tão livre e permissiva e as pessoas têm tantas opções, que não podem tomar suas próprias decisões eficazmente. Elas querem que outras tomem a decisão e a seguirão.
O comodismo, a falta de idéias e sonhos, o individualismo, a pobreza, a fome, o desemprego, a submissão, a alienação e o não-pensar, transformam os indivíduos em súditos, que passam a ser escravos e logo se tornam “gado”.
Aquele que pensa é louco, porque questiona. Louco é aquele que pensa. É preciso interrogar a realidade, assim como interrogar-nos sobre a realidade. “A realidade é mais complexa do que imaginamos”.
Não podemos cair na besteira de não pensar, de não interrogar a realidade. Precisamos ser educadores cidadãos-protagonistas para formarmos educandos cidadãos-protagonistas. Temos de formar o sujeito. Aquele que não é objeto, que não é coisa, que não é súdito, que se relaciona com autonomia, que não se deixa manipular ingenuamente, que é protagonista de sua própria história. Que não se acomoda, mas que se incomoda com a injustiça e incomoda os malfeitores. Esse é o papel da escola: instruir, formar, provocar, instigar, incomodar, transformar, libertar o sujeito de sua própria ignorância política, econômica, social e cultural.
Somos educadores, cidadãos, sujeitos, protagonistas e transformadores da sociedade em construção. Somos “formadores” de cidadãos não de súditos. Somos libertadores, não alienadores.
Em aproximadamente 500 anos de Brasil que não são 500 anos de Brasil, mas de colonizadores, de colonização, de ocupação, considerando a partir da chegada oficial do português-colonizador ao Brasil em 1500, data oficializada pelos portugueses por conveniência e interesses, devemos questioná-la como cidadãos, antes de aceitá-la como súditos.
Destes 500 anos, 400 foram de escravidão… Acabou? A “independência política” foi declarada em 1822, mas a escravidão, a submissão e a dependência econômica continuaram existindo. A República só foi implantada em 1889. O processo democrático brasileiro só foi realmente estabelecido a partir de 1985, com o fim da Ditadura Militar. O processo eleitoral direto e democrático no Brasil, que reuniu grande número de eleitores para eleger um presidente da República após o fim da Ditadura Militar, só acorreu em 1988, com a vitória de um presidente “caçador de marajás” que assumiu em 1989. Que decepção! Quanto tempo de povo, de democracia, de cidadania, de consciência política o Brasil tem?
Qual o sentido de ser? Qual a identidade do Brasil? Qual a identidade do professor? Qual a identidade e o papel da escola? Qual a identidade da sociedade? Qual a identidade da família? Qual a identidade do educando?
É preciso pensar. Pensar para interrogar. Interrogar para buscar uma resposta. Ou se tem uma boa escola da base para cima, ou não teremos cidadãos, mas sim colonizados. E estaremos comemorando e perpetuando 500 anos de colonização, submissão e escravidão.
O mal da educação é estar voltada ao mercado de trabalho, introjetando nas cabeças “inocentes” dos educandos que é preciso estudar para se conseguir um bom trabalho… trabalho… trabalho… e trabalho… Será que quando todos os jovens possuírem diplomas e certificados de todos os cursos exigidos pelas empresas, pelo mercado de trabalho, haverá emprego para todos? Se todos os habitantes do planeta - mais de seis bilhões de seres humanos - se adequarem às exigências do mercado de trabalho, todos, sem exceções, terão trabalho e emprego garantidos? E o vestibular. Será que todos os alunos de escolas públicas e particulares aptos para prestarem o vestibular terão suas vagas garantidas nas universidades estaduais e federais se passarem nos exames? Certamente não. Com isso, manipulamos, robotizamos, alienamos, castramos sonhos, nos enganamos, enganamos e bestializamos os educandos transformando-os em indivíduos cada vez mais individualizados, competindo entre si num mercado de trabalho capitalizado e elitista. Os indivíduos tornam-se súditos de um sistema manipulado por uma minoria dominante que detém o poder e os meios de produção. Preparamos a mão-de-obra para o mercado de trabalho.
E o sonho de formar cidadãos críticos, conscientes e livres. Utopia? É o que falta para muitos educadores e humanos. Utopia, ideal e ética. Para transformar a escola num espaço onde se produza conhecimento e se desenvolva a criatividade, sem a preocupação com a reprodução do conhecimento para o mero condicionamento voltado ao mercado de trabalho e ao vestibular. Nessa escola, o professor é o provocador de “problemas” e “parteiro” que auxilia o educando para “dar a luz” ao conhecimento . Esta escola é a “Grande Maternidade” onde “nascem” os condutores desse conhecimento.
Como alcançar o sucesso sendo professor
Por que os grupos religiosos, seitas, etc., conseguem quase total dedicação e obediência de seus membros? Seu segredo é simples. Eles compreendem a necessidade para a comunidade, a estrutura e o significado. Pois essas coisas são o que todos os cultos mascateiam. É uma das coisas que faltam ao professor: compreender a necessidade para a comunidade escolar e social, a estrutura sóciopedagógica e sócioeconômica e o significado de educar para formar cidadãos e transformar a sociedade. Lembra-me uma história:
- Um ratinho estava dentro de sua toca querendo sair para pegar um pedaço de queijo que estava sendo vigiado por um gato. Cada vez que o ratinho tentava sair de sua toca para pegar o queijo, então o gato atacava-o com uma patada sem acertá-lo. Quando o gato desaparecia, o rato rapidamente saia de sua toca e novamente era surpreendido pelo gato que surgia de repente do nada. Até que um som chamou a atenção do ratinho. Alguns latidos distantes. – “Au! Au! Au!…” Era um cachorro presumiu o ratinho. – “Au! Au! Au!…” O gato tinha desaparecido e desta vez seria a chance do ratinho que pensou: “Com um cachorro por perto, o gato não será tolo de se aproximar”. Então o ratinho saiu de sua toca, aproximou-se do queijo e quando ia dar o bote… foi agarrado pelo gato.
- Ué, seu gato! - exclamou o ratinho. Você não fugiu do cachorro?
- Que cachorro? - perguntou o gato.
- O cachorro que estava latindo lá fora.
- Ora, não existe cachorro nenhum.
- Como não? eu ouvi latidos de cachorro lá fora.
- Era eu…
- Ora, e desde quando gato sabe latir?…
- Meu caro ratinho, em tempos de “GLOBALIZAÇÃO”, quem não souber duas línguas está perdido…
Significa dizer que é preciso que o professor esteja sempre atualizado e acompanhe o desenvolvimento humano e tecnológico para que seus métodos não se tornem arcaicos, ultrapassados e impraticáveis. Se uma metodologia não funciona é preciso mudar de estratégia. Porém as mudanças estão acontecendo rápidas demais o que de certa forma torna-se perigoso para o desenvolvimento do ser humano.
Esse fenômeno de transformação deve ser desacelerado, pois, não é a mudança em si, mas a aceleração, a rapidez dos acontecimentos que provocam tantas confusões. As mudanças estruturais entram em crises por causa dessa aceleração.
O sentido de ser é substituído pelo sentido de ter. A globalização econômica abastecida pelo desenvolvimento capitalista tenta globalizar a cultura no planeta, provocando uma aculturação global. Essa globalização aculturada injeta na cabeça da população mundial uma falsa ideologia de vida e consumo, distorcendo os conceitos e valores tradicionais, impondo uma nova cultura dominante, enlatando idéias, criando em cada ser humano uma aversão ou esquecimento da própria raiz, de sua própria cultura, “desumanizando”, robotizando, coisificando e alienando o humano.
Os padrões tradicionais mudam, e o problema está na distorção desses padrões que passam a ser mal interpretados e mal-assimilados. Não sou contra a utilização de equipamentos modernos como televisão, rádio, computador, internet para uma aula. Isso enriquece muito o trabalho docente se souber aproveitar e usufruir dos recursos tecnológicos sem exagero, com moderação. Com cuidado para não valorizar mais a máquina e desvalorizar o ser humano. O problema está na aversão que alguns professores têm em utilizar tais máquinas e recursos existentes por não aceitarem mudanças e transformações, por simplesmente não admitirem que seus métodos e técnicas sejam arcaicos e devem ser atualizados, o que desestimula o educando que desvia sua atenção para “coisas” mais atraentes. Portanto, é preciso aprimorar, aperfeiçoar a técnica de ensinar e aprender a utilizar os recursos disponíveis. O professor precisa aprender a utilizar os benefícios das máquinas. Consciente de que esses recursos devem servir de apoio ao docente, não substituí-lo como querem ou pensam alguns. Com máquinas ou sem máquinas, o professor deve “sacar” sua importância e valor e aperfeiçoar seus métodos, atualizando suas técnicas. Criando seu estilo. “Falando” o idioma do aluno. Os educandos aprendem com rapidez e facilidade quando querem aprender. É preciso aprender seu idioma. Assim como o gato que aprendeu a latir para enganar e atrair sua presa, o professor necessita falar na linguagem do educando para atraí-lo e estimulá-lo a aprender. Principalmente entre os adolescentes. A comunicação utiliza uma linguagem “tribal”. O professor não precisa aderir ao “movimento”, mas precisa conhecer o “dialeto local”.
Enfim, a globalização cultural é impossível, mas essa aculturação provocada pela globalização econômica é inevitável. Surge a idéia e a sensação de que tudo é descartável, até os seres humanos. “Usou, joga fora”! Se o casamento não der certo, separa-se. Se os pais estão velhos demais, “joga-os” num asilo, numa clínica de “repouso” ou na rua. Se o recém-nascido é um estorvo ou possui alguma deficiência, abandona-o no lixo, num lago. Se a criança ou o adolescente não têm limites, deixe que a escola resolva. Se o educando é um problema para a escola, livra-se dele. Se o sistema penitenciário não dá conta do problema, o que fazer? Não é tão fácil quanto parece. Nem tudo é descartável, muito menos os seres humanos.
A questão da valorização do ser humano deve ser considerada, pois nossa sociedade valoriza muito a máquina, a técnica, o diploma e se esquece do ser humano, do ser social, do sujeito, do cidadão.
É preciso fazer uso de tal tecnologia e que essas máquinas sejam utilizadas para beneficiar o homem. A máquina deve servir a humanidade e não o contrário. O sujeito não deve ser escravizado ou substituído pela máquina como vem ocorrendo na maioria das empresas impulsionadas pela acumulação de lucros cada vez maiores. É preciso aprender a usufruir dos benefícios que a tecnologia pode proporcionar à humanidade e partilhá-las.
Se a máquina, a televisão, o computador, a internet, o livro didático fossem suficientes por si só, o Brasil já teria a melhor educação do mundo, pois o Governo Federal gasta no Brasil muito dinheiro por ano em livros didáticos e computadores para equipar as escolas públicas. Isso não basta. O professor é insubstituível, mas precisa rever as técnicas de ensino e utilizar o material disponível.
Toda essa aceleração dos fatos e acontecimentos provoca mudanças rápidas num curto prazo de tempo, alterando os conceitos, valores e padrões da sociedade, criando uma nova noção, a noção do efêmero, do descartável, de que tudo que se usa é descartável, só se usa uma vez e joga-se fora, quando o mundo de hoje precisa de uma noção reciclada que crie a noção de reciclagem, de reaproveitamento das coisas que podem ser reaproveitadas. Inclusive os seres humanos.
Este é um desafio para o professor. Resgatar o valor do ser humano no âmago de cada sujeito despertando-o para sua existência e importância no planeta e no universo. Provocando o aluno a pensar e criar. Nunca deixar de pensar e criar para que seu cérebro e sua criatividade não atrofiem. Desabrochar em cada discípulo o sentimento de responsabilidade, obrigação e compromisso com a transformação da sociedade e construção de um futuro melhor. Estimular e motivar o educando para que viva a plenitude da solidariedade, da fraternidade, da liberdade, da justiça e principalmente da ética, do amor e do bom humor.
Quando o professor conseguir realizar esse objetivo alcançará o sucesso como PROFESSOR. Missão cumprida!
Educação: chave para a mudança
A Educação é a chave para a mudança. Somente a Educação realizada com compromisso, responsabilidade, verdade, ética, amor e bom humor pode revolucionar a sociedade, portanto, o indivíduo. Somente uma Educação empenhada em praticar e ensinar com compromisso, responsabilidade, verdade, ética, amor e bom humor é capaz de transformar o indivíduo e formar cidadãos.
Para isso, faz-se necessário que a instituição chamada “EDUCAÇÃO” desempenhe sua verdadeira função social: formar CIDADÃOS CRÍTICOS, CONSCIENTES E LIVRES! De preferência BEM-HUMORADOS.
Enquanto isso não acontecer, continuaremos presenciando e vivenciando uma sociedade cada vez mais doentia, desestruturada, alienada, miserável, escravizada e “mal-humorada”.
Uma instituição – no caso da rede pública de ensino - construída para formar sujeitos pensantes está apenas fazendo o jogo de uma minoria elitizada lançando na sociedade indivíduos robotizados e condicionados ao trabalho apenas. Esta é uma contradição. A escola – estabelecimento que desenvolve a educação - que formaria ou deveria formar indivíduos com pensamento autônomo, visando ao bem comum, “contenta-se” apenas com a informação e o adestramento de indivíduos cada vez mais individualizados e programados que visam apenas a interesses pessoais.
Um dos principais problemas da nossa sociedade é o individualismo. E o que tem feito a educação pela formação societária e pela cidadania? Ela parece estar voltada muito mais para a reprodução do individualismo, hierarquizando a força de trabalho, do que propriamente educar para uma vida comunitária, solidária. A educação tem-se centrado em seu papel de preservação da sociedade e seu potencial transformador tem sido quase sempre ignorado.
O educador tem a chance de repensar a educação. O educador, ao repensar a educação, repensa também a sociedade, a história. O ato educativo é essencialmente político. O papel do professor é um papel político.
Então como conciliar o indivíduo, a sociedade e a Educação?
Atendendo as necessidades da sociedade. Mas quais são as necessidades da sociedade? Eis a questão. Estamos tapando o sol com a peneira. Precisamos formar o sujeito enquanto indivíduo. Cidadãos capazes de pensar, portanto, capazes de solucionar problemas. Que vejam na Educação a chave para abrir muitas portas. Infelizmente, o educando atualmente vê a Educação sem nenhum estímulo, pois esta não lhe oferece oportunidades, ao contrário, castra seus sonhos.
Há uma pedagogia que reforça o silêncio em que se acham as massas oprimidas e uma pedagogia que tenta dar-lhes a palavra.
A Educação não atende as aspirações da sociedade, pois não aceita a forma de pensar do indivíduo, ao contrário, quer impor sua própria forma de pensar, forma que já vem enlatada pela elite dirigente do país.
Portanto, fazemos uma pedagogia do oprimido ou fazemos uma pedagogia contra ele .
Não há Amor, compromisso, responsabilidade, verdade, ética e bom humor nessa educação disfarçada e dominada pela elite. Por isso, para atender as necessidades da sociedade, é preciso saber quais são suas necessidades e aspirações e então atendê-las. E quem melhor do que a sociedade, ou melhor, os societários para saber quais são suas necessidades?
É preciso descentralizar a administração do ensino institucional, assumindo o gerenciamento, a administração e a responsabilidade pela educação da sociedade, sem abrir mão e exigindo com mais freqüência, vigor e eficácia a responsabilidade do Estado de manter, patrocinar e investir na formação de professores, na construção de escolas, no investimento de instrumentos e materiais escolares entre outros recursos necessários a uma educação com qualidade. Cabe ao governo em parceria com as empresas privadas investir na Educação como prioridade nacional e mundial, com seriedade, responsabilidade e principalmente honestidade. À sociedade cabe fiscalizar, reivindicar e participar. Aos educadores resta administrar a educação, pois somente quem pisa no chão da escola sabe quais são suas prioridades e necessidades.
A Educação deve servir o homem e não escravizá-lo. Sua função é libertar a humanidade da ignorância e construir uma sociedade melhor. Para isso, tem de preparar o homem para ser criativo e capaz de solucionar problemas. De que adianta “enchê-lo” de informações se ele não souber o que fazer com elas?
A Educação também deve valorizar o ser humano e educá-lo para a cidadania. Para isso, é preciso assumir sua função social de realmente formar cidadãos críticos, conscientes e livres.
A pedagogia do diálogo, centrando o problema da educação na relação professor-aluno, desviou a atenção para um problema importante, mas não principal. O problema central continua sendo a relação da educação com a sociedade, essencial para entender a própria relação professor-aluno. O problema fundamental da educação do nosso tempo continua sendo a vinculação entre o ato educativo, o ato político e o ato produtivo .
Mas quem faz a Educação? Novamente o sujeito surge como personagem principal. A Educação é realizada por sujeitos, ou melhor, por GENTE. Gente que precisa de alimento, descanso, lazer, reconhecimento, estímulo, AMOR, bom humor e salário digno. Estou me referindo aos profissionais da Educação, especialmente o PROFESSOR, este gigante capaz de “MILAGRES” pelo que recebe como salário . Compare o salário de um professor com o salário de um vereador, de um deputado estadual e de um deputado federal.
Certo que existem muitos professores incapacitados que não fazem jus ao que recebem – há professores que só ocupam espaço - mas a culpa também não é deles. É NOSSA! Por aceitarmos que a Educação se transforme em balcão de negócios, cabide de empregos, mercadoria nas mãos de políticos que representam as oligarquias do país. Não é à toa que todo regime totalitário – ditadura – mantém o controle absoluto da educação. Todo político percebe que a educação é um dos pilares de uma nação. Controlar a formação do sujeito permite manipular toda a sociedade.
Não podemos generalizar. A maioria dos profissionais da educação é digna do cargo que ocupam, ao contrário do que alguns “especialistas” em educação dizem por aí. Acusam os professores pelo “fracasso” da Educação.
Se a Educação fracassou é porque a sociedade fracassou. E se a sociedade fracassou é porque a humanidade fracassou. Felizmente, isso não ocorreu.
Somente pessoas fracassadas vêem a Educação como uma instituição falida. A educação nunca fracassará. Porque existem pessoas que acreditam no seu sucesso. Porque existem muitos professores da alegria. Porque é um dos segmentos da sociedade que mais recebem investimentos, o problema é que a verba destinada para a educação é na maioria das vezes desviada para mãos erradas, ou pior, para bolsos errados .
Há escolas que investem no educando e no educador, valorizando-os como ser humano. Conseqüentemente, a auto-estima se eleva e o bom humor se manifesta. Mas esse é um trabalho coletivo de uma equipe que “pensa” e age como um time. Num time, todos os componentes são responsáveis pelo resultado da partida. Se um dos participantes não está bem, o resto do time sente, pois “depende” daquele membro. A partida deve ser jogada por todos. Quando o time perde, todos perdem, o trabalho é coletivo. Assim deve ser uma escola. Assim deve ser a Educação. Assim agem os professores da alegria: trabalhando sempre em equipe em benefício da coletividade.
Não importa a posição do Governo, a hegemonia do capitalismo, a religião oficial ou predominante no mundo, as previsões dos gurus, as opiniões dos “especialistas”. A Educação é realizada por quem pisa no chão da escola, não por pessoas que se escondem em gabinetes atrás de escrivaninhas.
São sujeitos que pensam autonomamente e estão comprometidos com os interesses da sociedade que devem gerenciar a Educação, sem exceções e exclusões. Que estejam dispostos a realizar uma reforma na Educação, com responsabilidade, visando ao bem comum.
O educador, o filósofo, o pedagogo, o artista, o profeta, o político têm e tiveram, historicamente, um papel eminentemente crítico: o papel de inquietar, incomodar, perturbar, desafiar, denunciar, transformar. Portanto, sua tarefa é a de quem incomoda e transforma.
Mas é preciso muito cuidado, pois a escola que forma o “mocinho” é a mesma escola que instrui o “delinqüente”. Claro que existem outras questões em jogo, como a família, a sociedade, o meio e a própria escola. Porém, ambos são “educados” nas mesmas escolas.
Podemos dizer que nos extremos existem dois “tipos ideais” de educação: uma educação como prática da domesticação e uma educação como prática da libertação. Evidentemente, esses tipos de educação não existem em estado puro. Em estado puro esses dois modelos de educação são caricaturas, abstrações. Eles não existem porque não existe uma sociedade abstrata que seria totalmente conservadora ou totalmente libertadora. Porém, esses dois modelos seriam apenas horizontes opostos, em direção do qual a educação tentaria caminhar, mantendo o conflito, a dialética, entre o velho e o novo, entre a reprodução e a transformação. A escola e a educação adaptam-se às novas condições econômico-sociais.
Uma escola sem compromisso com a sociedade, alienada, aos interesses da elite dominante, objeto de manipulação nas mãos das oligarquias, forma indivíduos descomprometidos com a humanidade e com a verdade. Esta mesma escola é freqüentada por indivíduos heterogêneos que podem utilizar seus conhecimentos tanto para o bem, quanto para o mal. Se esta escola não valoriza o professor e ainda o trata com desprezo, está condenada ao fracasso e com ela toda a sociedade e a humanidade inteira.
Não quero que a escola tenha obrigação de formar o caráter humano, mas que tenha responsabilidade na complementação e possa influenciar sua formação.
A escola comprometida com a sociedade, busca formar cidadãos conscientes de sua responsabilidade no processo de construção da cidadania. Essa escola visa despertar e desenvolver a fraternidade, solidariedade, liberdade, igualdade, ética e principalmente o amor ao próximo. Essa é a escola que busca um “novo homem”. Qualquer escola está sujeita a falhas, mas aquelas que valorizam e formam seres humanos têm mais chance de acertar. Aquela escola que valoriza o PROFESSOR e reconhece sua importância tem mais chance de alcançar seus objetivos e ter sucesso.
O mundo não precisa de indivíduos capazes de construir bombas e armas de destruição em massa. Homens que especulam, exploram, oprimem, roubam e matam. Pessoas cruéis, capazes de tudo e mais um pouco para se manterem no poder. Homens mal-humorados que não aprenderam a lidar com seus fracassos e frustrações e descarregam sua ira punindo inocentes que nem sabem o motivo da punição.
O mundo precisa de sujeitos bem-humorados que saibam amar! Homens que por amor ao próximo, sejam capazes de acabar com a fome, miséria, guerras e outros males.
Esta é a missão da Educação que também é dirigida por seres humanos. Portanto, é nossa a missão de educar para a paz e transformar a sociedade formando seres humanos felizes e bem-humorados. Não alienados. Mas que sejam capazes de solucionar problemas, não adestrados para repetir “conhecimento”.
Uma educação com AMOR, responsabilidade e bom humor, sem mentiras e ilusões. Uma Educação libertadora, capaz de permitir ao sujeito escolher sua religião, seu partido político e seu candidato. Uma educação que forme e transforme o indivíduo visando ao bem coletivo. Uma Educação que encaminhe o homem ao “sucesso” e à prosperidade. Uma Educação capaz de dar suporte e autonomia ao homem para decidir, por si próprio, o que fazer.
Parte II
Mau humor: um “problema social”
Mau humor: um “problema social”
Não existe sucesso, felicidade, paz, amor ou “vida”, em ambientes carregados de ódio, tristeza, pensamentos negativos e mau humor. Ninguém agüenta!
Toda atividade torna-se estressante quando trabalhamos mal-humorados, irritados, azedos.
O mau humor é contagioso, propaga-se e afeta todas as pessoas direta ou indiretamente prejudicando a relação entre os indivíduos.
Um sujeito mal-humorado provoca situações desagradáveis, cria um clima muito pesado e tenso em seu ambiente de trabalho, tornando insuportável o relacionamento e a convivência entre os colegas.
O mau humor “toma conta do pedaço” e em pouco tempo todos estão mal-humorados, cansados, estressados, agressivos e prontos para brigar.
Basta uma palavra qualquer e pronto… É como jogar… no ventilador!
O mau humor prejudica e atrapalha qualquer relacionamento. No trabalho, no clube, na família, na igreja, na academia, na sala de aula, no trânsito, em todo lugar, o mau humor estraga qualquer reunião.
É incrível, mas é verdade. Uma pessoa mal-humorada contagia outras se estas não foram “vacinadas contra a raiva”.
O mau humor também provoca grosseria e descortesia. Estupidifica e embrutece o sujeito. Cega e bloqueia a inteligência humana. Afasta os amigos. Provoca mal-estar. Enfim, é prejudicial à saúde de quem sofre do mau humor e à saúde alheia.
Cada indivíduo deve evitar o mau humor e todos os dias antes de sair de casa, logo ao se levantar da cama, dirigir-se ao banheiro mais próximo e repetir várias vezes diante do espelho: “Hoje, inicio mais um dia feliz, maravilhoso, alegre, divertido e bem-humorado. Neste dia, nada me afetará. Nem tristeza, raiva, ódio ou mau humor. Que amanhã seja melhor do que ontem. E hoje seja o melhor dia de minha vida. Amém ”.
Quando você aceita que sofre de mau humor e procura ajuda, em pouco tempo estará sentindo-se melhor. A mudança de comportamento é difícil, mas não impossível. Basta querer. A decisão é sua, mas o resultado “pertence” a todos.
O mal-humorado é doente, sofre, é egoísta, egocêntrico, só pensa nele mesmo, pensa que o mundo gira em torno de seu “umbigo” e não enxerga um palmo diante do próprio nariz. Seus relacionamentos são prejudicados por seu humor. Não se importa com os sentimentos alheios. Seus colegas e familiares “sofrem” com o mal-humorado. O mau humor é individual, mas as conseqüências são coletivas. Neste caso, o mau humor torna-se um “problema social”.
Mau humor é questão de comportamento. Tem influências fisiológicas, assim como psicológicas, espirituais e sociais. Vicia, acomoda e incomoda. Pior, o mal-humorado aprende a conviver com o mau humor. Porém, pode ser opção. “Humor não é um estado de espírito, mas uma visão de mundo” . Você pode e deve mudar seu comportamento e melhorar sua vida. Basta querer e tentar. Mas, se vive bem com o mau humor, parabéns. Só que sua família e seus amigos não são culpados nem obrigados a agüentar seu azedume. “Curta-o” sozinho!
Tornando-se uma pessoa bem-humorada, você ganha qualidade de vida. Seus familiares e amigos ganham uma pessoa melhor. A sociedade torna-se melhor, mais tolerante, agradável e pacífica. O que é mais importante: você se torna feliz.
O bom humor é uma questão de inteligência emocional . Pessoas inteligentes emocionalmente estão sempre bem humoradas, sorrindo para todas as pessoas com quem se relacionam, pois são capazes de controlar seus sentimentos e sabem que um sorriso é “barato” e rende muitas amizades e oportunidades.
O mau humor é um problema individual e contagioso, afeta outros indivíduos, tornando-se um problema coletivo, logo social. Então, teremos uma sociedade mal-humorada, intolerante, arrogante, robotizada, alienada, desequilibrada, explosiva e violenta.
Aliado aos problemas sociais existentes como: miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, entre outros, o mau humor, torna-se um problema sério e perigoso.
Os indivíduos se tornam impacientes, intolerantes, incompreensíveis, rudes e violentos quando são afetados pelo mau humor.
Portanto, cabe a cada um de nós buscarmos a cura para o mau humor, antes que sejamos todos afetados por seu azedume.
Mau humor: uma doença contagiosa
Um chefe de família - homem ou mulher - que vive mal-humorado contagia os membros da família que passam a “viver” irritados e azedos.
Muitas crianças vivem irritadas e azedas por causa da irritação e azedume dos pais. O ambiente, o meio influi no humor do indivíduo.
Muitas vezes, ao chegar à casa irritado, o “chefe da família” já chega calado – ou gritando - “pisando pesado” no chão, bravo, “relinchando” e soltando “coices”. Logo, a família sentirá o azedume no ar. Após alguns resmungos, as crianças ficam irritadas e inquietas, a esposa então começa a reclamar da vida, das crianças e até os cachorros ficam insuportáveis e mal-humorados.
O ambiente familiar se transforma num campo de concentração, gera-se um clima de “guerra fria”. A situação torna-se tensa, agressiva, degradante, doentia e infeliz. A causa de tanto mau humor – em muitos casos - é o estresse, por excesso de trabalho.
Algumas profissões provocam esgotamento mental e o estresse com mais freqüência. A alimentação também pode estimular ainda mais o problema. A má alimentação acelera o esgotamento físico e mental. Porém, alguns tipos de alimentos ajudam a reduzir a ansiedade, o esgotamento físico e mental, aliviando o estresse e contribuindo para elevar o bom humor. O lazer também é muito importante para evitar a fadiga.
Se não for “remediado”, o estresse torna-se depressão. O problema vai se agravando. A doença evoluindo. O descontrole emocional manifesta-se. Logo a pessoa perde a noção do bom senso e o equilíbrio emocional. A falta de tratamento pode até causar a “morte do doente”.
Parece piada, mas infelizmente é a verdade. O mau humor de uma pessoa, principalmente se esta é “líder” de qualquer segmento da sociedade, contagia o grupo ou equipe e todas as pessoas que se relacionam e são influenciadas por ela.
O pior é quando o mal-humorado não sabe que é mal-humorado ou não consegue controlar seu mau humor, o que ocorre com a maioria dos casos. Sem saber o que fazer, descarrega sua irritação em qualquer pessoa que se relacione com ele. Quanto mais próximo o ente, mais sofrerá a fúria do mal-humorado, que muitas vezes não age por mal, mas por mau humor. Acaba magoando e ofendendo seus entes queridos, perdendo família e amigos por não controlar o humor.
O patrão mal-humorado descarrega todo seu mau humor nos funcionários que muitas vezes não têm nada a ver com o problema.
Numa hierarquia, o mau humor vindo do mais alto cargo, afeta todos os subalternos que vão recebendo e descarregando o azedume até atingir o mais humilde dos cargos, que não tendo em quem descarregar, punem suas ferramentas de trabalho, danificando-as. Desta forma, todos aliviam suas tensões e neuroses.
Se um indivíduo não consegue descarregar sua fúria em alguém, ou num objeto qualquer, pune a si mesmo, mutilando-se ou flagelando-se automaticamente. Muitas vezes começa a dependência por medicamentos antidepressivos ou até uso de outros tipos de drogas, aumentando o risco de vida. O resultado é um sujeito doente, depressivo, esquizofrênico, neurótico e masoquista, ou sádico. Talvez, surja um delinqüente. Cuidado, esse doente pode ser você.
Muitas vezes, misturamos todos os problemas com o mau humor e despejamos toda energia negativa - carregada de ódio, raiva, mágoa e fúria - em pessoas que nem sequer sabem por que estão sendo punidas, humilhadas, ofendidas e injustiçadas.
Muitos alunos são punidos por professores e diretores vingativos e mal-humorados, incapazes de controlar suas emoções. Diretores de mal com a vida cobram dos professores atividades que nem sequer são capazes de realizar. Muitos pais, em momentos de descontrole emocional, no auge da fúria, espancam ou gritam com os filhos, descarregando toda raiva em crianças indefesas. Assim, “aliviam” suas tensões.
Quando o professor é mal-humorado e vive “pressionado” por superiores também mal-humorados, quem sofre é o aluno e quem “paga” é a sociedade. Em casa muitos pais, pressionados no trabalho, usam a família como válvula de escape. São os abusos de autoridades.
Imagine que você amanheceu indisposto. Uma sensação desagradável, um mal-estar. Você decide ir a um médico - para saber se os sintomas são de um resfriado, uma virose, ou qualquer outro problema de saúde – a fim de se cuidar. Ao ser anunciado, você entra no consultório e com muita cautela e educação, tentando ser simpático, pergunta ao médico: Como vai, doutor? Este, possuído pela doença do mau humor, sem olhar para você, de cabeça baixa, enxergando apenas a ficha da consulta, responde grosseiramente: Sente-se. Examina, preenche a ficha de atendimento ambulatorial, prescreve algum remédio no receituário e o dispensa friamente.
Se você já estava “doente”, piorou. Se não estava doente, ficou.
Neste caso, o doente é o médico e não o paciente. Mas um simples contato. Uma troca de olhares e uma conversa desagradável são suficientes para transmitir a doença do mau humor, do médico para o paciente.
Muitas vezes a burocracia toma o tempo do ser humano roubando-lhe a sensibilidade necessária para lidar com seu semelhante. Os humanos, em muitos casos, limitam-se a preencher formulários, planilhas, fichas e outros papéis, ignorando a presença de outro ser humano, perdendo oportunidades de conhecer pessoas e “aprender” com suas experiências. As relações tornam-se frias, superficiais, burocráticas e robotizadas.
O professor também preenche muitos papéis. Quantos papéis preenchidos são arquivados em vão. Muitas vezes o professor mal olha no olho de seu aluno. Faz a chamada olhando para sua caderneta e chama o aluno apenas pelo número da chamada.
O mau humor dos outros provoca mal-estar nas pessoas deixando-as “doentes”.
O mau humor talvez seja o pior dos males. A pior doença. Afeta o corpo, a mente e o espírito. Provoca doenças emocionais e envenena a alma. Destrói casamentos e a própria humanidade. Mas pode ser tratada, se o mal-humorado desejar a “cura”. Não exige nenhum milagre, apenas força-de-vontade, paciência, meditação, lazer.
Pior que um médico mal-humorado, é um professor mal-humorado.
Imagine que você, professora, cansada, exausta depois de um bimestre cheio de atividades intensas, htpc´s, capacitações, preenchimento de diários, projetos pedagógicos, comemorações “cívicas” - que na verdade são obrigatórias - cobrança da direção, ainda tenha que preencher fichas individuais dos alunos que não conseguiram resultado satisfatório no bimestre.
Se você avaliar o aluno considerando sua fase de desenvolvimento, de aprendizagem e a diversidade cultural presente numa sala de aula, avaliando o educando individualmente, respeitando seus limites e valorizando seus conhecimentos, você não terá muitas fichas para preencher. Talvez nenhuma. Porém, se examinar cada aluno, ao “pé da letra”, considerando somente o que ele sabe no ato do exame, terá muito trabalho burocrático e uma “montanha” de papéis - fichas - para preencher. Neste caso… Boa “diversão”!
Você então chega à unidade escolar para iniciar mais um dia de “guerra” - quando o mau humor se manifesta temos a sensação de estarmos a caminho de uma guerra; quando estamos bem-humorados a sensação é de uma “FESTA” - e encontra logo na entrada a diretora com “cara de mau humor”. “Cara amarrada, fechada, brava, arrogante, autoritária”. Entre outras máscaras camufladas por camadas espessas de maquiagem.
Você então pensa alto: “Tomara que não seja nada comigo!” e segue na direção da “chefa”. A diretora nem cumprimenta – por educação ou mesmo por obrigação – dirige-lhe a palavra autoritária, superior e azeda. Descarrega toda fúria em você. A frustração é grande, mas a obrigação é maior. O sinal “toca”, parecendo a sirene de ambulância vindo socorrê-la ou o sinal de uma fábrica que avisa à hora de começar a empreitada. Você então, ajeita seu material e sentindo-se como se um trem a tivesse atropelado, dirige-se para a sala de aula, numa marcha fúnebre, sem fim, comentando para si mesma: “que inferno irei baixar agora, o que mais poderá acontecer”…
Humilhada e rebaixada. Agredida, ofendida e desamparada, “com os nervos à flor da pele”, aponta a cabeça na porta da sala de aula e ouve a “gritaria” de todo santo dia e de todo dia santo. Você não está bem. O mau humor a possuiu. Entra na sala e logo grita: Calem a boca!
Os alunos diriam que a professora foi possuída pelo “demônio”. Porém, trata-se de um desequilíbrio emocional desencadeado por forte sentimento, liberando energia tão forte, capaz de provocar mudança instantânea e momentânea de comportamento, transfigurando sua face. Não tem nada de possessão demoníaca .
Nesse instante “ouve-se o silêncio”… ou melhor, não se ouve mais nada. O medo, e o mau humor imperam na sala de aula e em cada aluno.
A partir deste momento, a professora perde a razão de viver. Suas aulas serão sempre cansativas, desagradáveis, chatas, demoradas, robotizadas e torturantes.
Você está ansiosa para que esta aula acabe depressa. Que chegue logo o final do ano. Que consiga uma licença-médica, readaptação, afastamento, aposentadoria, um feriado, qualquer coisa.
Não adianta fugir e se esconder. O recesso escolar passa rápido. As férias acabam e você terá de voltar a sua unidade escolar. Encontrará sua diretora e seus alunos novamente. Todos sorrindo e festejando o primeiro dia de aula. Começa tudo de novo… O mau humor e toda aquela tortura que durará o ano inteiro, pelo resto da vida. Você não merece, mas a escolha é sua!
Sai ano, entra ano e o mau humor permanece. A sociedade torna-se mal-humorada e logo não terá mais paciência para nada, provocando intolerância, insatisfação, infelicidade, desilusão, frustração, arrogância, mal-estar atraindo outros fluidos negativos.
Quantas vezes somos mal atendidos em repartições públicas por funcionários mal-humorados que descarregam suas mazelas em todos que necessitam de seus serviços.
A diretora mal-humorada contamina a unidade escolar. Os professores trabalham com medo e mal-estar. Aquela professora, frágil, sensível, contaminada pelo mau humor da diretora acaba descontando todo seu mau humor nos alunos. Os alunos mal-humorados derrubam a escola.
Não importa quem seja o mal-humorado, qualquer pessoa que sofra desse mal, acaba contagiando todos a seu redor, criando um clima tenso em qualquer local. Forma-se um “campo magnético” tão negativo capaz de atrair mais “força negativa”, aumentando o mau humor.
O mau humor não é um mal existente somente nos profissionais da educação. Ele existe em todos os segmentos da sociedade. Porém, é pior para o professor se este for mal-humorado. O mau humor reflete nos alunos que ficam insuportáveis tornando suas aulas exaustivas e massacrantes. E você ainda acaba “levando” o problema para casa, prejudicando sua família que não tem nada a ver com seus problemas profissionais, assim como seu trabalho e seus alunos não são culpados por suas dificuldades financeiras e seus problemas familiares.
Tesão: Prazer em tudo que se faz
Toda atividade deve ser realizada com carinho, vontade, desejo, dedicação, responsabilidade, organização, planejamento, amor, humor e muito tesão. Só assim seus projetos serão realizados com prazer, êxito e sucesso. Parece difícil, mas é preciso.
Tudo que tentarmos realizar com raiva, ódio e mau humor, não dará certo. Tudo que tentarmos executar sem vontade dará errado. O resultado será o fracasso, a insatisfação e a frustração.
Portanto, se não está disposto a realizar determinada atividade com vontade, não faça. Se fizer um trabalho contra sua vontade, reclamando e xingando, não ficará bom, então, é melhor parar e recomeçar quando estiver disposto e bem-humorado. Ou deixar que alguém faça, mas o mérito não será seu. Depois não reclame, pois o mau humor aumenta e põe você de cama.
Um motorista que dirige seu carro, ou o veículo da empresa onde trabalha, consegue quebrar o automóvel se descarregar energia negativa num momento de raiva. Na hora da fúria o motorista transforma inconscientemente toda energia em força física. Quando dirige com ódio é menos cuidadoso e danifica o veículo. Tudo que toca, inutiliza. Prejuízo para a empresa ou para o próprio bolso. O mesmo vale para qualquer profissão em qualquer setor da sociedade.
Muitas pessoas fazem suas atividades com raiva, ódio e mau humor. Reclamam que nada dá certo em suas vidas. Tudo que planejam sai errado ou não se realizam.
Sem tesão no ofício desempenhado, o resultado é a insatisfação, a frustração e o fracasso.
É como sexo. Se você não está a fim, o prazer não acontece e o orgasmo não ocorre. O ato se torna superficial, sem graça, frio, vazio e pode até machucar física e emocionalmente. Quando realizado com muito tesão… o resultado é satisfatório, prazeroso, “uma loucura”!
A vida é semelhante ao ato sexual. Quando vivemos com prazer, com muito tesão, tudo se transforma e a vida se torna excitante, atraente. Curtimos cada segundo. Cada movimento é sentido prazerosamente e o auge de nossas realizações é como um orgasmo completo e compartilhado. A vida se torna significativa, deliciosa e valiosa.
Quando a vida se torna corriqueira e sem prazer, o tesão acaba e a vida perde a graça. É como sexo sem excitação: mexe, mexe, mexe e nada. A vida “broxa”. A sensação de impotência se manifesta e a auto-estima cai. Imagine se sua auto-estima não levantar mais! Perdem-se auto-estima, autoconfiança e tesão pela vida.
No dia-a-dia a mulher prepara a refeição para o marido que está prestes a chegar. Durante a preparação ela xinga, reclama, resmunga, grita, bate os talheres na mesa com raiva, descarrega toda fúria no alimento que prepara e até se machuca. Não existe motivo. A atividade rotineira fez com que sua função de “rainha do lar” e dona de casa transformasse sua vida numa tortura, num “inferno”. Ela se colocou nessa situação, ninguém a obrigou .
O marido chega faminto e apressado. Sem ao menos cumprimentar a cônjuge com um beijo carinhoso, ou elogiar pelo cheiro agradável da comida, pois neste momento a fome é mais forte que o amor. Senta-se à mesa e pergunta se o almoço está pronto. Reclamando, a esposa serve o marido. O excesso ou a falta de tempero provoca um comentário “inocente” e irônico do cônjuge. A companheira ofendida inicia uma discussão e o casal acaba na maioria das vezes “brigando”. Pior, na frente das crianças.
Todo o dia acontece a mesma coisa. Vicia, torna-se hábito. Acorda de manhã, prepara o café, lava a louça, prepara o almoço, veste e serve as crianças, lava a louça, varre a casa, lava a roupa e estende-as no varal, lava o banheiro – enquanto as crianças estão na escola - prepara o jantar, serve as crianças que já voltaram da escola, lava a louça, toma banho e vai dormir. O marido chega e ainda quer “fazer amor”. Que piada!
Haja amor, humor, paciência, disposição, prazer e tesão.
Realmente não é fácil. Viver é muito difícil. É uma arte! A relação com outros seres humanos é complicada. A tolerância nem sempre nos acompanha. O tesão se torna tensão. Atividades repetitivas nos robotiza. O prazer acaba e o casamento também.
Toda atividade mais cedo ou mais tarde torna-se corriqueira, até mesmo a relação sexual. Cansaço, estresse e depressão são conseqüências de uma vida robotizada, repetitiva, mal-humorada, mal vivida e sem tesão.
É preciso estar atento e disposto a acabar com o mau humor. Antes que ele acabe com você.
É necessário refletir sobre sua vida. Identificar e reconhecer os problemas. Admitir que existam tais problemas e traçar caminhos para solucioná-los. Nem sempre somos capazes de resolvê-los sem ajuda familiar ou profissional. O diálogo é sempre boa solução. Talvez um amigo possa ajudar. Às vezes é melhor procurar um profissional capacitado. Mas o mais importante é aceitar que seu mau humor está prejudicando sua vida afetiva, íntima, social e profissional. A próxima etapa é querer se livrar do problema.
Muitas vezes, academias são válvulas de escape e melhor terapia para acabar com estresse. Porém, como tudo, torna-se rotineira e perde o efeito terapêutico. Por isso é preciso diversificar os exercícios e as atividades para evitar a rotina.
O problema está justamente na rotina. Os seres humanos se cansam rápido de suas atividades e relacionamentos. Por isso, precisamos de descanso físico e mental.
Conhecer lugares novos também ajuda a relaxar. Atividades diferentes como viagens, pintura, teatro (principalmente comédia), dança, música, ginástica, leitura, cinema, acampamento, caminhadas, andar de bicicleta, são opções para sair da rotina. Nada disso exige gastos exagerados. Basta usar a criatividade. Você pode participar de um grupo de teatro amador – existem vários. Pode acampar num sítio ou serra perto de casa. Procurar um bom livro numa biblioteca pública. Dançar em casa enquanto faz suas atividades. Caminhar na rua, numa praça. Pedalar num parque ou numa avenida. Alongar o corpo entre uma atividade e outra. Nada disso exige gastos e desperdício de dinheiro. É preciso apenas disciplina.
O importante é ter prazer nas coisas que realizamos por mais simples e insignificantes que pareçam. O prazer no que se faz leva-nos a realizações bem-sucedidas. Aproxima-nos da felicidade.
A felicidade em si não existe. A felicidade está presente no prazer. Nas realizações bem-sucedidas. Para obter sucesso, é preciso “fazer bem feito”. A dedicação, o prazer, a determinação, o bom humor, a vontade são ingredientes para o sucesso e a felicidade. A satisfação pessoal é uma maneira de encontrarmos a felicidade.
Pessoas felizes atraem oportunidades, bons negócios, lucros, dinheiro e prosperidade. A energia positiva do sujeito cria um ambiente psicológico dos acontecimentos exteriores favorável a suas realizações. Ou seja, pessoas felizes atraem dinheiro.
O educador deve ter tesão, prazer, paixão para “educar” e astúcia para conquistar, seduzir, atrair seu educando. O professor precisa seduzir seu aluno, provocar seus sentimentos e emoções (positivos e negativos), fazer com que seu aluno sinta tesão em aprender, estudar, instruir-se. A partir dai pode haver a transformação.
Termômetro do Humor
Para saber se você está bem e de bom humor, faça um teste: Procure aquelas pessoas que considera insuportáveis, “chatas”, antipáticas, desagradáveis, “indigestas”. Alguém que você não tolera. Ouça-as. Se você não se irritar é porque está bem. Como diria o mestre Mahatma Ghandi, é preciso ser inofendível.
Quando não estamos bem, qualquer coisa nos incomoda, até a voz da esposa ou do marido. Ofendemos-nos com pouca coisa. Um simples bom-dia de um estranho é o suficiente para aumentar o mau humor. Basta ver alguém que não simpatizamos para mudarmos de humor.
É comum o mau humor manifestar-se na família, entre casais – principalmente entre marido e mulher - e até no trabalho. Frequentemente na escola na relação professor-aluno e em casa na relação pais e filhos e entre os cônjuges.
O problema não é o outro. Nós é que temos determinado problema e culpamos o outro. “Se você mudar, o mundo muda com você” .
Não é fácil admitir que estamos irritados e mal-humorados. É mais cômodo culpar alguém por nosso azedume. A verdade dói. Mas o mau humor fere muito mais e as feridas demoram a cicatrizar, quando cicatrizam.
Frequentemente ficava incomodado com a balconista da padaria onde comprava pão e leite. Todas as manhãs ao entrar no estabelecimento, cumprimentava-a com um habitual “bom-dia”. Ao fazer o pedido no balcão, a moça mal-humorada, com “cara-amarrada”, me servia sem retribuir o cumprimento, mesmo que fosse por obrigação, ou educação. Isso me incomodava muito. Deixava-me irritado o resto do dia. “Estragava” meu dia!
Ela me olhava com aquele “olhar fulminante” e jeito de brava, como se estivesse com raiva de alguém, talvez de mim, talvez dela mesma. Era o suficiente para que eu “perdesse o dia”, o mau humor se manifestava e durava até o anoitecer. Conseqüentemente me irritava com qualquer coisa e pessoa e ia dormir mal-humorado. Dormia mal. Muitas vezes, até sonhava que estava mal-humorado. Acordava mal.
No outro dia, um novo dia, um novo “bom-dia” e o mesmo “velho problema”. Bastava ver a balconista para ficar azedo. Meu coração disparava – e nem era de paixão - e meu humor mudava instantaneamente.
O proprietário da padaria deveria escolher melhor seus funcionários, alguém mais simpática – pensava eu – atender o público é tarefa para pessoas bem-humoradas, educadas, simpáticas, carismáticas, satisfeitas e felizes. Não é função para quem não está feliz e vive de mal consigo mesmo. Mas estava enganado.
Depois de refletir muito, percebi e admiti que o problema estava em mim. A balconista não podia ser responsabilizada por meu humor. A moça simplesmente atendia todos os clientes da padaria cumprindo mecanicamente a função de balconista. Eu é que ficava incomodado com ela. Esperava ser atendido de forma diferente julgando ser uma pessoa diferente, quando era igual a todos os clientes da padaria. O mal-humorado era eu. A jovem, sem saber, era “meu termômetro”. Um deles. Temos vários termômetros para medir nosso humor.
Outra pessoa que me serviu de termômetro foi uma ex-aluna da 8ª série do ensino fundamental. Era antipática, abusada, emburrada, arrogante e azeda. Assistia a minhas aulas de costas para mim. Isso me deixava furioso, irritado e mal-humorado. Bastava vê-la para mudar meu humor. Ao preparar a aula para a sala em que ela estudava, era uma tortura por saber que teria de entrar novamente na sala daquela aluna “rude, grosseira e arrogante”, como eu pensava. No dia que eu tinha aula naquela sala, já entrava mal-humorado e até tratava mal outros alunos, tudo por causa de uma única aluna.
Felizmente percebi que precisava mudar. Continuei freqüentando a padaria e lecionando. Porém, “olhando” aquelas pessoas com outro olhar. Tudo mudou. Descobri que quando estamos de bom humor, de bem com a vida, nada nos incomoda, mesmo que ninguém retribua um cumprimento ou assistam a nossas aulas. Precisamos estar bem conosco. Satisfeitos com nossa existência.
Ao mudar o foco sobre aquelas pessoas, a resposta foi imediata. Elas também começaram a me tratar de forma diferente, mais sorridentes e mais simpáticas. A balconista da padaria me atendia com mais simpatia. A aluna passou a prestar mais atenção nas aulas e no dia da formatura deu-me um abraço e desejou-me um “Feliz Natal”, pois era final de ano. Nossa relação melhorou, no bom sentido!
Percebi que muitas vezes, nos incomodamos com coisas ou pessoas, mas não assumimos que o problema também está em nós.
Depois desse dia, minha vida mudou para melhor. Comecei a observar melhor as pessoas que me rodeiam e antes de atribuir a outras pessoas a responsabilidade pelo meu humor, reflito se estou bem e disposto a aceitar que sou o único responsável por ele.
Um dia um amigo - hoje colega de profissão, pois decidiu ser professor - disse que ao ouvir-me parecia estar ouvindo um professor com 50 anos de magistério, já cansado, estressado, desiludido, insatisfeito, sem esperanças e esperando a morte chegar. Isso fez com que eu refletisse sobre minha postura de educador e de ser humano e, revendo alguns conceitos e valores técnicos, quebrei alguns paradigmas, mudei minha postura - para melhor - em todos os segmentos da sociedade.
Muitas vezes nossa postura de professor é robotizada, mecânica e automática. Esquecemos que estamos lidando com seres humanos sujeitos a falhas e imperfeições. Como se fôssemos perfeitos e infalíveis.
Porém, o maior desafio é sempre em casa na relação familiar. É onde precisamos manter o humor a fim de superar toda e qualquer dificuldade para manter um clima saudável.
Aprendi que podemos “usar” as pessoas como termômetros para medir a “temperatura” de nosso humor e saber se estamos bem ou não.
A menos que estas sejam prejudiciais à sua saúde - neste caso, é recomendável que se afaste - não fuja das pessoas que considera irritantes, elas podem ser seu termômetro. Aproveite para testar sua disposição e medir a temperatura do seu humor.
Se a temperatura estiver alta, é bom “tomar” um “antitérmico” humorístico para baixar a temperatura. Não deixe que a temperatura aumente. Há sempre o risco de uma convulsão. Mantenha-se sempre sereno e bem-humorado.
Se passar no teste, parabéns. Sua vida será melhor em todos os sentidos. Você se transformará numa pessoa mais simpática, satisfeita, alegre, feliz, bem sucedida e requisitada para várias festas e reuniões. Aproveite.
Dinheiro e mau humor:
Sorria… Você está sendo observado!
Muitos casos de mau humor são causados pela falta de dinheiro ou fome. A fome é mais fácil de resolver, mas a falta de dinheiro nem sempre.
Esses problemas – fome e falta de dinheiro - afetam bilhões de indivíduos no mundo. Não é um problema individual ou local. É coletivo, social e mundial.
A falta de dinheiro compromete o humor prejudicando as relações profissionais, familiares e conjugais e até individuais. Afinal, um sujeito em conflito consigo não será capaz de relacionar-se bem com ninguém.
É ai que mora o perigo. Muitos casamentos acabam pelo mau humor causado pela falta de dinheiro. Acaba o dinheiro, acaba o humor, acaba o amor! Como se o dinheiro fosse a solução para todos os problemas.
Acontece que a falta de dinheiro provoca preocupações com as dívidas, causando uma sensação ruim, de impotência e incapacidade. Impossibilita o consumo de produtos necessários à sobrevivência e produtos supérfluos relacionados ao “prazer”. O estresse e a depressão surgem para piorar a situação. O sujeito é o primeiro a sofrer seguido da família. A falta de diálogo e bom senso levam ao fim de casamentos. O motivo não é a falta de amor, mas uma relação desgastada pela difícil situação financeira.
Se considerarmos que todo tempo estamos sendo observados, então teremos de rever nosso comportamento e policiar nossas atitudes perante outras pessoas. Afinal, somos exemplos para crianças, adolescentes e adultos.
Muitos indivíduos – crianças e adolescentes - procuram “heróis” para inspirá-los, adorar como ídolos e seguir seus exemplos.
Sempre haverá alguém observando seus passos e avaliando suas ações. Seja para elogiar ou criticar. Há pessoas que esquecem a própria existência ocupando-se da “vida alheia”.
Nem por isso, viveremos artificialmente, de aparências, querendo ser aquilo que não somos, agindo como marionetes, manipulados por normas estabelecidas pela sociedade . Devemos agir naturalmente. Como somos.
É preciso ser e estar sem se preocupar com ter. Ter é necessário para nossa manutenção, sobrevivência, bem-estar, satisfação e realização, mas não é tudo. A felicidade não pode ser comprada, pois não é produto fabricado pelos homens. A felicidade é algo existente no âmago humano e depende da percepção e da relação do sujeito com o mundo exterior.
Suas conquistas são conseqüências de seu compromisso com sua vida. Não importa as origens. É necessário aceitar e assumir suas raízes. Só assim será aceito, quando você mesmo se aceitar.
Muitas pessoas são preconceituosas consigo mesmas. Negando a própria identidade. Outras pessoas ainda não descobriram sua identidade. Não poderão ser felizes enquanto não se definirem ou se encontrarem. É um processo individual. Existe influência do meio em que vive, mas cada experiência é pessoal e não serve para outra pessoa.
O que mais preocupa o indivíduo é saber que outros estão de olho, observando seus passos, vigiando suas atitudes, advertindo suas ações, filmando sua postura. Essa preocupação impede que cada sujeito assuma o que realmente é ou gostaria de ser fazendo-o interpretar alguém que não é. Vivendo de aparências, artificial e superficialmente. Ou seja, não vivendo, apenas existindo, ocupando um lugar no espaço e se tornando uma coisa , um zumbi , uma marionete.
Por ter consciência de estar sempre sendo observado, o indivíduo preocupa-se com o ter e esquece-se de ser ele mesmo e estar de bem com a vida. Para sentir-se bem, “necessita” ter o que outros indivíduos têm, não importando o custo para alcançar o objeto desejado. Cria-se uma dependência pelo consumo provocando o consumismo doentio.
Na impossibilidade de poder comprar, manisfesta-se o mau humor, o estresse e a depressão. Consumir pelo “prazer” de obter e possuir alguma coisa torna-se vício, obsessão, uma doença.
A falta de dinheiro para comprar qualquer coisa provoca no indivíduo a sensação de impotência, incapacidade, frustração, insatisfação, baixo-astral e “infelicidade”.
Enquanto o sujeito atribuir seu bom humor a mercadorias e relacionar sua felicidade com o ter e não com o ser, estará condenado a viver infeliz num mar de desencantos e desilusões e a felicidade tão sonhada se tornará um pesadelo.
Portanto, sorria e aceite sua situação. Depois respire e seja apenas você, melhorando a cada dia como sujeito, mas sempre com autenticidade. Não queira ser o que você tem e sim o que você é.
Dinheiro e bom humor têm muito em comum, mas com mau humor o dinheiro desaparece, pois as oportunidades e as pessoas que podem proporcionar oportunidades se afastam.
E o humor… que seja eterno enquanto dure!
São muitas as vantagens de estar sempre bem-humorado, de bem consigo. Estar sempre alegre, sorrindo, de bem com a vida, aumenta a eficácia do sistema imunológico, prevenindo doenças, proporcionando mais saúde física, mental e espiritual ao indivíduo, consequentemente à sociedade. Também motiva o sujeito e atrai oportunidades. Desenvolve a criatividade e melhora a capacidade física e mental.
Quando estamos tristes, magoados, o corpo sofre e fica doente. Com saúde, podemos aproveitar mais e melhor cada minuto da vida. É preciso curtir os momentos de felicidade com sabedoria e bom senso, sem se preocupar com o minuto seguinte.
Curta o presente, pois o “futuro é uma astronave, que tentamos pilotar, não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar” . Neste caso o que importa é o “aqui e agora”. Curta-o enquanto durar.
Ser e estar sempre bem-humorado aproximam pessoas alegres e felizes a sua volta, produzindo um campo energético positivo e vital a seu redor para conquistar seus objetivos, atrair oportunidades, obter sucesso e ser feliz.
Não adianta forçar as pessoas exigindo que “gostem” de você. É preciso conquistá-las com seu carisma e bom humor. O importante é ser feliz. Só assim poderá proporcionar felicidade a sua família e a seus amigos. Não existe possibilidade de proporcionar felicidade a alguém se não é feliz.
Um sujeito infeliz, só atrai desgraças para si e torna infelizes aqueles que o cercam. Não seja um “muro de lamentações”. Sua felicidade só depende única e exclusivamente de você. Se você não tem amor por você mesmo, nunca poderá amar ninguém. Pois não se pode dar ou doar aquilo que não possui.
O bom humor e a felicidade são frutos de uma vida saudável. Assim como uma vida saudável é conseqüência de muito bom humor e muito amor. Não depende somente daquilo que você não possui, mas de como lida com o que possui. Como você percebe o mundo que o cerca e como se relaciona com o que percebe e possui são determinantes para sua felicidade.
Acredite que você é capaz de ser feliz e bem-humorado. Não espere que seu marido ou sua mulher faça você feliz. Seu aluno não é responsável por seu bom humor. Não depende de seu chefe sua felicidade. Só depende de você. Você é protagonista de sua vida, de sua própria história.
O bom humor transforma a vida de qualquer pessoa, por mais infeliz que possa parecer. Torna a vida do sujeito mais doce. E mesmo que seja diabética, o dulçor do bom humor é recomendável por todos os médicos a qualquer pessoa, sem contra-indicações. O único efeito colateral é dor abdominal de tanto rir.
Ame a si mesmo. A pessoa mais importante do mundo é você. Comemore todas as suas conquistas por mais “simples e insignificantes” que pareçam, pois são suas vitórias e conquistas. Pequenos detalhes fazem grande diferença nos resultados. Sorria sempre, pois sorrir faz bem e rejuvenesce prevenindo o envelhecimento mental, conseqüentemente o envelhecimento físico. Comemore o dia de seu aniversário, por ser a data mais importante de sua vida, afinal é o dia que marca seu nascimento. Não espere que seus amigos e parentes lembrem dessa data. Comemore você, com ou sem eles. O importante é se divertir e ser feliz.
Pessoas amargas de espírito são egoístas, não querem que ninguém seja feliz, são vingativas e perigosas. Não se preocupe com esse tipo de pessoa. Afaste-se delas. No trabalho procure manter o clima de alegria afastando o mau humor alheio. Se for preciso, afaste-se do mal-humorado.
O bom humor proporciona vitalidade e vontade de viver. Saúde e bem-estar. Alegria, felicidade e dinheiro.
E que se danem as pessoas que querem viver mal-humoradas e infelizes!
E o humor… que seja eterno enquanto dure!
Guerra ou Festa
Quando você se prepara para trabalhar, é como se estivesse se preparando para uma guerra ou para uma festa?
Logo ao acordar o mau humor manifesta-se ou o bom humor se faz presente? Acorda cansado, desanimado, mal-humorado, indisposto, estressado, deprimido ou descansado, alegre, satisfeito, relaxado, feliz, disposto, animado e bem-humorado? Ir para o trabalho é um sacrifício, uma tortura ou um prazer?
Se o trabalho representa um sacrifício, uma guerra, acredite: você não está bem – ou não gosta de trabalhar. O trabalho tornou-se um problema e você necessita de cuidados especiais. É preciso descansar. Recarregar sua “bateria”. Rever seus hábitos e se for preciso, mudá-los. Não adianta insistir numa tática que não funciona. “Se você continuar fazendo o que sempre fez, vai continuar obtendo o que sempre obteve”. É melhor mudar a estratégia para vencer a batalha contra o pessimismo e o mau humor. Antes que você pise numa “mina terrestre” e vá para os ares, ou pior, “se exploda”.
Naturalmente o ser humano é muito curioso. Graças a essa curiosidade, a humanidade evoluiu, fez grandes descobertas, desafiou o “impossível”, desenvolveu técnicas e tecnologias e realizou obras imensas.
A necessidade de conhecer coisas novas, experimentar novidades, mudar de hábitos é típica do sujeito. Atividades diversificadas são necessárias, saudáveis e essenciais para repor a energia gasta com o estresse. O cotidiano torna-se tão repetitivo, corriqueiro, “sem graça”, “monótono e agitado”, cansativo.
Estamos no século vinte e um, no terceiro milênio depois de Cristo. A tecnologia desenvolveu-se tanto que mal podemos acompanhar sua evolução. Mudanças ocorrem a cada minuto. O planeta é habitado por mais de seis bilhões de seres humanos. Existem pessoas com muito mais dificuldades que você. Portanto, se você está lendo este livro é porque tem mais condições do que muitos bilhões de indivíduos. Pelo menos encontrou tempo para ler. Numa época que o tempo é precioso, “vale dinheiro”, e não sobra tempo para relaxar, qualquer minuto “livre” é “sagrado”. Não o desperdice, aproveite e curta-o com sabedoria.
Qualquer que seja sua profissão, o bom humor é essencial e ferramenta indispensável. Sem ele, seu trabalho torna-se cansativo e insuportável. O trabalho transforma-se numa “Grande Guerra”! Qualquer dificuldade se transforma num “bicho de sete cabeças”, “tempestade em copo d´água” . O mau humor torna-se membro do corpo, acompanha seu “dono” até sua casa e vai junto para a cama. Imagine ter como amante o mau humor! Certo que existem amantes e cônjuges mal-humorados. A guerra é bem melhor!
Com bom humor todos os problemas se amenizam e se tornam insignificantes. O ambiente de trabalho ganha vida, um clima mais agradável, alegre, feliz e produtivo. A sensação é de uma “Festa”!
Dê uma trégua. “Desarme-se”. Deixe a “guerra” e brinde a “festa”. O que é melhor, viver em guerra ou em festa?
Terapia do Humor
Comece seu dia sorrindo e agradecendo. Agradeça por ter acordado. Sorria por estar vivo. Agradeça por uma noite tranqüila em sua cama mesmo que não tenha sido tão tranqüila. Quando mentalizamos gratidão recebemos em troca o agradecimento do universo.
Sorria para todos os seus familiares. Muitas vezes não sorrimos nem agradecemos à mulher ou ao marido, aos pais e aos filhos. São pessoas próximas, importantes e sempre alertas e dispostas a ajudar. O exemplo começa em casa.
Agradeça tudo que possui. Seja grato a todos os favores e gentilezas prestados a você por obrigação, favor ou gratidão. É tão simples dizer: obrigado ou muito obrigado. A gratidão proporciona bom humor, felicidade, prosperidade e sucesso.
Pessoas ingratas são infelizes, arrogantes, solitárias, desprezadas e desprezíveis, mal-amadas, mal-humoradas e decadentes.
Sorria sempre por dentro e por fora. Não adianta “arreganhar-se” exteriormente para demonstrar que está alegre se por dentro carrega muita mágoa, rancor, ódio e ingratidão.
Sorria interiormente, “abra seu coração”. Perdoe primeiramente seus “pecados”. Você é a única pessoa que pode absolvê-la de seus “pecados”. Depois perdoe os deslizes daqueles que - sem querer ou querendo –magoaram você. Sentimentos negativos não permitem que você prospere. São como âncoras que nos prendem no cais do aborrecimento, da desilusão e do fracasso.
Alimente sentimentos positivos. Transforme a energia acumulada em combustível para sua vida, para seu sucesso.
Bom humor também é prática e condicionamento. É preciso exercitar muito para alcançar o equilíbrio necessário. Exige muita disciplina, reflexão e força de vontade. Mas o resultado é satisfatório, gratificante, saudável e benéfico.
Conclusão
Professores da Alegria não pretende “salvar o mundo”. Nem quer ensinar ou responder como transformar a sociedade e construir um mundo melhor.
Afinal, o que é um mundo melhor? Como ser um professor ideal? Como evitar problemas com alunos, contornar situações difíceis e manter a disciplina em sala de aula? Qual o papel da escola e como transformá-la numa instituição capaz de revolucionar a sociedade?
Não existem respostas para essas indagações.
Enquanto educadores, os professores da alegria querem e precisam entender e aceitar que “o conhecimento é construído pelo estudante e não simplesmente transmitido pelo professor” . Para isso, lutam e trilham caminhos para alcançar a plenitude da satisfação individual e coletiva.
A obra trata a relação professor-aluno como uma relação social que deve manifestar alegria. O sucesso de uma boa aula é resultado da alegria manifestada pelo professor.
O professor da Alegria é qualquer cidadão que se empenhe em ensinar e aprender. Seja pai, educador, cidadão. Todo sujeito é capaz de ensinar e aprender. O processo ensino-aprendizagem pode transformar a sociedade.
Para conquistarmos nossos educandos e convertê-los à própria opinião, precisamos nos aproximar deles, tomá-los pelas mãos e guiá-los, como propunha Tomás de Aquino.
Os educandos são nossos filhos, alunos, crianças abandonadas. Todo indivíduo é um eterno aprendiz.
“Professorar” não é fácil. É preciso coragem, ânimo, perseverança, ideal, propósito, esperança, vontade, amor, tesão, muito tesão e boa remuneração, muito boa remuneração.
Todo cidadão trabalhador merece e tem direito a uma boa remuneração. Um salário digno e suficiente para criar, educar e manter uma família suprindo suas necessidades básicas ou não.
O objetivo de Professores da Alegria é estimular a reflexão entre professores, pais e cidadãos a fim de construir uma sociedade digna, justa, livre, responsável, segura, saudável e feliz.
Seja um “Professor da Alegria”.

(Volpone de Souza, Professores da Alegria, Berto Editora, 2007)

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